A última sessão da semana começou mostrando que o dia poderia ser de renovadas tensões, seja no ambiente externo ou no interno. Bolsas da Ásia com quedas fortes, Europa e futuros dos EUA operando no negativo, petróleo acumulando mais perdas e juros no mundo sem muita direção. Apenas algumas commodities e o minério de ferro mostravam reações de alta, mas, ainda assim, depois de enormes perdas, como o minério na China, que ontem caiu 13,5% e hoje subiu 5,86%.

Mas o dia acabou sendo de reações, Bolsas da Europa fechando em alta (exceto Milão quase estável), mercados americanos firmando altas e a Bovespa revertendo queda na parte da tarde. Aqui, mais um problema com o encerramento do prazo agosto do mercado de opções, com os vendidos tentando manter a pressão. Passado o vencimento e com algumas notícias, o Ibovespa assumiu alta branda e progressiva.

A agenda fraca do dia deixou o mercado local ao sabor do noticiário político. Bem verdade que o presidente tem moderado seu discurso nesses últimos dias, mas o quadro segue tenso e as novas pesquisas divulgadas mostram que mais da metade (52%) rejeita a forma de governar do presidente.

No início do dia, o mercado americano foi pressionado pela notícia de corte de produção nas montadoras de automóveis, forçando as cotações do setor e correlatos em baixa. Já a Bolsa de Hong Kong virou para baixista, depois de queda superior a 20% do último pico (aqui, íamos na mesma direção).

A grande questão do momento está sendo quando o FED anunciará o tapering e quando começará a reduzir a compra de títulos, antes de elevar a taxa de juros. Muita especulação de que pode ser anunciada na reunião de Jackson Hole, que começa na próxima sexta-feira com Powell, mas o mais correto seria na reunião do FOMC, do FED, no fim de setembro. A outra vertente de reduzir compras pode ficar mesmo para a virada do próximo ano.

Hoje, Kaplan, presidente do FED regional de Dallas, disse que a variante Delta em expansão pode forçar a mudar a defesa do tapering que previa a partir de outubro. Ainda nos EUA, o governo impôs novas sanções contra a Rússia no episódio de envenenamento de líder da oposição. Já no mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, não conseguiu se recuperar das perdas recentes e voltou a mostrar queda de 2,15%, com o barril cotado a US$ 62,32. O euro era transacionado em alta para US$ 1,169, e notes americanos de 10 anos com taxa de juros em alta para 1,26%. O ouro em leve alta e a prata em queda na Comex, e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago. O minério de ferro em Qingdao, na China, registrou algum ganho durante a madrugada, encerrando, como dito, com alta de 5,86% e a tonelada cotada em US$ 140,44.

No segmento local, muita movimentação com relação à reforma tributária. O relator da reforma no Senado, Roberto Rocha, declarou que, na próxima semana, entrega seu parecer, impreterivelmente. Essa reforma estava sem tramitar desde julho de 2020 e, hoje, foram retomadas as discussões com a presença do secretário da Receita Federal Tostes e o ministro Paulo Guedes. Tostes defende a CBS (contribuição sobre bens e serviços) unificando apenas PIS e COFINS, enquanto Paulo Guedes defende que seja implantada em partes.

O ruído no Congresso é que, depois de tantos substitutivos e penduricalhos adicionados à reforma do Imposto de Renda, nem mesmo o governo tem interesse em sua implantação. Arthur Lira e Celso Sabino (relator), neste momento, parecem estar falando sozinhos. Ou seja, cabeças estão batendo em todos os níveis com relação à área tributária. Bolsonaro disse para apoiadores que vai discursar em protesto em 7/09 segue com pressão contra o STF, mantendo a massa motivada, pois é o que melhor pode fazer neste momento de queda nas pesquisas.

No mercado doméstico, dia de dólar oscilando bastante. Depois de fazer máxima em quase R$ 5,48, voltou a cair para R$ 5,38, para encerrar com queda de 0,74% e cotado a R$ 5,385. Na Bovespa, na sessão de 18/08, os investidores estrangeiros retiraram recursos no montante de R$ 859,9 milhões, deixando o saldo positivo de agosto em R$ 4,82 bilhões e o ano com entradas líquidas de R$ 44,59 bilhões.

No mercado acionário, dia de reversão nas Bolsas europeias, com Londres fechando em alta de 0,41%, Paris com +0,31% e Frankfurt com +0,27%. Madri com alta de 0,15% e Milão com leve queda de 0,04%. No mercado americano, o Dow Jones com +0,65% e Nasdaq com +1,19%. Na Bovespa, também reversão para alta de 0,76% e índice em 118.052 pontos, mas com bancos e Petrobras pesando.

Na próxima semana, diferente do período ultrapassado, a agenda contém indicadores importantes que podem mexer com os mercados, além da possibilidade de novos ruídos no fim de semana e durante a próxima.

RESUMO DA SEMANA

IBOVESPA: -2,59%
DOW JONES: -1,11%
NASDAQ: -0,76%
DÓLAR: +2,67%
Petróleo WTI: -8,28%

Bom fim de semana!

Alvaro Bandeira
Economista-chefe do banco digital modalmais