O dia tinha tudo para seguir na recuperação do finalzinho da tarde de ontem, quando o noticiário deu conta de uma carta escrita por Bolsonaro (com o apoio ilustre de Temer), recuando dos excessos cometidos em Sete de Setembro, e de uma suposta ligação para Alexandre de Moraes. Começamos bem, com a Bovespa se aproximando dos 117.000 pontos, dólar fraco e juros em queda, mesmo com as pressões inflacionárias latentes.

Mas o dia, que seria presumível tranquilo, acabou sendo disfuncional. O presidente no conhecido “cercadinho” do Alvorada declarou que o Sete de Setembro não foi em vão e refutou ter errado até agora no comando do país ao dizer que “posso um dia errar, mas até o momento não errei”. Junto a isso, tivemos o pedido de destaque do ministro Lewandowski, do STF, sobre o julgamento de normas que regulamentem prazo para o presidente da Câmara decidir sobre pedido de impeachment do presidente. Foi o que bastou para a Bovespa fazer mínima no meio da tarde e o dólar voltar a subir com consistência.

No exterior, a China anunciou que novos empréstimos cresceram pouco em agosto em relação ao mês anterior, atingindo US$ 189 bilhões, mas os financiamentos sociais (visão mais ampla) quase triplicaram em relação ao mês anterior. Depois de conversar com Biden, Xi Jinping, da China, conversou com Merkel, da Alemanha, e defendeu relação e acordo de investimentos China-União Europeia. Na Rússia, o banco central subiu os juros básicos em 0,25%, para 6,75%, além de prever outras elevações. Lá, o PIB do segundo trimestre no comparativo anual cresceu 10,5%, na maior leitura. Christine Lagarde, do BCE, falou que a economia da zona do euro superou a previsão de crescimento.

Nos EUA, a inflação medida pelo PPI (atacado) registrou alta em agosto de 0,7% (previsão era 0,6%), com o núcleo em +0,6%. No comparativo anual, a alta é de 8,3% (recorde), e o núcleo com +6,3%. Os estoques no atacado de julho expandiram 0,6%, como previsto. Também tivemos declarações da presidente regional do FED de Cleveland, que disse estar confortável com tapering começando ainda em 2021 e concluído em meados de 2022. Destacou ainda que, desde abril de 2020, o mercado de trabalho registrou notável melhora, e que a inflação de 2021 pode subir mais antes de declinar em 2022.

Mas a discussão mais recente é a de desaceleração nas economias mais desenvolvidas no curto prazo e a expectativa com a discussão sobre elevação do teto da dívida americana, que pode paralisar atividades do governo americano já no final do mês de setembro. Além disso, as discussões envolvendo o pacote de US$ 3,5 trilhões, que não tem unanimidade entre os democratas.

No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, teve dia de forte recuperação e operava com alta de 2,19%, com barril cotado em US$ 69,63. O euro era transacionado em leve queda em US$ 1,181, e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,34%, em boa alta. O ouro e a prata com quedas na Comex, e commodities agrícolas com desempenho de alta na Bolsa de Chicago. O minério de ferro negociado em Qingdao observou nova queda de 0,42% (pequena em comparação com outros dias), com a tonelada cotada a US$ 129,71.

No segmento local, as movimentações políticas foram avaliadas em detalhes, mas a sensação maior é que as declarações amistosas de ontem de Bolsonaro podem durar pouco tempo. Em live do Credit Suisse, o ministro Paulo Guedes disse que o presidente ontem colocou tudo novamente nos trilhos e a aceleração de votações pelo Congresso. Disse que, para os precatórios, existem duas soluções: a PEC proposta pelo governo ou a proposta de Fux/Dantas, corrigindo pelo aumento do teto. Prevê que a inflação deve ir ao topo da banda em fins de 2022 e perto de 4%, que espera alguma desaceleração da retomada, mas que estão lutando pelo crescimento sustentável.

O IBGE trouxe números positivos sobre as vendas no varejo em julho, com crescimento de 1,2% (previsão mediana era 0,7%) e, contra igual período de 2020, em alta de 5,7%. O varejo restrito cresceu 6,60% no ano e em 12 meses 5,9%. Já o varejo ampliado expandiu 1,1% e mostra alta no ano de 11,4%, com alta de 8,4% em 12 meses. Houve expansão em 5 das 8 atividades consideradas, e estamos 5,9% acima do período pré-pandemia.

No mercado, dia de dólar oscilando entre o positivo e negativo para fechar o dia com variação de +0,88% e cotado a R$ 5,266. No segmento Bovespa da B3, na sessão de 08/09, os investidores estrangeiros sacaram recursos no montante de R$ 1,05 bilhão (a queda do índice foi de 3,78%, com perda de R$ 195 bilhões do valor de mercado das ações em Bolsa), deixando o saldo positivo de setembro em R$ 1,2 bilhão e o ano com ingressos líquidos de R$ 48,3 bilhões.

No mercado acionário dia de alta de 0,07% na Bolsa de Londres, Paris com -0,31% e Frankfurt com -0,09%. Madri e Milão com quedas de 1,20% e 0,86%, respectivamente. No mercado americano, o Dow Jones entre positivo em negativo, fechando com -0,78%, e Nasdaq com -0,87%. Na Bovespa, dia também de muitas oscilações para fechar com -0,93% e índice em 114.285 pontos. Aqui, cedeu mais com a queda nos EUA.

A próxima semana traz uma agenda cheia de eventos importantes capazes de mexer com os mercados, com indicadores de inflação em diversos países (zona do euro e EUA), dados da China referentes ao mês de agosto e o IBC-BR no Brasil, uma prévia do PIB de julho. Além disso, vamos observar o noticiário político do fim de semana, que tem trazido surpresas.

RESUMO DA SEMANA

IBOVESPA: -2,26%
DOW JONES: -2,15%
NASDAQ: -1,61%
DÓLAR: +1,60%
PETRÓLEO WTI: +0,56%

Bom fim de semana!

Alvaro Bandeira
Economista-chefe do banco digital modalmais