O dia foi de aguardar a decisão do FED sobre política monetária e suas consequências sobre a economia global.
Antes disso, durante a madrugada, tivemos a divulgação de dados de conjuntura da economia da China referente ao mês de maio que vieram piores que o esperado, e determinaram o comportamento de queda dos mercados na Ásia.

Os mercados da Europa encerraram o dia com comportamento misto, deixando os ajustes para a sessão de amanhã. No mercado americano também comportamento misto esperando o FED e pressão sobre mineradoras decorrentes da decisão da China. Aqui Bovespa com quedas pequenas e algumas recuperações breves.

No exterior o Banco Mundial deu o tom dizendo que mais para frente países devem ter que apertar consideravelmente e que alguns choques de oferta podem ser devastadores. Já o IIF-Institute of International Finance diagnosticou que o repasse de aumentos de commodities para a inflação em países emergentes estão sendo maiores que em desenvolvidos. Mas, também, diz que a inflação em emergentes é ainda benigna diante de choques passados.

Biden conversou com Putin sobre ciber ataques e disse que os EUA não vão tolerar ameaças da Rússia sobre a soberania do país. Também concordaram em começar a conversar sobre controle bélico. Já a secretária do Tesouro, Janet Yellen, falou no Congresso americano sobre mudanças climáticas potencializando problemas estruturais nas economias e a falta de esforço sobre isso do setor privado nas desigualdades. Por isso precisam de política fiscal ambiciosa para solucionar desigualdades e que a hora é essa, de orçamento alto e pago por reforma tributária, sem atingir a maioria da população (só os mais ricos). Yellen também espera imposto mínimo global estendido aos membros do G-20 na reunião de outubro.

O FED manteve a taxa de juros estabilizada entre zero e 0,25%, mas todos os membros em seus “dots plot” esperam elevação dos juros em 2023. O FED elevou a taxa sobre excesso de reservas de 0,10% para 0,15% e se mostra comprometido em usar instrumentos se inflação ameaçar.

As condições de política monetária seguem acomodatícias e entendem que a inflação em alta é transitória e que setores mais afetados melhoram. O FED estima inflação de 3,4% (núcleo em 3,0%) em 2021, PIB de +7,0% (anterior em 6,5%)e desemprego em 4,5%. Prorrogou linhas de swap com países até o final do ano e seguem com a política de compras de ativos.

Jerome Powell em coletiva falou de investimentos avançando em ritmo forte, mas com incertezas, mercado de trabalho melhorando desigual e expansão notável da inflação no curto prazo. Estão prontos para agir, mas darão sinalização antecipada. Ainda segundo Powell, discutir alta de juros agora seria bastante prematuro. Os mercados acionários reagiram com quedas e alta dos juros, mexendo também e de forma forte com o mercado local (bolsa, dólar e juros). Depois tivemos alguma recuperação.

Ainda nos EUA, a construção de novas residências cresceu 3,6% em maio, de previsão de +3,9%. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em NY esteve pressionado durante boa parte do dia, mas depois virou para queda de 0,28%, com o barril cotado a US$ 71,92. O euro era transacionado em queda para US$ 1,20 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,55%. O ouro e a prata com boas quedas na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na bolsa de Chicago. O minério de ferro negociado em Qingdao na China registrou queda de 3,51% e tonelada em US$ 214,08.

No segmento local tivemos a divulgação da inflação pelo IGP-10 de junho com desaceleração para 2,32% (de 3,24%), mas acumulando alta em 2021 de 15,31% e em 12 meses de 36,94%. O IPC-S da segunda quadrissemana de junho também desacelerou para 0,72%, de anterior em 0,81%. O monitor do PIB da FGV de abril veio com expansão de 0,7% e no comparativo com igual período com +12,3%.

O Bacen mostrou o fluxo cambial de junho (até 11/06) positivo em US$ 1,47 bilhão e pelo canal financeiro com US$ 1,26 bilhão. No ano, o saldo é positivo em US$ 12,36 bilhões e a posição cambial líquida em US$ 275,1 bilhões.

No ambiente político Bolsonaro disse que se não privatizar a Eletrobrás será o caos no sistema energético do país. A equipe econômica disparou mensagem para senadores falando sobre isso também e o relator disse que vai manter as sugestões da área econômica acrescida das sugestões dos parlamentares (aí mora o perigo).

No mercado, o dólar oscilou mais forte depois da decisão e coletiva do FED, revertendo queda que chegou a mostrar a moeda abaixo de R$ 5,00, para fechar com alta de 0,34% e cotado a R$ 5,06. Na B3, na sessão de 14/06, os investidores estrangeiros alocaram recursos no montante de R$ 156,8 milhões, deixando o saldo positivo de junho em R$ 13,04 bilhões e o ano com ingressos líquidos de R$ 44,43 bilhões.

No mercado acionário, as Bolsas da Europa não capturaram a decisão do FED. Londres terminou o dia com alta de 0,17%, Paris com +0,20% e Frankfurt com -0,12%. Madri em queda de 0,31% e Milão com alta de 0,12%. No mercado americano dia de Dow Jones com -0,77% e Nasdaq com -0,24%. No segmento Bovespa dia de queda de 0,63% e índice voltando para 129276 pontos.

Na agenda de amanhã teremos o IPC da Fipe da segunda quadrissemana de junho, a inflação de maio na zona do euro e nos EUA o índice de atividade industrial de Filadélfia, os pedidos de auxílio desemprego da semana anterior e o índice de indicadores antecedentes do Conference Board de maio.

Boa noite!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais

 

Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado