Mais uma vez, a Bovespa destoou do mercado internacional em dia de alta quase plena. O dólar também trilhou volatilidade e viés de alta, apesar da fraqueza externa. Nem mesmo a forte alta do petróleo no mercado internacional fez as ações da Petrobras acompanharem com intensidade parecida. O motivo disso é recorrente e esbarra no risco institucional. Hoje, Bolsonaro voltou a dar declarações polêmicas, com o objetivo de manter apoiadores unidos e levar adiante manifestações até o 7 de Setembro.

No exterior, os mercados reverberaram indicadores PMI da atividade composta (indústria e serviços) para diferentes países em agosto. Com exceção do Japão, que ficou abaixo dos 50 pontos, todos mostraram expansão da atividade, apesar da desaceleração. Nos EUA, tivemos o mesmo efeito. Desaceleração do índice composto para 55,4 pontos, vindo de 59,9 pontos, chegando ao menor nível em oito meses. Lembrando que valores acima de 50 pontos mostram expansão da atividade.

Ainda nos EUA, as vendas de imóveis usados cresceram 2,8% em julho, quando o esperado era queda de 0,5%. O índice de atividade nacional de Chicago subiu para 0,53 ponto em julho, vindo de -0,01 ponto. O FMI anunciou a alocação de US$ 650 bilhões em Direitos Especiais de Saque (SDR), o que é uma oportunidade única para países combaterem a pandemia.

Na zona do euro, a confiança do consumidor de agosto caiu para -5,3 pontos, vindo de -4,4 pontos. Já Israel divulgou que a terceira dose da vacina da Pfizer aumenta a proteção contra a covid-19 em seis vezes. Na China, o PBOC (BC chinês) se comprometeu com crescimento estável do crédito em meio à desigualdade na recuperação.

No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava alta de 5,92%, com o barril cotado a US$ 65,82. O euro era transacionado em alta para US$ 1,174, e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,25%. O ouro e a prata também com fortes altas na Comex, e commodities agrícolas majoritariamente com altas na Bolsa de Chicago. O minério de ferro teve nova madrugada de queda em Qingdao, na China, com -2,66% e a tonelada cotada em US$ 136,71.

No segmento doméstico, a nova pesquisa semanal Focus, do Bacen, trouxe a inflação oficial novamente em alta para o fim de 2021 (20ª seguida) em 7,11%, de anterior em 7,05%, acima do teto da meta, e com 2022 também em alta para 3,93%. A Selic ficou estável em 2021 e 2022 no patamar de 7,50%, e o PIB encolhendo na margem para 5,27% em 2021. A produção industrial também caiu para 6,40% (anterior em 6,43%) e dólar estável em R$ 5,10 para o fim deste ano. Em compensação, o saldo da balança comercial evoluiu para US$ 70 bilhões em 2021 e, em 2022, também em alta para US$ 63,5 bilhões. A CNC (Confederação Nacional do Comércio) mostrou que a intenção de consumo das famílias cresceu 2,1% em agosto, mas ainda está 0,4% aquém do período pré-pandemia.

No ambiente político, a situação continuou tensa e mexeu novamente com os mercados, depois de um fim de semana também estressante. Bolsonaro recuou do veto e resolveu sancionar pagamentos de emendas do relator geral na LDO de 2022, e parlamentares poderão indicar gastos no orçamento, posição diferente da última sexta-feira. Bolsonaro também voltou a desafiar governadores para zerarem ICMS do botijão de gás e ainda não descartou o Vale Gás. Voltou a dizer que vacinas são experimentais e quer o fim da obrigatoriedade de máscaras. Também reiterou suspeitas sobre as urnas eletrônicas, ainda que não tenha provas. Com isso, o risco institucional ficou alto e os mercados sentiram os impactos.

Tanto isso é verdade que a Bovespa segue negativa no ano em pouco mais de 1%, enquanto mercados mais maduros, como o americano, mostram valorizações de dois dígitos. No mercado local, dia de dólar encerrando praticamente estável e cotado a R$ 5,38. No segmento Bovespa da B3, na sessão de 19/08, os investidores estrangeiros voltaram a alocar recursos no montante de R$ 1,82 bilhão, deixando o saldo de agosto positivo em R$ 6,65 bilhões e o ano com ingressos líquidos de R$ 46,4 bilhões.

No mercado acionário, dia de alta de 0,30% na Bolsa de Londres, Paris com +0,86% e Frankfurt com +0,28%. Madri e Milão com valorizações de 0,59% e 0,49%, respectivamente. No mercado americano, dia de novos recordes de pontuação nos principais índices do mercado, com o Dow Jones encerrando com +0,61% e Nasdaq com 1,55%. Na Bovespa, dia de queda de 0,49% e índice em 117.471 pontos, fazendo mínima em 117.062 pontos.

Na agenda de amanhã, nenhum indicador de maior destaque por aqui. Na Alemanha, o PIB do segundo trimestre e, nos EUA, o índice de atividade industrial de Richmond de agosto, vendas de casas novas de julho e leilão de títulos de dois anos.

Boa noite!

Alvaro Bandeira
Economista-chefe do banco digital modalmais