Os investidores aguardam ansiosos o resultado da eleição de hoje nos EUA para saber quem será o ganhador, se Biden, em dianteira nas pesquisas, ou se Trump, com virada na reta final. Até aqui, são poucos os que acreditam na reeleição de Trump, mas contra Hillary Clinton também era o mesmo cenário, só que com diferença menor. De qualquer forma, desde ontem os investidores assumiram maior proporção de risco em suas aplicações.

Porém, o resultado pode demorar a sair, se nos basearmos nas declarações dos dois candidatos, mas ainda assim, existe uma outra dúvida: se o vencedor conseguirá também o controle de seu partido nas duas casas do Congresso americano. Hoje foi mais um dia dos investidores reduzirem a aversão ao risco, esquecendo também o cenário base do aumento da contaminação pela covid-19 em diferentes países e novos processos de lockdown impostos, o que certamente reduziria o ímpeto da recuperação das economias. Esqueceram também o outro vetor importante do pacote de estímulo fiscal americano que virou uma novela.

Mas ontem tivemos indicadores PMI da atividade industrial melhores em países e hoje os EUA mostraram que as encomendas à indústria no mês de setembro subiram mais forte que o previsto em 1,1%, de expansão no mês anterior de 0,6%. Ex-transporte a expansão seria de 0,5%.

Também foi divulgada notícia que o Brasil, EUA e Japão planejam assinar declaração contra a China, o que, junto com outras posturas que já vínhamos tomando, pode trazer alguma represália junto ao maior cliente importador nosso.

No mercado internacional, mais um dia de recuperação para o petróleo WTI negociado em NY, depois de aparentemente os russos acatarem a manutenção dos cortes de produção em 2021. O óleo estava em alta de 2,99%, com o barril cotado em US$ 37,91. O euro era transacionado em alta a US$ 1,17 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 0,88%. O ouro e a prata com altas na Comex e commodities agrícolas com comportamento de alta na Bolsa de Chicago. O minério de ferro negociado na China é que teve queda de 0,82% durante a madrugada, com a tonelada em US$ 117,09.

No segmento doméstico, tivemos a divulgação da ata do Copom da última reunião que veio segundo o comunicado, com a observação de que foram mais duros em relação ao risco fiscal, além da manutenção do teto de gastos, olhando para o nível de endividamento. É dizer, por assim dizer, que podem mudar a postura prevista caso a situação fiscal piore, reformas não saiam, ou mesmo se o ambiente de incerteza prevalecer no cenário local e internacional.

Já a pesquisa semanal Focus do Bacen veio mostrando mais uma vez inflação em alta para 2020, com 3,02% para o IPCA, de anterior em 2,99%. O PIB previsto para o ano ficou estável em -4,81% e caiu na visão de 2021 para +3,34%. O déficit primário previsto para o ano está em 12% do PIB, dólar subindo para R$ 5,45 no final do ano e saldo da balança comercial com superávit de US$ 58,70 bilhões (anterior em US$ 58 bilhões).

Aliás, o superávit comercial do mês de outubro foi de US$ 5,47 bilhões, acumulando em 2020 US$ 47,66 bilhões. Ainda por aqui, destacamos que o PMI industrial de outubro subiu para 66,7 pontos, no maior crescimento mensal desde 2006, indo de 64,9 pontos e mostrando que o quarto trimestre pode ser mais forte que o anterior. Já o Senado começou a discutir o relatório que irá votar a independência do Bacen, mas será complicado votar essa matéria na Câmara até o final do ano. Bolsonaro, por sua vez, postou nas redes sociais recado para Joe Biden, misturando assuntos como China, Europa e Amazônia, numa atitude meio isolacionista, caso Trump não vença as eleições.

No mercado local, dia de dólar encerrando em alta de 0,24% e cotado a R$ 5,754. No mercado acionário, forte alta nas Bolsas europeias, com Londres mostrando valorização de 2,33%, Paris com +2,44% e Frankfurt com +2,90%. Madri e Milão também com valorizações de respectivamente 2,52% e 3,19%. No mercado americano, dia de alta do Dow Jones de 2,06% e Nasdaq com 1,85%. Na Bovespa, com horário estendido para as 18 horas por conta da saída do horário de verão nos EUA, alta de 2,16% e com o índice em 95.979 pontos.

Na agenda de amanhã teremos o IPC da Fipe de outubro, a produção industrial de setembro e o fluxo cambial de outubro. Nos EUA, a pesquisa ADP de outubro com a criação de vagas no setor privado e que antecede ao Payroll da próxima sexta-feira, o saldo da balança comercial de setembro, indicadores de atividade PMI e ISM de outubro e estoques de petróleo e derivados na semana anterior. Porém, no que vai mexer mesmo e determinar o comportamento dos mercados no mundo será o encaminhamento das eleições nos EUA.

Boa noite.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais
Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado