O dia está começando meio sem tração nos principais mercados acionários do mundo, mais tentando manter o viés positivo dos últimos dias. Investidores aguardando início do simpósio de Jackson Hole e dos bancos centrais amanhã.

Ontem, tivemos dia de recuperação na Bovespa, dólar em queda e juros também, apagando um pouco as perdas recentes de sessões anteriores. A Bovespa encerrou com alta de 2,33% e índice em 120.210 pontos, dólar em queda de 2,23% e cotado a R$ 5,26 e juros longos voltando em alguns vencimentos para casa de um dígito. Um processo típico de ajuste técnico sem mudar muito tendência.

Hoje, os mercados da Ásia terminaram o dia novamente com viés mais para positivo, Europa operando mista neste início de manhã, querendo melhorar, e futuros do mercado americano marginalmente positivo. Aqui, temos que avançar para o patamar de 121.000/122.000 pontos do índice, para consolidar um pouco mais a recuperação, mas a situação segue tensa, notadamente do lado político e na expectativa de manifestações do 7 de setembro.

No exterior, como dito, investidores aguardam a abertura da reunião de Jackson Hole e discurso de Jerome Powell, presidente do FED, mas pode ser um anticlímax sem anúncio sobre a retirada de estímulos. A discussão maior agora parece estar na elevação do teto da dívida americana, e com o presidente Biden conversando com congressistas sobre o orçamento de US$ 3,5 trilhão e o pacote de infraestrutura. Aliás, segundo o noticiário, a Câmara americana avança nas discussões sobre orçamento, para depois determinar sobre a infraestrutura.

Biden também comunicou ao G-7 que o cronograma de saída do Afeganistão está mantido em 31/08. Na Alemanha, o índice IFO de sentimento das empresas encolheu para 99,4 pontos em agosto, vindo de 100,7 pontos, enquanto o de expectativas econômicas caiu para 97,5 pontos, de anterior em 101. O índice de condições atuais é que evoluiu para 101,4 pontos, de anterior em 100,4. O BCE (BC europeu) anunciou que deve revisar para melhor suas projeções de indicadores de conjuntura.

No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, tenta se manter novamente em alta revertendo tendência de queda da manhã e subindo 0,04% e cotado a US$ 67,57. O euro era transacionado em queda para US$ 1,175 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,30%. O ouro e a prata mostravam quedas na Comex e commodities agrícolas com viés de queda, depois das fortes altas de ontem.

Aqui, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, quer compromisso com reforma tributária verdadeira, que simplifique a ajuste a carga tributária. Já Arthur Lira, da Câmara, diz buscar alternativas para os precatórios sem ferir o teto de gastos. O Governo estuda revisar subsídios e abrir brecha para o programa Auxílio Brasil.

O ministro Paulo Guedes diz que topa reforma tributária ampla, se tiver o apoio dos municípios. Campos Neto, do Bacen, disse preocupado com a trajetória da dívida pública, mas depois minimizou isso. A Fipe anunciou o IPC da terceira quadrissemana de agosto em alta de 1,40%, após anterior em +1,35%. A difusão também ampliou para 74,73%. Já a FGV divulgou a confiança do consumidor de agosto em queda de 0,4 ponto, para 81,8 pontos.

A agenda do dia está cheia de eventos com capacidade de mexer com os mercados domésticos. Teremos a nota do setor externo, a de mercado aberto, o relatório da dívida pública e a arrecadação, tudo referente ao mês de julho. Nos EUA, sairá as encomendas de bens duráveis de julho, os estoques de petróleo e derivados da semana anterior e discursos de dirigentes do FED.

Expectativa para o dia de Bovespa podendo tentar nova alta, dólar ainda forte no exterior e juros mais calmos.

Bom dia e bons negócios!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais