Em nosso comentário de abertura identificávamos que os mercados poderiam ser sensibilizados por indicadores que seriam divulgados, dentre eles a inflação nos EUA e o volume de serviços prestados no segmento local.

Isso efetivamente aconteceu, mas desde o início do dia os investidores já mostravam preocupação com a inflação que subiu na Alemanha. Logo no começo da manhã os EUA mostraram a inflação medida pelo CPI (consumidor) de abril em +0,8%, quando o previsto era +0,3% e a taxa na comparação anual de 4,2%, quando a previsão era +3,6%. O núcleo mensal foi de 0,9% e na comparação anual em 3%, de projeção de 2,3%. Foi o que bastou para os mercados iniciarem queda mais forte, mexerem no campo e também nos juros. Dólar forte, juros em alta e bolsas em queda, afetando também o mercado local.

O presidente Biden busca acordo com parlamentares republicanos para seu pacote de infraestrutura e os republicanos estão receptivos para ampliar dos falados US$ 568 bilhões, bem aquém do que o presidente desejaria. A Casa Branca também diz estar monitorando a inflação, que parece mesmo ser transitória, em função de certo descompasso entre oferta e demanda e desigual recuperação setorial.

O vice-presidente do FED, Clarida, disse que após a divulgação do payroll na semana passada, o quadro de emprego no curto prazo ficou mais incerto que a alta do PIB, com dados encorajadores.  Destacou o risco de novas cepas da covid-19, e que é preciso separar o que é transitório do não-transitório na inflação, e que possuem instrumentos para serem usados.  O presidente do FED regional de Atlanta Bostic acrescenta que em épocas de turbulência a volatilidade na inflação é esperada.

A situação dos mercados voltou a piorar quando foi anunciado o déficit orçamentário recorde de abril, em US$ 1,9 trilhão, em apenas sete meses. Os notes subiram forte e o mercado americano caiu ainda mais, com juros do notes voltando a subir e arrastando também a B3.

Ainda nos EUA, os estoques de petróleo da semana anterior encolheram bem menos que o previsto em 426 mil barris, mas não chegaram a mexer muito com os preços internacionais, em função do relatório apresentado pela AIE com corte no aumento da previsão de demanda. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em NY mostrava alta de 0,77%, com o barril cotado a US$ 65,78. O euro era transacionado em queda para 1,207 e notes americanos de 10 anos chegaram a vazar 1,68% no leilão ocorrido com demanda mais fraca, mas operavam em 1,696%.

O ouro e a prata com quedas na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago. O minério de ferro em Qingdao, na China, recuperou perdas de ontem e fechou em alta de 3,77%, com a tonelada em US$ 237,57. Nem isso foi suficiente para manter as ações da Vale e siderúrgicas em alta.

No segmento doméstico, o IBGE anunciou o volume de serviços prestados em março com queda de 4%, mas contra igual período de 2020 com +4,5%. No ano mostra queda de 0,8% e em 12 meses queda de 8%, mostrando que a recuperação do segmento está lenta. O volume ainda está 13,6% abaixo do período pré-pandemia. Destacamos o setor de turismo com queda em março de 22%, muito em função da aceleração da pandemia. O IBGE também mostrou a expectativa de safra do ano em 264,3 milhões de toneladas de grãos, 4,1% maior que no ano anterior e hectares plantados crescendo 3,7%, em 67,9 milhões.

O Bacen mostrou o fluxo cambial até 07/05 com saída de recursos de US$ 1,52 bilhão, sendo US$ 1,12 bilhão pelo canal financeiro e saída no comercial de US$ 344 milhões. No ano há ingresso líquido de US$ 11,2 bilhões e a posição cambial líquida estava em US$ 276,5 bilhões. No ano de 2021, pelo canal financeiro o saldo era positivo em US$ 2,3 bilhões.

No mercado local dia de dólar novamente volátil para encerrar com +1,59% e cotado a R$ 5,30. Na B3, na sessão de 10/05, os investidores voltaram a alocar recursos dentro do que chamamos apetite para risco no montante de R$ 1,47 bilhão, deixando o saldo positivo de maio em R$ 4,8 bilhões e o ano com ingressos líquidos de R$ 24,06 bilhões.

No mercado acionário dia de alta na bolsa de Londres de 0,82%, Paris com +0,20% e Frankfurt com também +0,20%. Madri e Milão com altas de respectivamente 0,20% e 0,23%. No mercado americano dia de queda do Dow Jones de 1,99% e Nasdaq com -2,67%. Na B3 mercado em queda de 2,65% e índice retornando para 119710 pontos, e com apenas três ações mostravam alta.

Na agenda de amanhã teremos o IBC-Br de março, uma prévia do PIB pelo Bacen e nos EUA a inflação pelo PPI (atacado) de abril, os pedidos de auxílio desemprego da semana anterior e mais discursos de dirigentes do FED.

Boa noite!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais