Investidores no mundo voltaram a ter dúvidas sobre vacinas e também sobre o pacote de estímulo fiscal americano, e na dúvida, a aversão ao risco precipitou vendas. Também tivemos notícias sobre Estados americanos entrarem com ação antitruste contra empresas gigantes de tecnologias, levando de roldão Facebook, Amazon, Microsoft. Além disso, o tema recorrente de questões diplomáticas entre os EUA e a China.

Como se não bastasse, com relação ao Brexit, as complicações viraram “outra novela”. Vamos ter acordo ou não? Já na Alemanha, a primeira-ministra, Angela Merkel, fez apelo consternado para que a população evite comemorações natalinas, dado o crescimento de óbitos e contaminações no país. Merkel diz ser inadmissível a situação. Diferente dos “maricas” do Brasil, Merkel diz ser possível chegar a acordo sobre orçamento da União Europeia com a Polônia e a Hungria, mas até aqui nada.

A Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio), estima que o comércio global de mercadorias encolherá em 2020 cerca de 5,6%, a maior queda desde 2009. Já o FMI voltou a dizer que as dívidas de países com menor renda é a grande preocupação em 2021 e que os problemas não terão fim para todos e segue sugerindo que os países desenvolvidos aliviem cobranças dessas nações.

O Reino Unido relatou alergia em duas pessoas após tomarem a vacina produzida pela Pfizer e sugeriu prudência aos alérgicos. Como se vê, o noticiário do dia não foi nada bom para os mercados de risco que passaram a acelerar quedas na parte da tarde.

Nos EUA, os estoques no atacado de outubro mostraram expansão de 1,1%, de previsão de ficarem em 0,9%. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em NY inverteu para queda de 0,15%, principalmente depois de os EUA relatarem aumento forte do estoque de óleo na semana anterior de 15,2 milhões de barris, quando o previsto era queda de 1,2 milhão. O barril estava cotado a US$ 45,53. O euro mostrava queda para US$ 1,20 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 0,93%. O ouro e a prata registravam perdas na Comex e commodities agrícolas com altas na Bolsa de Chicago.

No cenário doméstico, a FGV anunciou a primeira prévia do IGP-M de dezembro desacelerando para 1,28% (anterior em 2,67%) e a inflação do ano em 23,52%. Passagens aéreas, gasolina, energia e alimentos; foram os destaques negativos, e o IPA industrial com alta de 1,53%. O IBGE relatou que a produção industrial subiu em 8 dos 15 Estados pesquisados.

O Bacen divulgou que o fluxo cambial de novembro foi positivo em US$ 438 milhões e o canal financeiro registrou entradas de US$ 6 bilhões. No ano de 2020, até 4/12, o fluxo cambial está negativo em US$ 19,25 bilhões e pelo canal financeiro em US$ 45,17 bilhões. Bancos seguem vendidos em câmbio em US$ 28,03 bilhões. A base monetária do final de novembro estava em R$ 402,3 bilhões (anterior em R$ 427,8 bilhões), e em novembro foram vendidos US$ 787 milhões pelo Bacen.

No âmbito da política, a percepção geral depois da decisão do STF proibindo Maia e Alcolumbre de concorrerem a reeleição, acabou por embaralhar reformas em 2021. Rodrigo Maia disse ter “um livro” de três volumes de promessas da equipe econômica, alfinetando Paulo Guedes. E quer votar a reforma tributária.

Disse que quando falamos de vacinas, o governo isenta armas de tributação na importação. Suas críticas ajudaram a acelerar queda na Bovespa e puxaram o dólar. Já Bolsonaro, em cerimônia de final de ano, disse que o país se saiu bem durante a pandemia (já acabou?), e demitiu o ministro do Turismo que andava pendurado desde sempre.

O relator da PEC Emergencial mudou regras de teto e provocou questionamentos de seus pares. No mercado, o dólar que vinha em queda mudou de direção e subiu 0,97%, fechando cotado a R$ 5,17. Na B3, os investidores estrangeiros voltaram a alocar recursos no montante de R$ 628,7 milhões na sessão de 7/12, deixando o saldo positivo de dezembro em R$ 4,9 bilhões e em 2020 ainda com saídas líquidas de R$ 46,6 bilhões. Ainda ficamos no aguardo da decisão do Copom sobre política monetária.

No mercado acionário, dia de alta da Bolsa de Londres de 0,08%, Paris com -0,25% e Frankfurt com alta de 0,47%Madri com alta de -0,09% e Milão com -0,38%. No mercado americano, o Dow Jones com -0,36% e Nasdaq com -1,94%. Na Bovespa, dia de queda de 0,73%, índice em 113.001 pontos, basicamente pelas complicações relatadas.

Na agenda de amanhã teremos o IBGE anunciando as vendas no varejo de outubro e o levantamento sistemático da produção agrícola. Nos EUA, a inflação de novembro pelo CPI (consumidor), os pedidos de auxílio-desemprego da semana anterior, o resultado fiscal de novembro e levantamento da oferta e demanda agrícola pela USDA.

Boa noite.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais