Ontem foi dia de algumas indefinições nos mercados de risco no mundo e comportamento misto nas Bolsas. Aqui, ainda encerramos em alta de 0,32% e índice acima de 110.000 pontos, em 110.132 pontos, com o dólar em boa queda de 1,02%, cotado a R$ 5,315. O Dow Jones teve perda de 0,58% e a Nasdaq ganho de 0,48%.

O mundo e os investidores estão nervosos com a segunda onda de contágio pelo Covid-19 e recorde de óbitos puxado pelos EUA (já são 60 milhões de contaminados), pela inação de governos e bancos centrais no presente, e as vacinas com logística de distribuição complicada no mundo. Além disso, algumas economias mostram sinais claros de desaceleração, como a zona do euro.

Especificamente hoje tudo isso aflora por conta do importante feriado de Ação de Graças nos EUA, quando os mercados perdem muito da liquidez e do referencial de preço dos ativos. Os mercados da Ásia operaram em alta durante a madrugada, bolsas europeias ainda indefinidas, mas com viés de queda, enquanto os futuros do mercado americano trabalham com comportamento misto. Aqui ainda é possível tentar alguma alta, mas a realização de lucros de curto prazo pode inibir.

Ontem, no final do dia, o FED divulgou a ata da última reunião mostrando que a economia recupera mais rápido que o previsto, mas também mostrou larga preocupação com as incertezas de médio prazo pelo Covid-19. Entendem como importante estender as linhas de crédito, ampliar a compra de títulos — para deixar o mercado funcional — e manifestaram preocupação com a ausência de novos estímulos fiscais. Contudo, a nova vice-presidente, Kamala Harris, reforçou compromisso de aprovar estímulo fiscal.

A Coreia do Sul e a Suécia mantiveram a taxa básica de juros inalterada em respectivamente 0,50% e zero, com a Suécia ampliando a flexibilização monetária para 700 bilhões de coroas suecas. Na Alemanha a confiança do consumidor caiu para -6,7 pontos, vindo de -3,2 pontos, quando a previsão era -5,5 pontos.

No Reino Unido, o ministro das Finanças disse não querer o Brexit a qualquer custo e teve a aprovação do presidente do BOE. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em NY mostrava queda de 1,47%, interrompendo sequência de alta, com o barril cotado a US$ 45,04. O euro era transacionado em leve queda para US$ 1,19.

Aqui, o ministro Paulo Guedes rebateu críticas pesadas sobre sua atuação e do governo, dizendo terem mantido o rumo mesmo com a situação caótica. Já o Estadão, em seu editorial, pesou a mão sobre a administração Bolsonaro no “País Das Maravilhas”, enquanto deputados fazem carga para tirar Eduardo Bolsonaro da presidente da Comissão de relações exteriores, depois de suas últimas declarações, e mais especificamente sobre a China.

Na agenda do dia, nenhum indicador nos EUA, enquanto aqui teremos os dados do CAGED de outubro, o IPP (preço do produtor) e o resultado primário do governo central, também de outubro. A expectativa para o dia é de B3 podendo tentar nova alta, mas realizações de lucro e petróleo diluem, com o dólar ainda fraco e juros sob pressão.

Bom dia e bons negócios!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais