Ontem foi dia de Bovespa e dólar descolarem negativamente dos principais mercados do mundo. No final, a Bovespa encerrou praticamente estável, com queda de 0,06% e índice em 102.117 pontos, mas durante a sessão voltou rapidamente ao patamar de 100 mil pontos. Dólar encerrando cotado a R$ 5,45, com alta de 0,66%, não sem o Bacen ter feito duas interferências com operações de swap cambial que montaram a US$ 1 bilhão.

No exterior, mercados repercutindo vacinas em desenvolvimento e já próxima de começarem a ser aplicadas, e a recuperação econômica, mesmo com contágio crescendo em países como Alemanha, França e Japão. Aqui, investidores preocupados com a debandada da equipe econômica, contas públicas complicadas e prazo da elevada dívida sendo encurtado.

Hoje mercados da Ásia encerraram o dia com viés positivo, seguindo NY ontem, Europa começando levemente negativa e já fora das mínimas e futuro do mercado americano na mesma direção de queda e tentando melhorar.

Aqui, seria importante não perder a faixa entre 100 mil pontos e 98 mil pontos, sob pena de termos reajustes mais fortes.

Hoje começamos com petróleo em queda leve depois de relatório pior da AIE-Agência Internacional de Energia sobre demanda em queda por petróleo em 2020 e 2021 e estoques da OCVDE em alta de 16,2 milhões de barris em junho. Na Alemanha, a inflação medida pelo CPI (consumidor) de julho anualizada foi, na verdade, deflação de 0,1%.

O presidente Trump é que começou com críticas contra Kamala Harris, vice de Biden nas próximas eleições e, também, aos democratas por não conseguirem fechar acordo com os republicanos. No mercado internacional, dia de petróleo WTI negociado em NY com leve queda de 0,02%, com barril cotado a US$ 42,66. O euro era transacionado em alta para US$ 1,185 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 0,67%. O ouro em queda e a prata em alta na Comex e commodities agrícolas com viés mais para positivo.

Aqui o presidente Bolsonaro tenta abrandar discurso dizendo respeitar o teto de gastos e responsabilidade fiscal e o governo quer acelerar os ajustes já em 2021. Mas os investidores seguem preocupados com a possibilidade de postura mais populista visando reeleição.

Na agenda do dia nenhum índice com grande capacidade de mexer com os mercados, mas durante a noite a China divulga aquela bateria de dados de conjuntura do mês de julho, afetando mercados na largada de sexta-feira.
Expectativa de Bovespa podendo seguir pressionada pelas tensões políticas, dólar mais fraco e juros longos ainda tensionados.

Bom dia e bons negócios!

 

Alvaro Bandeira

Economista-Chefe do banco digital modalmais