Dia de feriado em NY, adicionado de feriado em Londres, é certo que a liquidez dos mercados estreita bastante e aqui não é diferente, sobretudo depois de termos batido recorde de pontuação na última sexta-feira. Mas resistimos heroicamente contra as quedas verificadas na Europa e no índice futuro americano.

Aqui, o dia foi muito intenso de dados de conjuntura e também de declarações de membros do Executivo e Legislativo, numa semana de agenda forte que contempla a divulgação do PIB de primeiro trimestre brasileiro. Começamos o dia com a FGV anunciando a confiança empresarial crescendo 7,9 pontos em maio para 97,7 pontos, no maior patamar desde março de 2014. A confiança do comércio subiu para 93,9 pontos, enquanto a de serviços também apresentou alta, indo para 88,1 pontos.

Já a nova pesquisa semanal Focus do Bacen mostrou inflação em alta para 5,31% na expectativa de 2021, a taxa Selic em alta para 5,75% e o PIB de 2021 com boa alta para 3,96%, de anterior em 3,52% (e ainda deve expandir mais nas próximas semanas). O dólar permaneceu estável em R$ 5,30 para o final do ano e a produção industrial também estável em 5,50%. A relação dívida/PIB caiu para 63,35% (de 63,75% e o saldo da balança comercial evoluiu para US$ 68 bilhões, vindo de 64,75%, reforçando o que temos afirmado que as contas externas do Brasil vão bem.

Também foi divulgado o superávit primário do setor público em abril de R$ 24,25 bilhões, acumulando no ano R$ 75,8 bilhões, cerca de 2,88% do PIB. O superávit nominal foi de R$ 30,0 bilhões e, no ano, negativo em R$ 37,0 bilhões. O déficit nominal em 12 meses mostra R$ 827,2 bilhões, 10,76% do PIB e a dívida bruta chega a 86,7% do PIB. A dívida bruta é muito elevada para um país emergentes e os dados foram beneficiados por ganhos nas operações de swap cambial do mês e também por quedas dos gastos e orçamento não aprovado.

Bolsonaro também falou hoje, junto com ministros e presidente da Bacen. Falando com investidores, Bolsonaro disse que a crise sanitária preocupa, mas que não compromete as ações de longo prazo. Mostrou vontade de ingressar na OMC e falou de meta de investimento de US$ 72 bilhões no ano. Já Paulo Guedes falou de futurologia, dizendo que os gasto extras estão sendo removidos e voltamos para uma trajetória de controle. Disse estarem revendo o déficit para 3,0% do PIB e com arrecadação forte. Quer reindustrializar o Brasil com energia barata e quer ajuda e investimentos de fora. O presidente do Bacen falou de China e Índia atraindo capitais e quer que o Brasil faça o mesmo.

Já o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, pede clareza do Executivo sobre a reforma administrativa para alcançar entrantes no serviço público. A CNI (Confederação da Indústria) defende ampla reforma tributária que englobe todos os impostos.

No exterior, o FMI defende precificar o carbono lançado na atmosfera e cobrar por isso, para estimular o crescimento sustentável. Na Índia, o PIB que encerra ano fiscal em março mostrou alta no trimestre de 1,6%, mas no ano fiscal despencou 7,3%. Já a China está elevando o compulsório bancário em moeda estrangeira para 7% (estava em 5%), já a partir de 15/06.

No mercado internacional os mercados não trabalharam intensamente por conta do feriado e encerraram mais cedo. O petróleo WTI negociado em NY mostrou alta de 0,89%, com o barril cotado a US$ 66,91. O euro em US$ 1,22 e notes americanos em funcionar. O ouro e a prata com altas na Comex e commodities agrícolas sem referencial. O minério de ferro em Qingdao, na China, é que registrou forte alta de 4,37% (mesmo com patrulhamento do governo), com a tonelada cotada em US$ 198,83, ajudando um pouco as cotações da Vale e siderúrgicas.

No mercado local, o dólar terminou o dia com +0,25% e cotado a R$ 5,22, depois de muitas oscilações. Na B3, na sessão de 27/05, os investidores estrangeiros ingressaram com R$ 1,78 bilhão, deixando o saldo positivo de maio em R$ 10,84 bilhões e o ano com ingresso líquido de R$ 30,0 bilhões, cerca de 10% abaixo do alcançado na máxima de 2021, e depois de muitos saques líquidos.

No mercado internacional, queda da Bolsa de Paris de 0,57%, Frankfurt com -0,64%, Madri com -0,80% e Milão fechando estável. Futuros do mercado americano em queda em pregão encurtado. Aqui, a B3 lutou bastante para se manter no positivo e fechou com +0,52% e índice em 126.215 pontos. Em maio registramos valorização de 6,15%.

Na agenda de amanhã teremos o PIB do primeiro trimestre ao redor de 0,7%, o PMI da atividade industrial de maio, o saldo da balança comercial de maio e vendas de veículos. Nos EUA, o PMI de maio, os investimentos em construção de abril o ISM de Chicago de maio e o índice de atividade de Dallas de maio.

Boa noite!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais

Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado