Último dia do mês de agosto e faltando apenas a sessão de hoje, a Bovespa mostra queda acumulada de 1,69% e no ano, valorização de somente 0,61%. Final de mês é sempre mais problemático por conta dos ajustes de posições dos investidores e especialmente esse, com a aproximação de 07/09, que pode incluir severas manifestações.

Ontem, a Bovespa teve mais um dia de queda de 0,78% e índice em 119.740 pontos, enquanto o dólar encerrou praticamente estável e cotado a R$ 5,19, com os juros dos DIs curtos mais frouxos e os longos mais pressionados. Os investidores, por aqui, estão estressados com o ambiente político tenso, expectativa de grandes manifestações pró e contra o governo em 07/09, manifestos de entidades de classes, reformas que não andam e crise hídrica. Além disso, expectativa de medidas populistas.

Hoje, mercados da Ásia terminaram o dia majoritariamente com altas, Europa tentando se manter no campo positivo neste início de manhã e futuros do mercado americano com valorizações, mas ainda sem muita definição. Aqui, precisamos chegar e passar a faixa de 122.500 pontos do Ibovespa para firmar um pouco a recuperação e buscar o patamar de 124.000/125.000 pontos. Mas está difícil com toda a situação de tensão.

Na França, o PIB do segundo trimestre expandiu 1,1%, mas ainda está 3,2% abaixo do período pré-pandemia. Na Itália, o PIB do segundo trimestre cresceu 2,7% e mostra na comparação anual alta de 17,3%. Na zona do euro, a inflação medida pelo CPI de agosto saltou 3,0% na comparação anual, no maior nível desde 2011. Na China, o PMI industrial retrocedeu para 50,1 pontos, vindo de 50,4 e expectativa de ficar em 50,2 pontos, confirmou a desaceleração da economia. Mas o PBOC (BC chinês) mandou que os bancos voltem a ampliar empréstimos.

O presidente Biden, apesar das críticas, volta a defender o fim da missão no Afeganistão e o BCE (BC europeu) reforçou que na sua visão a inflação da região é transitória, depois da inflação alta de agosto. No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava queda de 0,85%, com o barril cotado a US$ 68,62. O euro era transacionado em alta para US$ 1,18 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,29%. O ouro e a prata com altas na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago.

Aqui, a Fiesp estende o prazo de adesão ao manifesto depois de muita polêmica, mas entidades do agronegócio produziram outro manifesto pleiteando defesa do Estado Democrático de Direito. Já sobre a novela dos precatórios, a proposta do CNJ pode gerar uma bola de neve de pagamentos nos próximos anos e até que termine a limitação pelo teto de gastos.

O presidente Bolsonaro está sendo aconselhado a prorrogar o Auxílio Emergencial, mas a área econômica não enxerga fundamentos para tal. Na agenda do dia, dados que podem mudar o comportamento dos mercados, tensão política e fechamento de mês. Mas a expectativa inicial é de Bovespa podendo buscar recuperação, dólar mais fraco (depende do noticiário) e juros em queda.

Bom dia e bons negócios!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais