Mercados acionários em alta em praticamente em todo o mundo. Possibilidade de acordo entre o Reino Unido e União Europeia, vacinas aparentemente eficazes contra a mutação do vírus, pacote americano que pode ser ampliado e indicadores favoráveis divulgados, deram um tom otimista aos mercados. Aqui, refletimos isso com alguns dados positivos e outros nem tanto.

Seguindo orientação da União Europeia, a França concordou em abrir sua fronteira para caminhões do Reino Unido, ao mesmo tempo, o noticiário dava conta que algum acordo pós-Brexit estaria sendo redigido. Porém, fazendo o contraponto, a covid-19 bateu recorde de óbitos na Alemanha e no EUA, enquanto no Reino Unido foi descoberta outra mutação do vírus.

Nos EUA, dia de muitos indicadores sendo anunciados e com capacidade de influir no comportamento dos mercados. As encomendas de bens duráveis expandiram em novembro 0,9%, quando a previsão era de +0,5%, mas foi a sétima expansão seguida. Os pedidos de auxílio-desemprego da semana anterior declinaram 89 mil posições, para 803 mil, de previsão bem maior de 888 mil. Gastos com consumo caíram em novembro 0,4% e a renda pessoal em queda de 1,1%.

A inflação medida pelo PCE (Deflator de Preços do Consumo), medida que o FED olha muito, ficou estável em novembro, assim como o núcleo. Já as vendas de imóveis novos observaram queda de 11%, de previsão de -2,2%. Melhor mesmo foi a confiança do consumidor de Michigan, com alta em dezembro para 80,7 pontos, vindo de 76,9 pontos, mas com previsão melhor de 81 pontos. Os estoques de petróleo na semana anterior pelo DOE (Departamento de Energia) encolheram 562 mil barris e ajudaram na alta do óleo no mercado internacional.

Nancy Pelosi, presidente da Câmara americana, disse que vão votar ainda hoje ajuda aos americanos de US$ 2 mil, como declarou o presidente Trump, ao invés dos US$ 600 recomendados. Os EUA estão fechando acordo com a farmacêutica Pfizer para comprar 100 milhões de doses de vacinas, com valor estimado em US$ 1,95 bilhão.

No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em NY mostrava alta de 2,32%, com o barril cotado em US$ 48,11. O euro era transacionado em leve alta a US$ 1,22 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 0,96%. O ouro e a prata com altas na Comex e commodities agrícolas majoritariamente em altas na Bolsa de Chicago. O minério de ferro negociado na China encerrou com queda de 1,52%, com a tonelada em US$ 162,03.

No cenário local, o IBGE divulgou que em novembro o Brasil tinha 84,7 milhões de pessoas ocupadas, sendo que 29,2 milhões (34,5%) em trabalho informal, com qualidade inferior. Os desocupados eram 14,2 milhões e os inativos caiu para 72 milhões. Já os dados do Caged sobre emprego e desemprego mostrou a criação recorde de 414,5 mil empregos formais em novembro e, no ano, acumula saldo positivo de 227 mil empregos. Porém, o próximo mês deve mostrar resultados piores com os temporários, e também começa a declinar o efeito do auxílio emergencial. O ministro Paulo Guedes mostrou seu lado ufanista ao dizer que o Brasil estava surpreendendo o mundo com emprego.

O Bacen divulgou que o estoque de crédito atingiu em novembro R$ 3,95 trilhões representando 53,1% do PIB (alta), com a inadimplência média do crédito livre caindo para 3%. O endividamento das famílias em setembro estava em 48,9% (com imobiliário e o comprometimento da renda em 21,3%). Os juros do rotativo no cartão subiram para 319,8% ao ano. O Bacen também anunciou o fluxo cambial até 18/12 negativo em US$ 4,1 bilhões, com o fluxo financeiro também negativo de US$ 766 milhões (só que na semana entre 14 e 18/12 a saída pelo canal foi de US$ 3,4 bilhões).

Já o Tesouro anunciou que a dívida pública federal (DPF) de novembro estava em 4,79 trilhões, com a participação de estrangeiros declinando para 9,47% (anterior em 9,79%), e com vencimento em 12 meses de 28,11% do total. O prazo médio também caiu para 3,66 anos.

No mercado, a questão fiscal pesou no câmbio e o dólar chegou a vazar a cotação de R$ 5,22, para fechar o dia com alta de 0,73% e cotado a R$ 5,20. No mercado acionário, a Bolsa de Londres encerrou com alta de 0,66%, Paris com +1,11% e Frankfurt com +1,26%. Madri e Milão com altas de respectivamente 1,80% e 1,37%. No mercado americano, o Dow Jones com +0,38% e Nasdaq com -0,29%. Na Bovespa, dia de alta de 1% e índice em 117.806 pontos. Na máxima do dia o índice bateu 118.311 pontos.

Lembrem-se de que o mercado americano funciona amanhã até às 13 horas.

Desejo a todos os leitores um Feliz Natal e estaremos de volta na próxima segunda-feira. Se cuidem!

Boa noite.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais