Mercados de risco no mundo até que não tiveram um bom dia. Bolsas da Ásia encerraram a madrugada com comportamento misto, mercado da Europa com quedas e mercado americano novamente com comportamento misto nos três principais indicadores. Em compensação, dessa feita, a Bovespa registrou melhor desempenho, apesar do câmbio permanecer estressado.

Motivo da melhora na Bovespa (e do câmbio na parte da manhã) ficou por conta dos relatos de Bolsonaro e de Paulo Guedes, com um dizendo confiar no outro e Bolsonaro declarando que entraram juntos no governo e sairão juntos. Palavra de político.

Mas é certo que os investidores se animaram e a Bovespa retornou ao patamar de 102 mil pontos (na máxima atingiu 102.247 pontos). Em dia de agenda pouco expressiva e day after do vencimento de opções, até podemos considerar bem positivo.

No cenário externo, investidores acreditando em novas flexibilizações na China e demanda crescente por commodities metálicas e petróleo. O governo chinês pediu que as autoridades locais concentrem recursos dirigidos para pequenas empresas e aprovaram onze novos projetos de investimentos em ativos fixos urbanos. No Chile, o PIB do segundo trimestre anualizado encolheu 14,1%.

Nos EUA, o secretário do Tesouro, Mnuchin, disse que os dados de conjuntura estão melhorando, mas estímulos ainda se fazem necessários. Porém, republicanos e democratas seguem distantes de um acordo sobre nova rodada na área fiscal. Trump chegou a falar que em seu segundo mandato, pretende reduzir impostos sobre ganho de capital. Mas isso também não está muito fácil. Já o presidente regional do FED de Boston, Rosengren, disse que a política pode ser ainda usada para apoiar a economia.

Hoje começa a convenção dos democratas e, seguramente, vamos ter muitos ruídos e denúncias daqui até 3/11, quando ocorrem as eleições. Joe Biden segue na frente nas pesquisas e com apoio de quatro governadores republicanos.

Na Alemanha, foi descartado o relaxamento das regras sanitárias pelo avanço da covid-19. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em NY mostrava leve queda de 0,28%, com o barril cotado a US$ 42,77. O euro era transacionado em alta para US$ 1,193 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 0,66%. O ouro e a prata com altas na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto. Na China, dia de forte alta do minério de ferro de 5,44%, com a tonelada em US$ 128,57.

Aqui, tivemos a segunda prévia do IGP-M de agosto com alta para 2,34%, vindo de +2,02%. Já o monitor do PIB produzido pela FGV mostra contração no segundo trimestre de 8,7%. O IBRE fez cálculos para a alíquota de CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e chegou à conclusão que a taxa neutra seria de 10,1% e não a que vem sendo divulgada pelo governo de 12%.

O governo acena com a possibilidade de redução unilateral de tarifas externas, se a reforma tributária for aprovada. Mas especialistas em contas públicas indicam que, com a queda de veto sobre BPC (Benefício Continuado), o programa Renda Brasil e desoneração da folha; o teto de gastos estoure já em 2021. Já a PEC do Pacto Federativo deve ser alterada para abrigar o projeto Renda Brasil. No mercado local, o dólar teve um dia agitado para encerrar com queda de 0,55% e cotado a R$ 5,467. Na Bovespa, na sessão de 14/8, os investidores estrangeiros colocaram quase R$ 101 milhões, deixando o saldo positivo de agosto em R$ 1,79 bilhão, mas com o ano de 2020 com saídas líquidas de R$ 83,12 bilhões.

No mercado acionário, dia de queda da Bolsa de Londres de 0,83%, Paris com -0,68% e Frankfurt com -0,30%. Madri e Milão com quedas de respectivamente 0,66% e 0,52%. No mercado americano, dia de Dow Jones com -0,24% e Nasdaq com +0,73% (Nasdaq e S&P cravaram recordes). Na Bovespa, dia de alta de 2,48% e índice fechando em 102.065 pontos.

Na agenda de amanhã teremos o fluxo cambial da semana anterior pelo Bacen, na zona do euro a inflação pelo CPI (consumidor) de julho e, nos EUA, os estoques de petróleo, derivados e o dado mais importante, a ata da última reunião do FOMC do FED.

Boa noite.

 

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais