Em semana de reunião do FED sobre política monetária e divulgação do PIB, os investidores no mundo buscam maior proteção para seus investimentos, e os mercados acionários permanecem fracos. Além disso, cabe lembrar que teremos a divulgação de resultados do segundo trimestre de ações de larga expressão no mercado americano como Apple, Facebook e Microsoft, dentre outras igualmente importantes. Aqui, resultados previstos para bancos e também Vale, grandes lideranças da Bovespa.

Como pano de fundo do cenário, a covid-19 e a variante Delta voltam a assustar todos os governos, bancos centrais e investidores, pois podem retardar ou provocar retrocessos nos cronogramas de abertura das economias. A OMS, por exemplo, segue alertando sobre carência severa na produção de imunizantes e alguns estudos indicando a necessidade de reforço de doses.

Enquanto isso, a União Europeia diz que atingirá, no fim de julho, a imunização de 75% da população com pelo menos a primeira dose, e o BCE (BC europeu) faz a defesa de que o fundo fiscal de recuperação se transforme em política permanente. Nessa linha, o FMI começa a atuar na salvação de países com economias complicadas, como a Argentina, fornecendo novos recursos. Em compensação, o presidente do BOJ, Kuroda, vai na contramão e diz que o banco central não vai priorizar a compra de títulos “verdes”.

Nos EUA, a Casa Branca se disse entusiasmada e confiante na aprovação bipartidária do pacote de infraestrutura, o líder Schumer enxerga bom avanço das discussões sobre isso e o governo não vê sinais significativos de impacto na economia pela variante Delta. Lá, as encomendas de bens duráveis de junho cresceram 0,8%, mas a previsão era de +2,0%. A confiança do consumidor do Conference Board chegou a dar pequeno gás nos mercados, subindo no mês de julho para 129,1 pontos, quando o previsto era que ficasse em 124 pontos.

O FMI mostrou as novas projeções de crescimento para 2021 e 2022. O crescimento global para este ano projetado em 6,0% e 2022 com +4,9%. Para o Brasil, projeta 2021 com +5,3% e 2022 em queda para 1,9%. Os EUA devem crescer 7% e 4,9%, respectivamente, para 2021 e 2022, e a China desacelerando para +8,1% (de anterior em 8,4%) e 5,7% em 2022. A zona do euro com +4,6% em 2021 e +4,3% em 2022 (de 3,8%). O Japão com +2,8% em 2021 e +3% em 2022.

No Japão, em plena Olimpíada, o nível de contaminação subiu para patamar que não era visto por meses. No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava queda de 0,28%, com o barril cotado a US$ 71,71. O euro era transacionado em alta para US$ 1,183, e notes americanos com taxa de juros de 1,23%, mostrando a aversão ao risco crescente. O ouro com leve alta e a prata com boa queda nas negociações da Comex, e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago.

Aqui, o Bacen anunciou o superávit em conta corrente de junho em US$ 2,79 bilhões, no melhor mês da história desse indicador, muito por conta do desempenho da balança comercial superavitária, já que o investimento direto no país (IDP) foi muito fraco, com somente US$ 174 milhões. O IDP fraco se deve à conta de lucro reinvestido negativa, que pode ser episódico, mas mostra que as multinacionais não estão reinvestindo. A remessa de lucros e os dividendos de junho montaram a US$ 1,58 bilhão e o investimento em ações foi de US$ 2,52 bilhões. O Bacen estima que o IDP de julho fique em US$ 4,7 bilhões, e o conta-corrente positivo em US$ 1,3 bilhão.

A FGV anunciou o INCC (índice da construção civil) de julho em queda para 1,24%, acumulando inflação no ano de 10,75% e em 12 meses de 17,35%. No plano político, Bolsonaro disse que vai vetar apenas o excesso do fundo eleitoral, quando na realidade todo ele já é excesso.

No mercado, dia de dólar mostrando leve queda 0,26% e cotado a R$ 5,17. No segmento Bovespa da B3, na sessão de 23/07, os investidores estrangeiros voltaram a sacar recursos no montante de R$ 622,9 milhões, deixando o saldo negativo de julho em R$ 5,65 bilhões, mas com o ano positivo em R$ 42,35 bilhões.

No mercado acionário, dia de queda da Bolsa de Londres de 0,42%, Paris com -0,71% e Frankfurt com -0,64%. Madri e Milão com quedas de respectivamente 0,87% e 0,83%. No mercado americano, o Dow Jones com -0,24% e Nasdaq com -1,21%. Na Bovespa, dia de queda de 1,10% e índice em 124.615 pontos, com a cautela externa derrubando os ativos domésticos.

Na agenda lotada de amanhã, teremos a confiança da indústria em julho, o IPP (índice de preço produtor) da indústria de transformação de junho, a nota de política monetária e de mercado aberto, o relatório da dívida pública de junho, o fluxo cambial da semana anterior e dados do Caged de junho. Nos EUA, o saldo da balança comercial de junho, os estoques de petróleo na semana anterior e a decisão do FOMC do FED, seguida de coletiva do presidente Jerome Powell.

Boa noite!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais

Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado