Praticamente a última semana plena do ano de 2020 começou com grande diversidade de postura dos mercados, principalmente se colocarmos o Brasil nesse rol. O que está comandando os mercados no mundo é a segunda onda de contaminação da covid-19, as vacinas que começam a ser aplicadas e os atrasos de vacinas em outros países.
Assim, tivemos um dia de muitas alternativas, e aqui outros fatores também interferiram

Nos EUA, vacinas em distribuição foram comemoradas, mas Fauci que comanda a equipe de guerra contra o vírus informou que a população deve começar a ser imunizada lá pelos idos de março ou abril de 2021, ficando esse período até lá somente para as prioridades, incluindo o pessoal da Casa Branca, Já no Reino Unido, existe a suspeita que a infecção em alta pode estar relacionada com uma nova cepa do vírus, e a pergunta que cabe é se as vacinas seriam eficazes nessa situação. Basta lembrar a mutação do vírus N1H1.

Além disso, o prefeito de NY declarou que as pessoas devem se preparar para a possibilidade de nova paralisação das atividades por lá, lembrando que essa nova onda de contaminação pode estar associada aos contatos sociais do feriado do Dia de Ação de Graças. Igualmente, por aqui podemos associar a movimentação das eleições municipais.

No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em NY mostrava inversão de tendência para alta de 0,77%, com o barril cotado a US$ 46,93. Logo cedo, a OPEP estimou que a contração global em 2020 seria menor, em -4,2%, e em 2021 com expansão de 4,4%. Porém, a reunião de membros que estava marcada para dezembro foi adiada para janeiro e o mercado de óleo ficou agitado. O euro era transacionado em alta para US$ 1,215 e notes americanos de 10 nos com taxa de juros de 0,89%. O ouro e a prata terminaram o dia com quedas na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago.

Na China, (Qingdao), o minério de ferro interrompeu sequência de 10 pregões de alta e caiu durante a madrugada 3,60%, com a tonelada cotada em US$ 154,37. Isso afetou as ações da Vale e siderúrgicas por aqui.

No segmento local, a nova pesquisa semanal Focus do Bacen trouxe a inflação do ano em nova alta para 4,35% (anterior em 4,21%) e 2021 igual com +3,34%. A taxa Selic prevista para 2021 também foi mantida em 3%, mas a expectativa é que o forward guidance seja retirado na reunião de janeiro deixando o Bacen livre para elevar juros se for o caso das reuniões futuras. O PIB estimado piorou na margem para -4,41% em 2020 e crescimento mantido em 3,50% em 2021. A produção industrial de 2020 em queda de 5% e o saldo da balança comercial encolhendo para superávit de US$ 57,6 bilhões. O saldo acumulado da balança comercial até a segunda semana de dezembro estava em superávit de US$ 49,92 bilhões.

O Bacen também divulgou o IBC-Br do trimestre encerrado em outubro com expansão de 6,46%, e contra igual período de 2019 em contração de 2,65%. No mês, a alta foi de 0,86% e, no ano, contração de 4,92%. Já a média móvel trimestral subiu 1,38%, mas esses dados não mudam a trajetória projetada para o ano.

Mas foi o ambiente político que trouxe volatilidade ao mercado local mexendo com câmbio, Bovespa e também os juros. Circularam notícias que o auxílio emergencial poderia ser prorrogado por mais três meses, e que a votação no Congresso sobre a LDO de 2021 poderia ser adiada da data marcada de 16/12. O vice-presidente Mourão falando sobre a tecnologia 5G indicou que as empresas têm que obedecer à soberania do país, privacidade e economicidade. Disse ainda que a PEC emergencial é prioridade, pois dispara o gatilho do teto de gastos. Rodrigo Maia diz aceitar acordo com Ricardo Barros para votar a CBS (Contribuição Sobre Bens e Serviços) que une PIS e COFINS, de projeto da equipe econômica.

O dólar que chegou a arranhar a cotação de R$ 5, voltou para R$ 5,12, em alta de +1,52% e a Bovespa veio para baixo dos 115 mil pontos. Mas também tivemos a notícia que, na sessão de 10/12, os investidores estrangeiros voltaram a alocar recursos na Bovespa no montante de R$ 985,4 milhões, elevando os ingressos do mês para R$ 7,55 bilhões, mas com o ano ainda com saídas líquidas de R$ 44 bilhões.

No mercado acionário, dia de queda de 0,23% da Bolsa de Londres, Paris com alta de 0,37% e Frankfurt com +0,83%. Madri e Milão com altas de respectivamente 0,96% e 0,27%. No mercado americano, o Dow Jones com -0,62% e Nasdaq com +0,50%. Na Bovespa, dia de -0,45% e índice em 114.611 pontos.

Na agenda de amanhã teremos a ata do Copom da última reunião que pode deixar mais clara a retirada do forward guidance, o IGP-10 de dezembro e, nos EUA, o importante índice de atividade industrial de New York e a produção industrial de novembro.

Boa noite.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais