Os investidores passaram boa parte do dia aguardando a decisão do FED sobre a política monetária e ainda seguem esperando o anúncio de resultados de empresas como Apple e Facebook, além da fala de Biden no Congresso americano. Aqui, os dados mais importantes sobre relatório da dívida também saíram na parte da tarde, mas como prognosticávamos a tendência era positiva e de mercados melhores no mundo e no Brasil. Mas o Dow Jones seguiu pressionado pelo prejuízo anunciado pela Boeing no primeiro trimestre.

No exterior, o parlamento da União Europeia aprovou o acordo pós-Brexit e a agência de classificação de risco S&P afirmou que a Índia, com o agravamento da infecção pelo covid-19, mostra riscos ao crescimento e volume de crédito ao país. Já o BCE, declarou que as operações de TLTROs e PEPP, para aliviar efeitos da pandemia, têm sido críticas para apoiar a economia e que a queda na lucratividade dos bancos preocupa. Por conta disso, estão adotando testes de estresse para o setor.

O FMI alerta que a pandemia não acabou e o estresse continua. Diz que países com vacinação lenta, citando os emergentes, terão cicatrizes maiores. Versando sobre clima, diz ser necessário taxar a emissão de carbono e investir em infraestrutura para acelerar a transição energética. Enquanto isso, a OPAS divulgou que a infecção pelo vírus no Canadá ultrapassou a nos EUA pela primeira vez e afirmou que farão entregas de vacinas Covax na próxima semana.

Nos EUA, como esperado, o FED manteve por unanimidade a política monetária estabilizada, com juros entre zero e 0,25%, e taxa de desconto de 0,25%. Vão usar todos os instrumentos para apoiar a economia e manter a inflação moderadamente acima da meta de 2% por algum tempo. As condições acomodatícias vão seguir até que inflação e emprego atinjam a meta, manterão as operações de compras de treasuries e títulos hipotecários em pelo menos e respectivamente em US$ 80 bilhões/mês e US$ 40 bilhões/mês. O diagnóstico é que a atividade e o emprego melhoraram, como já vínhamos afirmando.

A coletiva de Jerome Powell foi como de hábito muito tranquila e suave, seguindo termos do comunicado, falando de pressões inflacionárias transitórias e que não é hora de falar em redução de estímulos. Ainda não vê salários em alta e a recolocação é lenta, mas a economia com a vacinação deve voltar ao normal ainda nesse ano. O único senão ficou por conta de que alguns ativos estão com preços elevados e que ninguém duvide que vão controlar a inflação, caso seja necessário. Com isso, o índice S&P voltou a formar recorde de pontuação intraday.

No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava alta de 1,14%, com o barril cotado a US$ 63,66. O euro era transacionado em alta para 1,213 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,615%. O ouro com leve alta e a prata em queda na Comex e commodities agrícolas com quedas na Bolsa de Chicago. Durante a madrugada em Qingdao, na China, o minério de ferro registrou realização de lucro e perdeu 1,43%, com a tonelada cotada em US$ 192,52.

No segmento doméstico, o BNDES disse que o desenho da Eletrobrás será de “Corporation”, com Golden Share para a União. O projeto de privatização dos Correios deverá estar pronto até o final do ano e que desde agosto de 2020 já venderam ações da Vale em montante ao redor de R$ 24 bilhões.

O Tesouro anunciou que a dívida pública federal atingiu no final de março R$ 5,2 trilhões, com alta de 0,85% e emissão de R$ 1,2 bilhão. A participação de estrangeiros no total subiu para 9,54%. Os títulos pré-fixados cresceram para 34,7%, parametrizado pela inflação em alta para 26,4% e pela Selic também subindo para 33,8%. Os juros de março foram de R$ 42,8 bilhões, prazo da dívida caindo para 3,63 anos e custo em queda para 7,6%. Dívidas a vencer nos próximos 12 meses representam 27,8% do total. A curva de juros perdeu um pouco de inclinação no mês.

O Bacen também informou que o fluxo cambial até 23/04 estava positivo em US$ 770 milhões, fruto de US$ 171 milhões do canal financeiro e US$ 599 milhões pelo comercial. No ano, acumula saldo positivo de US$ 9,5 bilhões. No mercado, dia de dólar novamente em queda, fechando com -1,82% e cotado a R$ 5,36. Na Bovespa, na sessão de 26/04, os investidores estrangeiros alocaram recursos no montante de R$ 546,5 milhões, deixando o saldo positivo de abril em R$ 6,97 bilhões e o ano com ingressos líquidos de R$ 19,13 bilhões.

No mercado acionário, dia de alta da Bolsa de Londres de 0,27%, Paris com +0,53% e Frankfurt com +0,28%. Madri em alta de 0,43% e Milão com queda de 0,06%. No mercado americano, o Dow Jones com -0,48% e Nasdaq com -0,28%. Na Bovespa, dia de +1,39% e índice em 121.044 pontos. Destaques para o setor bancário e Petrobras.

Na agenda de amanhã teremos o IGP-M de abril, confiança da indústria, a nota de política monetária e crédito de março e também o resultado do governo central. Nos EUA, os pedidos de auxílio-desemprego da semana anterior, o PIB do primeiro trimestre e dados acessórios e as vendas pendentes de imóveis.

Boa noite!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais