O dia foi mais comedido para os mercados de risco em todo o mundo. No exterior predomina a incerteza com relação ao covid-19 e suas novas cepas, com vacinação ainda lenta, mas com aparente declínio de contágio e hospitalização. Aqui, o desconforto com o quadro fiscal é grande, sobretudo diante da postura do Senado para seguir recursos para extensão do auxílio emergencial.

Nesse aspecto, citamos a postura lúcida do presidente do Bacen em exposição hoje, dizendo não haver mais espaço para estímulos sem contrapartida fiscal. Segundo ele, mais estímulos podem trazer efeitos contrários impactando a dívida pública. Falou da agenda de reformas dizendo que isso afetará o prêmio de risco. Disse que, na sua visão, o choque de inflação maior que o previsto é temporário.

No exterior, o presidente Biden discute hoje com líderes empresariais o pacote de estímulo fiscal e Schumer, líder Democrata, disse que pode incluir o salário mínimo de US$ 15 por hora trabalhada. Nos EUA, o indicador Jolts de vagas criadas subiu para 6,65 milhões em dezembro. O presidente do FED de Dallas, Kaplan, espera expansão do PIB americano em 2021 de 5% e não vê risco sistêmico nos mercados, apesar das especulações ocorridas.

Já o FMI entende que a Rússia mostra a melhor posição entre os emergentes para recuperação em 2021, mesmo considerando os problemas com o petróleo. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em NY mostrava alta de 0,38%, com o barril cotado a US$ 58,19. O euro era transacionado em alta para US$ 1,21 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,17%. O ouro em leve alta e a prata com queda nas negociações da Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago. O minério de ferro negociado na China em mais um dia de alta de 2,24%, com a tonelada em US$ 164,10.

No cenário doméstico, o desconforto com a possível ingerência sobre a administração da Petrobras no que tange à fixação de preços de derivados persistiu, mas largamente reforçada pelo quadro fiscal problemático, com a postura de senadores discutindo a ampliação da dívida ou a criação de imposto temporário para fazer face à extensão do auxílio emergencial. Ou seja, continuamos na mesma toada de não cortar gastos e onerar toda a sociedade. O oposto do que disse pela manhã, o presidente do Banco Central. Aliás, a votação da autonomia do Bacen está prevista para hoje ou amanhã e depois pode ir à sanção presidencial.

O IBGE anunciou que a inflação oficial de janeiro pelo IPCA desacelerou para 0,25%, no piso das previsões, vindo de 1,35% no mês anterior. Em 12 meses a inflação bateu em 4,56%. A taxa de difusão também caiu para 65,5%, vindo de 72,1%. Passagens aéreas tiveram contração de 19,93% e energia com -5,6%. A desaceleração de janeiro levou muitas instituições a projetarem a manutenção da taxa Selic na reunião de março do Copom, mas não altera muito a expectativa de inflação de 2021 perto de 4%. Mas de qualquer forma, foi a menor taxa de inflação desde agosto.

O IBGE também anunciou que a produção industrial de São Paulo encolheu em 2020 em 5,7% e que houve contração em 12 de 15 locais pesquisados. A Anbima divulgou que as empresas captaram R$ 5,8 bilhões com ofertas de ações em janeiro e empresas brasileiras captaram US$ 5,2 bilhões no exterior no mesmo período.

No mercado, dia de dólar abrindo em queda, depois subindo forte acima de R$ 5,43, quando então o Bacen interferiu com operação de swap e controlou um pouco. Encerrou em alta de 0,19% e cotado a R$ 5,383.

Na Bovespa, na sessão de 5/2, os investidores estrangeiros voltaram a alocar recursos no montante de R$ 872 milhões, deixando o saldo positivo de fevereiro em R$ 1,52 bilhão e o saldo de ingresso líquido do ano de 2021 em R$ 25,07 bilhões.

No mercado acionário, dia de alta de 0,12% para a Bolsa de Londres, Paris com +0,10% e Frankfurt com -0,34%. Madri e Milão com quedas de respectivamente 1,43% e 0,54%, mesmo com a possível constituição de gabinete por Mario Draghi para dirigir a Itália. No mercado americano, o Dow Jones com -0,03% e Nasdaq com +0,14%. Na Bovespa, dia de oscilações entre queda forte e leve alta, e fechando com queda de 0,19% e índice em 119.471 pontos.

Na agenda de amanhã teremos as vendas no varejo de dezembro que devem ter encolhido e o fluxo cambial da semana anterior. Durante a noite de hoje, a inflação na China em janeiro. Na Alemanha, e nos EUA, a inflação pelo CPI de janeiro (consumidor), e ainda nos EUA, os estoques de petróleo e derivados do Departamento de Energia, o resultado fiscal de janeiro e discurso do presidente do FED, Jerome Powell.

Boa noite.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais