Ontem definitivamente não foi um bom dia para o governo de Bolsonaro, assim como tem sido os últimos meses. O assunto voto impresso foi definitivamente enterrado pela Câmara e a LSN (Lei de Segurança Nacional) pelo Senado.

Ontem, os mercados operaram indecisos durante todo o dia, aqui e no mundo, mas a Europa comparativamente melhor. Aqui, sofremos com a tensão política duradoura, desfile militar em Brasília em dia de votação do voto impresso (pressão), com os precatórios podendo ser fatiados, com tentativa de vazar teto de gastos e de ferir a regra de ouro, quando o governo fica impossibilitado de emitir dívida para quitar gastos de custeio da máquina.

Como pano de fundo de tudo isso a covid-19, variante delta e os bancos centrais discutindo e avaliando a retirada de estímulos monetários, o tapering. Ontem, mais dirigentes regionais do FED falaram sobre isso e projetando início já em setembro. Resultado disso, a Bovespa terminou o dia com queda de 0,66% e índice em 122.202 pontos e o dólar cotado na casa de R$ 5,20, depois de se aproximar novamente de R$ 5,30.

Hoje, mercados da Ásia encerraram o dia majoritariamente com altas (Tóquio com +0,65%) Europa começando o dia com comportamento positivo e futuros do mercado americano ainda indefinido e próximo da estabilidade. Aqui, não podemos perder a faixa de 120.000/121.000 pontos do Ibovespa, sob pena de precipitar vendas. Mas o dia está se mostrando um pouco mais positivo.

No exterior, o Senado americano aprovou em primeira votação o orçamento de 2022 com aqueles US$ 3,5 trilhões e agora segue para votação na Câmara. Lembrando que ontem o senado também aprovou o pacote de infraestrutura de US$ 1,2 trilhão, comemorado pela Casa Branca. Na Alemanha, a inflação de julho pelo CPI (consumidor) subiu para 0,9% e no comparativo anual com +3,8%. Mas tivemos a advertência de que a inflação está acelerada, apesar de esperada.

Na China, os novos empréstimos de julho encolheram pela metade em relação ao mês anterior, mesmo com o governo estimulando empréstimos. A desaceleração por lá preocupa e mexe com os preços das commodities no mercado internacional.

No mercado internacional, dia de petróleo revertendo alta inicial e agora mostrando queda do WTI, negociado em NY, de 0,79% e com o barril cotado a US$ 67,75. O euro era transacionado em queda para US$ 1,17 e notes americanos de 10 anos com taxa de 1,37%. O ouro em alta e a prata em queda na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago.

Aqui, a Câmara derrubou definitivamente o voto impresso pleiteado pelo presidente por 229X218, quando seriam precisos 308 votos para aprovação (3/5). Mas o governo teve outra derrota no Senado, que anulou a LSN, sempre lembrada pelo presidente e resquício da época da ditadura. Mas ainda permanecem os ruídos sobre precatórios, teto de gastos e regra de ouro, com a área de economia dizendo que busca agilidade na disponibilização de recursos. Vazamentos e “burlas“ não são positivos para um país sempre gastador.

A agenda do dia é importante e com capacidade de mudar o rumo dos mercados. Teremos as vendas no varejo de junho com expectativa de +0,7%, a primeira prévia do IGP-M de agosto, e fluxo cambial na semana anterior. Nos EUA, a inflação pelo CPI de julho e resultado fiscal, além dos estoques de petróleo na semana anterior e declarações de dirigentes do FED.

Bom dia e bons negócios!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais