Ontem os mercados de risco no mundo tiveram um dia péssimo e, no final da tarde, ainda conseguiram piorar mais, a partir da notícia de que a França, a exemplo da Alemanha, também estabeleceu lockdown parcial para tentar domar a expansão do covid-19. Resultado: a Bovespa terminou o dia em queda de 4,25% e índice em 95368 pontos, enquanto o dólar mostrava valorização de 1,39%, cotado a R$ 5,76. Detalhe que o Bacen foi obrigado a intervir com venda de moeda à vista no montante de US$ 1,04 bilhão. Nessa pandemia o Bacen já vendeu US$ 23,4 bilhões. O Dow Jones encerrou com queda de 3,43% e o Nasdaq com -3,73%.

O aumento do contágio pelo covid-19 e medidas restritivas de contato social adotadas por países deram o tom negativo do dia. Aqui, adicionalmente, a questão fiscal em deterioração e nenhuma ação mais contundente por parte do governo e/ou do Congresso, estressam os investidores.

O novo dia está começando com alguma recuperação, mas com os mercados já afastados das máximas conquistadas. As bolsas da Ásia terminaram o dia com quedas, incorporando as perdas americanas de ontem, mas os mercados da Europa recuperam parcialmente as quedas recentes, enquanto os futuros do mercado americano seguem na mesma toada. Aqui, há espaço também para recuperação, mas vamos ter que recomeçar nova caminhada rumo aos 100000 pontos do Ibovespa. Certamente não está fácil nos dias que correm.

Ontem, depois de pregão encerrado, tivemos uma enxurrada de resultados do terceiro trimestre para empresas de ponta. Os resultados de Bradesco, Vale e Petrobras vieram positivos, mostraram resiliência na crise e podem ajudar um pouco na recuperação pontual desses ativos na Bovespa. Porém, o dia segue com a divulgação de resultados e ainda teremos as empresas de tecnologia dos EUA anunciando, como Apple, Facebook, Alphabet e Amazon.

O dia promete e os investidores ainda vão ter que ajustar expectativas para a decisão do Copom de manter a Selic, mas fundamentalmente de ter feito um comunicado mais suave que o previsto, não mostrando grande preocupação com a inflação presente. Mas terá que ser mais duro, caso as reformas demorem a sair.

No Japão, o BOJ (BC japonês) também manteve a política monetária estabilizada, com juros de depósítos negativos em 0,10%, e taxa de juros dos JGBs próxima de zero. Contudo, também piorou a expectativa de contração do PIB para -5,5% (anterior em -4,7%) e deflação em 2020. No mercado internacional, o petróleo tem outro dia terrível de queda, com o WTI negociado em NY em queda de 3,74%, e barril cotado a US$ 35,99, na pior cotação dos últimos quatro meses. O euro era transacionado em queda para US$ 1,172 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros em 0,78%. O ouro, próximo da estabilidade e a prata em queda na Comex. As commodities agrícolas com comportamento de queda na bolsa de Chicago.

Aqui, o TCU advertiu que orçamento flexível descumpre as determinações da LRF (lei de responsabilidade fiscal). Já o ministro Ricardo Salles, envolvido em nova confusão, disse que sua conta no Twitter foi usada por terceiros para atacar o presidente da Câmara Rodrigo Maia, a quem teria chamado pelo apelido de “nhonho”. Já a FGV anunciou que o IGP-M de outubro desacelerou para alta de 3,2% (anterior em +4,64%), deixando a inflação de 2020 em 18,10%, e em 12 meses de 20,93%.

Na agenda do dia, prossegue a safra de balanços de empresas aqui e no exterior, mexendo pontualmente com a precificação dos ativos. Teremos ainda o resultado primário do governo central em setembro, além de novo teste no leilão de títulos pelo Tesouro. O BCE (BC europeu) também divulga sua decisão de política monetária, enquanto os EUA anunciam o PIB do terceiro trimestre e indicadores correlacionados.

Bom dia e bons negócios!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais