O dia pode ser novamente positivo para os mercados domésticos, mas os ruídos na área política e divulgação de dados podem atrapalhar um pouco. Porém, a safra de resultados do segundo trimestre pode ajudar na melhor precificação dos ativos.

Ontem, os mercados firmaram tendência de alta mais para o final da tarde, o que ajudou a Bovespa a terminar com valorização de 0,87%, aos 123.576 pontos do Ibovespa (na máxima) e dólar praticamente estável em R$ 5,20. Também tivemos o S&P americano batendo novo recorde de pontuação.

Aqui, o presidente da Câmara, Arthur Lira, descartou a possibilidade de calote nos precatórios, depois de Paulo Guedes ter dito que “pago quando puder”. Governadores e prefeitos se movimentarem para barrar o parcelamento. No exterior, um pouco de tensão com o pacote de infraestrutura e defesa de Janet Yellen (secretária do Tesouro) como sendo crucial para o país crescer, desenvolver e competir. Mas persiste a dificuldade em aprovar teto mais alto para a dívida que trava órgãos do governo e emissões de títulos.

Já o aumento da contaminação pelo covid-19 e variante delta está sendo amortecido pela boa safra de resultados do segundo trimestre. Ontem o Bradesco divulgou lucro no segundo trimestre de R$ 6,3 bilhões, que somados ao do Itaú (R$ 6,5 bilhões e Santander chegam a R$ 17 bilhões. Durante a madrugada os mercados da Ásia terminaram o dia majoritariamente em alta (Tóquio com -0,21%), Europa começando o dia com desempenho positivo e mercados futuros dos EUA ainda indefinidos e próximos da estabilidade. Aqui, melhor definição da recuperação somente quando conseguimos aproximar de 126.500 pontos do Ibovespa.

O dia está sendo de divulgação de indicadores PMI da atividade de serviços e composto. Começando pelo Japão, o índice composto caiu para 48,8 pontos em julho, quase idêntico ao mês anterior, e na China o Caixin subiu para 53,1 pontos. Na Alemanha, o índice de serviços evoluiu para 61,8 pontos (previsão de 62,2 pontos), na zona do euro, em alta para 59,8 e no Reino Unido, em queda para 59,6 pontos, de expectativa de maior queda.

Ainda na zona do euro, tivemos as vendas no varejo de junho crescendo 1,5%, como previsto e a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) registrou que a inflação medida pelo CPI dos países membros em junho subiu para 4,1% na comparação anual.

No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava queda de 0,44%, com o barril cotado a US$ 70,25. O euro era transacionado em queda para US$ 1,186 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,166%. O ouro e a prata com altas na Comex e commodities agrícolas com desempenho de alta na Bolsa de Chicago.

Aqui, Ciro Nogueira, novo titular da Casa Civil, vai pregar em sua posse de hoje a serenidade, equilíbrio e ponderação. Retratando a posição do centrão já pedida no último final de semana. Mas será que Bolsonaro consegue isso? Já a comissão da Câmara aprovou a convocação do ministro da Justiça, Braga Netto, para arguição sobre eleições e urna eletrônica.

Na agenda de hoje dados que podem mudar o comportamento dos mercados, mirando na decisão do Copom após pregão encerrado e no payroll americano na sexta-feira, da maior importância. Expectativa para o dia de Bovespa no terceiro pregão de alta, dólar um pouco mais forte e juros dependendo das expectativas com Copom.

Bom dia e bons negócios!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais
Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado