A semana vai terminando e o clima tenso no país não mudou. Temos que passar pelas manifestações do 7 de setembro na próxima terça-feira para avaliar como o país vai ficar daí em diante. As variáveis são muitas, dependendo do que aconteça ou deixe de acontecer.

Mas ontem foi mais um dia em que a Bovespa andou na contramão dos principais mercados acionários do mundo e fechamos com queda acentuada de 2,28% e índice em 116.677 pontos, dólar em queda de 0,19% para R$ 5,18 e DIs próximos das máximas do dia. No final da tarde os mercados reagiram forte (e mal) à aprovação da reforma do imposto de renda pela Câmara, que segundo cálculos do Consefaz (secretários de Fazenda) pode trazer perdas para a União, Estados e Municípios de R$ 41,3 bilhões.

Hoje, certamente, os mercados vão seguir reagindo, até por conta de resistências no Senado que quer reforma tributária mais ampla.

Os mercados da Ásia encerraram com comportamento misto, a Europa na mesma condição e futuros do mercado americano com altas neste início de manhã. Aqui, perdemos sustentação na faixa de 117.000 pontos, e agora o suporte está na casa de 115.000 pontos.

O dia está sendo de divulgação de indicadores PMI da atividade de serviços e composto para diferentes países no mês de agosto, todos mostrando desaceleração. No Japão, o índice composto (serviços e indústria) encolheu para 45,5 pontos, vindo de 48,8, mas a Bolsa de Tóquio subiu por conta da próxima saída do primeiro-ministro, Suga, com aprovação em queda. Na China, o PMI composto em queda para 47,2 pontos (anterior em 53,1 pontos), mas o governo começa a estimular novamente.

Na Alemanha, o índice composto caiu para 60,0 pontos, na zona do euro caiu para 59,0 pontos. Ainda na zona do euro as vendas no varejo caíram 2,3%. No Reino Unido, o PMI de serviços caiu para 55,0 pontos, vindo de 59,6 pontos.

No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava alta de 0,39%, com o barril cotado a US$ 70,26. O euro era transacionado em queda para US$ 1,187 e notes com taxa de juros de 1,30%. O ouro e a prata em alta na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto.

Aqui, Bolsonaro em live disse que ninguém deve temer as manifestações de 7 de setembro, falou que o passaporte do covid-19 é um crime e manteve a briga com os governadores sobre o ICMS, dizendo que vai entrar com uma ADIN (ação direta de inconstitucionalidade), deixando acessa a chama da manifestação de terça-feira. Mas bancos, empresários, político e STF estão em defesa da democracia.

Já a CPI do covid-19, expõe o elo de lobistas e filhos do presidente. A agenda do dia traz a divulgação do payroll de agosto nos EUA e taxa de desemprego, que pode mexer com os mercados. A expectativa para o início do dia é de Bovespa fraca, dólar mais forte e juros pressionados.

Bom dia e bons negócios!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais