O último dia da semana transcorreu em clima novamente de queda nos principais mercados acionários do mundo e, por aqui, não foi diferente. Dois fatores foram preponderantes: de um lado, indicadores mistos na maior economia do mundo e, de outro, o medo provocado por expansão dos casos de covid-19 da variante Delta, relatado por vários países.

Além disso, investidores e grandes gestores de recursos ajustam posições para a perspectiva de mudanças de atitude pelos principais Bancos Centrais de países desenvolvidos, depois do discurso de Jerome Powell, do FED, no Congresso americano, sobre retirada de estímulos sem discutida e ritmo insustentável da dívida americana. Além disso, no segmento local, foi dia de vencimento de opções do prazo que termina em julho, o que sempre agrega volatilidade e maior rotação de ativos.

Se quisermos somar mais preocupação, a própria China iniciou movimento de ampliar estímulos, já que, aparentemente, a economia mostrou alguma desaceleração que pode se prolongar. De qualquer forma, hoje, os EUA anunciaram que as vendas no varejo de junho cresceram 0,6%, de previsão de queda de 0,4%. Tirando o setor automotivo, as vendas no varejo cresceram 1,3%. Em compensação, a confiança do consumidor de Michigan mostrou contração maior que a prevista, atingindo 80,8 pontos, de esperados 86,3 pontos.

Já sobre a covid-19, os EUA relataram aumento dos casos de infecção com predominância da variante Delta. Felizmente, esperam menor número de internações e óbitos e descartam, no momento, a aplicação de reforço de vacinas. Outros países e regiões (como Tóquio) também relataram aumento de casos.

Já a China ameaça responder com firmeza e vigor eventuais sanções dos EUA por intervenção em Hong Kong. Isso, depois de encontro de Biden e Angela Merkel e de alerta feito pelo governo americano para empresas que operam em Hong Kong.

Os mercados responderam nos últimos dias a esses fatores buscando alguma proteção, ainda que de curto prazo, incluindo a sessão de hoje. No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava recuperação da queda observada durante a manhã, revertendo para alta e voltando a cair 0,15%, e barril cotado em US$ 71,54. O euro era transacionado praticamente estável em US$ 1,181, e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,30%. O ouro e a prata mantinham quedas na Comex, e commodities agrícolas ficaram com desempenho positivo na Bolsa de Chicago. Minério de ferro, negociado em Qingdao, na China, registrou pequena queda de 0,30%, com a tonelada em US$ 222,09.

No segmento doméstico, a FGV anunciou o IGP-10 de julho com desaceleração para 0,18%, vindo no mês anterior de 2,32%. No ano, o indicador mostra variação de +15,52% e, em 12 meses, com +34,61%. O IPA agrícola teve contração de 2,60% e o industrial com +0,92%. Matérias primas brutas com variação de -1,78%. O IPC-S da segunda quadrissemana de julho com alta para 0,88%, vindo de 0,80%. O monitor do PIB da FGV apontou +1,8% em maio, com o mês em +13,4%.

Quanto ao presidente, o noticiário dá conta de melhora de seu estado, já que ele circulou pelos corredores do hospital e visitou outros pacientes. O hospital não fala em alta próxima, mas seu médico fala em dois dias. Investidores e entidades de classe ainda reverberam críticas para o substitutivo do relator do ajuste do Imposto de Renda e a prorrogação da CPI da Covid-19 ainda vai causar muito ruído, assim como o vídeo que circula de acordo fechado por Pazuello para compra de vacinas com ágio.

No mercado, dia de dólar oscilando bastante, mas seguindo fraqueza externa, para encerrar o dia estável e cotado a R$ 5,11. No segmento Bovespa da B3, os investidores estrangeiros na sessão de 14/07 retiraram recursos da ordem de R$ 1,26 bilhão, deixando o saldo do mês negativo em R$ 2,51 bilhões, mas com ingresso líquido de R$ 45,58 bilhões.

No mercado acionário, dia de queda da Bolsa de Londres de 0,06%, Paris com -0,51% e Frankfurt com -0,57%. Madri e Milão com perdas de 0,40% e 0,33%, respectivamente. No mercado americano, o Dow Jones fechando em queda de 0,86% e Nasdaq com -0,80%. Na Bovespa, dia de queda de 1,18% e índice em 125.960 pontos.

A próxima semana parece mais amena depois de vencimentos de derivativos e agenda sem grande concentração de indicadores importantes. Mesmo assim, teremos a reunião do BCE (BC europeu) sobre política monetária e o IPCA-15 de julho, com a prévia da inflação oficial. Além disso, a safra de resultados de empresas do segundo semestre intensifica e mexe pontualmente com o preço dos ativos.

RESUMO DA SEMANA 

IBOVESPA +0,42%

DOW JONES -0,52%

NASDAQ  -1,86%

DÓLAR R$ 5,11 – estável

Bom fim de semana!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais

Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado