Hoje foi mais um dia daqueles que gostaríamos de esquecer, mas é sempre bom aprender com as lições. Faz algumas semanas que vínhamos alertando que a deterioração nos ambientes político e econômico poderia forçar os mercados em queda, e citamos zonas de suporte para o Ibovespa em 120.000/117.000 pontos como a serem observadas e, para o dólar, o rompimento na casa de R$ 5,30. A Bovespa passou por esses suportes (depois retornou um pouco), e o dólar quase voltou hoje aos R$ 5,30.

Não podemos creditar tudo às crises na política e no quadro fiscal, apesar de boa parte derivar disso, já que o ambiente externo também influencia, por conta da propagação da covid-19 e da variante Delta, tapering (retirada de estímulos) e a diplomacia mundial olhando para a tomada do Afeganistão pelo Talibã.

Além disso, a sessão de hoje foi marcada por novos indicadores da economia americana com viés mais para negativo, o que determinou forte volatilidade nos mercados (petróleo, commodities, dólar e juros), fazendo com que os investidores buscassem maior proteção para suas aplicações. Esse foi o panorama do dia.

No exterior, durante a madrugada, a China realizou exercícios militares no sudoeste e sudeste de Taiwan e falou em provocações. A China também reforçou medidas de controle no segmento de tecnologia para combater a concorrência desleal e lidar com dados críticos, controlando a plataforma de internet. Ainda é desconhecida a sua postura em relação ao Talibã.

Nos EUA, as vendas no varejo de julho mostraram contração de 1,1%, com queda maior que a prevista, e crescendo 13,3% na comparação anual. A produção industrial veio mais positiva e expandiu 0,9% em julho, de previsão de +0,5%, com a utilização da capacidade instalada crescendo para 76,1%. A confiança das construtoras em agosto também declinou para 75 pontos, vindo de 80 pontos no mês anterior. A divulgação desses indicadores balançou os mercados, que aguardavam a fala do presidente do FED, Jerome Powell, que não versou sobre política monetária.

Janet Yellen, secretária do Tesouro dos EUA, voltou a defender pacote de infraestrutura. Na Colômbia, o PIB do segundo trimestre expandiu 17,6% no comparativo anual, mas sofreu contração de 2,4% no trimestre.

No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, mostrou oscilações positivas e negativas ao longo do dia, fechando com queda de 1,07%, com o barril cotado a US$ 66,57. O euro era transacionado em queda para US$ 1,172, e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,25%. O ouro e a prata mostravam quedas na Comex, e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago. O minério de ferro teve mais um dia de queda de 0,81%, em Qingdao, na China, com a tonelada em US$ 160,75, o menor nível desde março.

No segmento local, grande expectativa com a possível votação na Câmara sobre a reforma do Imposto de Renda, que sofre críticas generalizadas de diferentes segmentos, como prefeituras, sistema financeiro e indústria, além da resistência de deputados. Já Bolsonaro declarou que vetará o fundo eleitoral na íntegra, caso seja impedido de cortar excessos. Pesquisa divulgada de seu governo mostrou que 54% dos entrevistados acham a gestão ruim ou péssima, o menor nível registrado. Já Rodrigo Pacheco (Senado) e Arthur Lira (Câmara) não gostaram de Bolsonaro ter os colocado no meio das desavenças com o STF e o TSE. Rodrigo Pacheco afirmou que o risco de ruptura precisa ser descartado e pede estabilidade.

Na economia, tivemos a divulgação do IGP-10 de agosto com a inflação subindo para 1,18%, de anterior em 0,18%. Energia, gasolina e alimentos pressionaram o índice para o consumidor, enquanto a mão de obra desacelerou. A ANP anunciou que a produção de petróleo de julho cresceu 4,9%, voltando ao nível de 3 milhões de barris por dia. No Bacen, Campos Neto diz que perseguirá a meta de inflação e fará o que for preciso. Aliás, o STF marcou o dia 25/08 para julgar a autonomia do Bacen.

No mercado, dia de dólar em movimento de gangorra (sobe e desce), chegando a beirar R$ 5,30, mas fechando com -0,18% e cotado a R$ 5,274. Na Bovespa, na sessão de 13/08, os investidores estrangeiros ingressaram com R$ 833,8 milhões, deixando o mês de agosto positivo em R$ 2,43 milhões e o ano com ingresso líquido de R$ 42,2 bilhões.

No mercado acionário, de alta da Bolsa de Londres de 0,38%, mas Paris em queda de 0,28% e Frankfurt com -0,02%. Madri e Milão com perdas de 0,68% e 0,85%, respectivamente. No mercado americano, o Dow Jones terminou com -0,79% e Nasdaq com -0,93%. Na Bovespa, perdemos de passagem o patamar de 117.000 pontos, deixamos o mercado negativo no ano e fechamos em leve recuperação em relação à mínima de 116.247 pontos, com queda de 1,07% e índice em 117.903 pontos.

Na agenda de amanhã, teremos o fluxo cambial da semana anterior pelo Bacen, a inflação na zona do euro pelo CPI (consumidor) de julho e, nos EUA, novas construções e permissões de julho, os estoques de petróleo e derivados na semana anterior e a ata do FOMC do FED, que pode conter mais luzes sobre os próximos passos.

Boa noite!

Alvaro Bandeira
Economista-chefe do banco digital modalmais