O dia começa mostrando que pode ser de recuperação no mundo. Esperamos que possa chegar até aqui, mesmo com muitos ruídos e expectativas, com a crise institucional e hídrica.

Ontem foi mais um daqueles dias complicados no cenário local, com indicadores importantes sendo anunciados, virada de mês que agrega sempre volatilidade, rebalanceamento da carteira do Ibovespa, declarações intempestivas de Bolsonaro afetando Petrobras e dados do orçamento de 2022. Resultado, Bovespa encerrando com queda de 0,80% (melhorou no finalzinho), dólar fechando em queda de 0,38% e cotado a R$ 5,17, após ter batido em R$ 5,11 ao longo do dia. Agosto mostrou queda de 2,48% e em dois meses perdemos 6,32%.

Hoje, mercados começando melhor com as Bolsas da Ásia encerrando majoritariamente em alta, Europa e futuros americanos também em início de dia positivo. Aqui, enquanto não perdermos faixa pouco abaixo de 117.000 pontos do Ibovespa ou ganharmos o patamar de 121.000/122.000, vamos ficar sem definição de tendência. Os ruídos têm impedido postura mais clara dos investidores.

Investidores hoje vão ficar de olho em dados dos EUA, decisão da OPEP+ sobre produção de óleo, que deve ser mantida em pequena expansão mensal, e aqui com os ruídos do orçamento, bandeira vermelha 2 com R$ 14,20 para cada 100 kwh consumido (estava em R$ 9,49), afetando a inflação e audiência pública no Congresso, de Campos Neto.

O dia também está sendo de divulgação de indicadores PMI da atividade industrial em agosto para diferentes países, todos mostrando desaceleração, mas só a China com leve contração da atividade e governo chinês já está adotando providencias. No Japão, o indicador caiu para 52,7 pontos (anterior em 53,0), na China, queda para 49,2 pontos (abaixo de 50 mostra contração). Na Alemanha, em queda para 62,6, na zona do euro contração para 61,4 pontos e no Reino Unido, com queda para 60,3, e melhor que o previsto.

Na Alemanha, as vendas no varejo de julho decepcionaram com queda de 5,1%, de previsão de -0,9%, e na comparação anual caindo 0,3%. Na zona do euro a taxa de desemprego de julho encolheu para 7,6%. Já no Chile, o banco central dobrou a taxa de juros básica de 0,75% para 1,50%. Na Austrália, o PIB do segundo trimestre cresceu 0,7% e contra igual período do ano anterior com +9,6%. A Turquia mostrou PIB anual de 21,7% e a lira turca tem alta no mercado internacional.

No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava alta de 0,22%, com o barril cotado a US$ 68,65 e aguardando decisão da OPEP+. O euro era transacionado em alta para US$ 1,182 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,31%. O ouro e a prata tinham quedas na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago.

Aqui, muitos ruídos e preocupações com as manifestações programadas para o 7 de setembro, com Bolsonaro conclamando apoiadores para indicar que quem manda no país é o povo. Ruídos também sobre o orçamento, que colocou os precatórios e não mexeu no Bolsa Família, e fundo eleitoral que trará mudanças na tramitação. Arthur Lira, da Câmara, dizendo que não há hipótese de rompimento do teto de gasto estabelecido em R$ 1,61 trilhão na PLOA, e o Congresso querendo socorrer as famílias.

Na agenda do dia teremos o PIB do segundo trimestre, pelo IBGE, o fluxo cambial e o saldo da balança comercial de agosto. Nos EUA, a nova pesquisa ADP sobre criação de vagas, que antecede o payroll na sexta-feira. Além dos investimentos em construção (importante), estoque de petróleo e derivados da semana anterior e discurso de Bostic, do FED de Atlanta.

Expectativa para o início do dia de Bovespa podendo recuperar se noticiário for mais amistoso, dólar mais fraco e juros também.

Bom dia e bons negócios!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais