A semana começou com altas em todos os principais mercados acionários do mundo. Aqui também, só que com investidores assumindo maior prudência diante dos problemas com o processo vacinal, auxílio emergencial e quadro fiscal deteriorado, mas, principalmente, aguardando a eleição na Câmara e Senado, um teste para o presidente.

Ocorre que às vésperas da eleição, o governo liberou R$ 504 milhões em verbas parlamentares e, aparentemente, conseguiu reverter o quadro. Até o PSDB e o PT saiu de apoio a Baleia Rossi.

No exterior, Joe Biden quer acordo bipartidário para o pacote de estímulo fiscal e convidou lideranças para irem à Casa Branca para discutir. Porém, republicanos falam em US$ 608 bilhões, enquanto Biden em US$ 1,9 trilhões. Terão que estreitar diferenças. A equipe de Biden diz que esse pacote poderia agregar 4% ao PIB americano.

Ainda nos EUA, o PMI industrial de janeiro subiu para 59,2 pontos, ao nível recorde e destoando dos demais países em queda. Já o ISM industrial observou desaceleração para 58,7 pontos, de anterior em 60,7 pontos. O investimento em construção cresceu 1% em dezembro, quando o previsto era que ficasse em +0,8%. O presidente do FED de Minneapolis, Kashkari, disse ser importante continuar com política agressiva para apoiar a economia, vão usar todas as ferramentas e que o desemprego real está próximo de 10%.

A Índia anunciou um pacote fiscal para apoiar a economia e o mercado acionário de Mumbai fechou em alta. No mercado internacional, o petróleo WTI em alta desde cedo operava com alta de 2,82%, com o barril cotado a US$ 53,67. O euro era transacionado em queda para US$ 1,206 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,07%. O ouro com alta de 0,92% e a prata com +9.14% na Comex. Commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago.

No segmento local, como dissemos, o lado político seguiu determinando prudência dos investidores e as sessões da Câmara e Senado foram às 15 horas para começar a votação que promete ser longa.

Aparentemente, Rodrigo Maia ficou isolado com a retirada de apoio de partidos importantes, e a situação ficou mais fácil para os candidatos apoiados pelo governo e algumas medidas sedutoras de verbas distribuídas. Já a greve programada de caminhoneiros fracassou, mas o governo diz seguir com agenda de discussões. Na Câmara, a situação pega fogo com ofensas entre Arthur Lira e Rodrigo Maia.

Na Economia, a nova pesquisa Focus veio com poucas variações na margem, com o PIB subindo em 2021 para 3,50% (de +3,49%) e dólar em R$ 5,01 (de R$ 5). A produção industrial em queda para +5,02% e déficit em conta-corrente de US$ 19,66 bilhões. A estimativa de superávit comercial em 2021 estável em US$ 55 bilhões. Aliás, o mês de janeiro mostrou déficit na balança comercial de US$ 1,12 bilhão.

O BNDES anunciou que vai liquidar dívida com o tesouro de R$ 38 bilhões nas próximas semanas. Isso é bom para a dívida, mas o desafio fiscal continua. O PMI industrial de janeiro teve desaceleração para 56,5 pontos, vindo de 61,5 pontos. No mercado, o dólar começou o dia em queda, passou para campo positivo e fechou com -0,54% e cotado a R$ 5,44. Na Bovespa, na sessão de 28/1, os investidores estrangeiros voltaram a alocar recursos no montante de R$ 666,13 milhões, deixando o saldo acumulado de janeiro com ingresso líquido de R$ 24 bilhões.

No mercado acionário, dia de Bolsa de Londres com alta de 0,92%, Paris com +1,16% e Frankfurt com +1,41%. Madri e Milão com altas de respectivamente 0,52% e 1,17%. No mercado americano, o Dow Jones com +0,76% e Nasdaq com +2,55%. Na Bovespa, dia de recuperação de 2,13% e índice em 117.517 pontos.

Na agenda de amanhã teremos a produção industrial de dezembro pelo IBGE, o PIB da zona do euro do quarto trimestre, discurso da presidente do FED de Cleveland e na China, o PMI de serviços e composto de janeiro.

Boa noite.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais