Dia ruim para os mercados de risco no mundo e principalmente aqui. Dados de conjuntura divulgados na Europa e nos EUA vieram fracos e mudaram os mercados. Aqui, ainda seguimos com tensões no ambiente político e investidores buscando proteção no curto prazo.

No exterior, o impasse na reunião da OPEP+ sobre metas de produção de petróleo puxou os preços do óleo no mercado internacional, mas depois também provocou queda acentuada, indicando que a solução pode estar distante. O próprio presidente Biden disse que está monitorando a situação e o possível impacto na recuperação econômica, e afirmou que manteve contato com sauditas e com o Emirado Árabe. Nesse ano a produção americana não crescerá muito.

Como relatamos em nosso comentário de abertura, as encomendas à indústria na Alemanha e o indicador Zew de expectativas econômicas vieram em queda, e foi se somar com o PMI de serviços dos EUA em queda para 64,6 pontos em junho e o composto (inclui indústria) com queda para 63,7 pontos. O ISM de serviços de Chicago também com queda para 60,1 pontos, de previsão de 63,3 pontos. Indicadores acima de 50 pontos mostram ampliação da atividade, mas desacelerou em reação ao mês anterior.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) disse ser preciso investir e expandir a produção de vacinas local e defende o compartilhamento de know-how. Já a OMC (Organização Mundial do Comércio), está confiante de será possível encontrar solução pragmática para a patente de vacinas. Ambas, junto com o FMI, irão à ONU em defesa do acesso universal às vacinas. Sobre isso, os EUA estimam que vão ter vacinado até o final de semana 160 milhões de pessoas. O FMI disse que países, com vacinação lenta e pouco espaço fiscal, estão ficando para trás e a pobreza global voltou a avançar.

Já o IIF (Institute of International Finance) declarou que as contas correntes de países emergentes têm vulnerabilidade a alta de juros dos treasuries americanos longos, mas também indica a posição mais favorável de retomada das exportações e preços das commodities.

Falando de commodities, o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava queda de 2,53%, com o barril cotado a US$ 73,26, depois de ter atingido a maior cotação desde 2014, trincando US$ 77,00 por barril. O euro era transacionado em queda para US$ 1,182 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros chegando a 1,396%. O ouro em alta e a prata em queda nas negociações da Comex e commodities agrícolas com fortes quedas na Bolsa de Chicago. O minério de ferro negociado em Qingdao, na China, registrou mais um dia de alta de 0,24%, com a tonelada em US$ 222,36.

Aqui, no âmbito político o presidente do Senado convocou a instalação da CMO (Comissão Mista do Orçamento) para amanhã, mas parece que pode ainda não ocorrer. Já o presidente da Câmara, Arthur Lira, declarou que não há fato novo para justificar a abertura de impeachment de Bolsonaro. O presidente é que confirmou a indicação de André Mendonça para a vaga no STF, no lugar de Marco Aurélio. Deputados pedem que a PGR denuncie Paulo Guedes por crime de responsabilidade por faltar à convocação para explicar distorções bilionárias na previdência dos militares.

Na área econômica, o receio de todos é que a crise política possa enfraquecer reformas essenciais e retardar a agenda. O governo tem insistido em privatizações, como a dos Correios, mas é preciso perseguir reformas estruturantes, não esquecendo da elevada relação dívida/PIB.

A Anbima relatou que os fundos captaram em junho liquidamente R$ 12,8 bilhões, mas com queda em relação ao mês anterior de 69,5%. O patrimônio líquido dos fundos estava em R$ 6,57 trilhões. Os fundos de ações captaram R$ 2,9 bilhões.

No mercado, dia de dólar em forte alta, quase retornando ao patamar de R$ 5,22, para encerrar o dia com alta de 2,39% e cotado a R$ 5,21. No segmento Bovespa, da B3, na sessão de 02/07, os investidores estrangeiros voltaram a alocar recursos no montante de R$ 294,3 milhões, mas com o saldo de julho negativo em R$ 453,9 milhões. No ano, o ingresso líquido é bastante positivo em R$ 47,55 bilhões.

No mercado acionário, dia de queda da Bolsa de Londres de 0,89%, Paris com -0,91% e Frankfurt com -0,96%. Madri e Milão com perdas de respectivamente 0,96% e 0,84%. No mercado americano, dia de queda do Dow Jones de 0,59% e Nasdaq com +0,17% (recorde de pontos). Na Bovespa, queda de 1,43% e índice em 125.111 pontos. Na mínima, chegamos a 124.866 pontos e praticamente só escaparam as ações da Vale, com +0,53%, função de minério em mais um dia em alta.

Na agenda de amanhã teremos as vendas no varejo de maio, o índice das commodities IC-Br de junho, a produção de veículos de junho e o fluxo cambial da semana anterior. Nos EUA, os pedidos de hipotecas MBA e o dado esperado do dia, a ata do FOMC do FED da última reunião.

Boa Noite!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais

Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado