O dia foi de mercados operando meio travados, aguardando a divulgação do comunicado do FED sobre decisões de política monetária. Porém, tivemos alguma movimentação positiva no segmento acionário decorrente da divulgação de resultados do segundo trimestre de empresas, tanto no exterior como aqui.

Aqui, os resultados anunciados do segundo trimestre trouxeram boas sinalizações para o setor bancário, mineração e siderurgia; mas a safra deve ser boa no geral. Nos EUA, também tivemos bons resultados para o segmento de tecnologia, mas a expectativa é desacelerar um pouco o faturamento, o que inibiu uma melhor performance.

No exterior, o FMI voltou a chamar a atenção sobre as disparidades na retomada das economias, o que pressupõe necessidade de ajuda. Já nos EUA, um impasse no pacote de infraestrutura proposto por Biden pode ameaçar a agenda econômica mais ampla do governo, e surgiram notícias de que o governo será pressionado até o fim do prazo (como feito em governos anteriores) para elevação do teto da dívida.

Com relação à decisão de política monetária pelo FOMC, do FED, o comunicado veio dentro do esperado e os investidores passaram a aguardar a coletiva de imprensa do presidente Jerome Powell. O FED manteve juros no intervalo entre 0 e 0,25%, com taxa de desconto em 0,25%. O FED volta a falar que a inflação em alta é transitória e anunciou dois programas de recompra de ativos. As taxas dos treasuries americanos quase não reagiram ao comunicado, e o mercado acionário também.

Na coletiva suave de Powell, foi declarado que vão cumprir as metas de inflação e emprego, e que a política acomodatícia vai permanecer até que as metas sejam atingidas. Falou do maior crescimento do PIB em décadas, que os setores mais atingidos estão melhorando e os gastos dos consumidores avançam, mas há dificuldade na produção, com falta e descompasso nos insumos. Powell confirmou que estará na reunião em Jackson Hole, mas não deixou claro se anunciará a retirada de estímulos lá (tapering). Os mercados melhoraram após sua fala.

A China disse estar preparando lei para combater sanções estrangeiras em Hong Kong e Macau, e investidores temem maior interferência do governo no setor privado, como feito nas empresas de tecnologia e educação. A OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou que, sem a transferência de tecnologia, o acesso à vacinação não melhorará. Já a OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde) disse que a pandemia continua a ter papel devastador sobre as Américas.

No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava alta de 1%, com o barril cotado em US$ 72,37, melhorando com a divulgação de estoques em queda na semana de 4,09 milhões de barris. O euro era transacionado em leve queda para US$ 1,185, e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,23%. O ouro com leve queda e a prata recuperando na Comex, e commodities agrícolas com desempenho misto na Bolsa de Chicago. O minério de ferro, negociado em Qingdao, na China, ficou praticamente estável (+0,05%), com a tonelada em US$ 202,68.

Aqui, no ambiente político, Bolsonaro voltou a repetir que o povo vai reagir em 2022 se não houver eleições democráticas e se defendeu sobre o fundão de R$ 4 bilhões, dizendo que não vai provocar o Legislativo e o Judiciário. Já o relator da reforma do Imposto de Renda voltou a estar com Paulo Guedes e trouxe a promessa de isenção de tributação de dividendos para as empresas do Simples, além de micro e pequenas empresas. Manteve o fim da dedutibilidade de JCP e deve retirar qualquer menção ao Programa de Alimentação do Trabalhador. Arthur Lira confirmou isso.

O Bacen anunciou que a concessão de crédito livre cresceu 5% em junho, e a inadimplência caiu para 2,9%. O estoque total de crédito está em R$ 4,21 trilhões, e o endividamento das famílias aumentou para 58,5%. O Tesouro anunciou que a dívida pública federal atingiu R$ 5,33 trilhões em junho (+3,07%), com emissão líquida de R$ 138,1 bilhões.

O fluxo cambial de julho até 23/07 estava negativo em US$ 785 milhões, mas no ano ainda positivo em US$ 14,55 bilhões. A posição cambial líquida estava em US$ 274 ,6 bilhões. No mercado local, o dólar operou em queda de 1,16%, cotado a R$ 5,11. Na B3, na sessão de 26/07, os investidores estrangeiros alocaram recursos de R$ 389,5 milhões, deixando o saldo negativo de julho em R$ 5,26 bilhões, mas com o ano mostrando ingresso líquido de R$ 42q,7 bilhões.

No mercado acionário, dia de alta de 0,29% na Bolsa de Londres, Paris com +1,18% e Frankfurt com +0,33%. Madri e Milão com altas de 0,40% e 0,70%, respectivamente. No mercado americano, o Dow Jones com -0,36% e Nasdaq com +0,70%. Na Bovespa, dia de alta de 1,35%, com o índice em 126.291 pontos, melhorando bem após comunicado e coletiva de Jerome Powell.

Na agenda de amanhã, teremos o IGP-M fechado de julho e o resultado primário do governo central de junho. Nos EUA, os pedidos de auxílio desemprego da semana anterior, o PIB do segundo trimestre e as vendas pendentes de imóveis de junho.

Boa noite!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais

Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado