O estresse com a nova variante da covid-19 está aumentando em todo o mundo, ainda que as hospitalizações e os óbitos não acompanhem as estatísticas de contaminação. Porém, isso acaba tendo desdobramentos em não vacinados, na recuperação da economia global e nas atitudes dos bancos centrais e governos. De certa forma, isso pode ser positivo para os países emergentes se adequarem melhor aos ajustes, mas impõe riscos de surgirem processos de estagflação (estagnação com inflação), algo muito complicado. Mas isso não impediu que os índices americanos tivessem novo dia de recorde de pontuação.

É nesse ambiente que os mercados transitam atualmente e que agregam volatilidade. Isso fica mais nítido pelo que estamos assistindo nos mercados americanos, para onde o dinheiro corre sempre que existe a necessidade de proteção. O porto seguro. Segundo estudo divulgado, no primeiro semestre de 2021, ingressaram recursos em fundos americanos em montante superior a US$ 900 bilhões. O outro lado disso é que mercados emergentes com liquidez, como o Brasil, sofrem mais pela rápida mudança de direção dos fluxos.

Hoje foi mais um dia de assistirmos a isso, depois de um fim de semana de relatos de aumento da contaminação pela variante Delta. A Casa Branca se mostra mais otimista com a aprovação do pacote de infraestrutura e preocupada com o aumento da contaminação pela covid-19 em pessoas não vacinadas, estudando até obrigar o uso de máscaras em eventos e restringir a entrada de estrangeiros novamente. A Europa passa por problema semelhante e a Ásia também. Aqui, já temos 45,09% da população vacinada com pelo menos a primeira dose.

O BOE (BC inglês) disse ser apropriado manter estímulos monetários por vários trimestres, enquanto a vice-secretária de Estado dos EUA pediu que a China aja como potência global responsável. Aliás, a China está na contramão de outros países e vem flexibilizando mais sua política monetária, ao mesmo tempo em que endurece a regulação de empresas de tecnologia, e agora do setor de educação.

Nos EUA, as vendas de imóveis novos de junho encolheram 6,6%. Já no mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, oscilou no campo negativo (ficou pouco tempo no positivo), negociando em alta de 0,08% e com o barril cotado em US$ 72,13. O euro era transacionado em alta para US$ 1,18, e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,29%. O ouro em queda e a prata com alta na Comex, e commodities agrícolas com viés positivo na Bolsa de Chicago. O minério de ferro é que, depois de perder 9% na semana passada, em Qingdao, na China, teve dia de breve recuperação de 0,70%, com a tonelada cotada a US$ 202,74.

No segmento local, dia de nova pesquisa semanal Focus do Bacen trazendo inflação em alta. O IPCA previsto para o fim do ano subiu para 6,56%, vindo na anterior de 6,31%. A taxa Selic também foi para 7% (de 6,75%) e o PIB crescendo para 5,29%. O dólar foi para R$ 5,09 e o superávit previsto da balança comercial declinou para US$ 69,70 bilhões, de US$ 70 bilhões na semana passada. No mês de julho (até 25/07), o superávit estava em US$ 6,94 bilhões, acumulando no ano superávit de 43,67 bilhões.

A FGV divulgou que a confiança do consumidor subiu em julho 1,3 ponto, para 82,2 pontos. O noticiário dá conta que 20 entidades de classe pediram rejeição total do Projeto de Lei de mudanças no Imposto de Renda, apesar de o governo já ter alterado muita coisa. Com o Congresso em recesso e Bolsonaro silente, o dia na política foi tranquilo.

No mercado, dia de dólar em queda durante toda a sessão como previsto, para encerrar com baixa de 0,7% e cotado a R$ 5,17. No segmento Bovespa da B3, na sessão de 22/07, os investidores estrangeiros sacaram recursos no montante de R$ 82,3 milhões, deixando o saldo negativo de julho em R$ 5,03 bilhões, mas com o ano de 2021 positivo em R$ 42,97 bilhões.

No mercado acionário, dia de queda na Bolsa de Londres de 0,03%, Paris com +0,15% e Frankfurt com -0,32%. Madri e Milão com altas de 0,67% e 0,68%, respectivamente. Nos EUA, os mercados passaram boa parte do dia sem definir tendência, com o Dow Jones no encerramento mostrando +0,24% e Nasdaq com +0,03%. Na Bovespa, dia de alta de 0,76% e índice em 126.003 pontos, ajudada por Vale e siderúrgicas, além de Petrobras e bancos.

Na agenda de amanhã, teremos a confiança do setor de construção, o INCC de julho e a nota do setor externo de junho. Nos EUA, as encomendas de bens duráveis de junho, a confiança do consumidor do Conference Board de julho e o índice de atividade industrial de Richmond.

Boa noite!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais

Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado