Estamos diante de mais um dia tenso nos mercados de risco do mundo. Ontem o mercado local operou com comportamento de gangorra, alternando momentos bem negativos e alguma recuperação. A Bovespa encerrou o dia ainda com queda de 0,32%, com índice em 111.183 pontos, oscilando quase 5 mil pontos durante o pregão, enquanto o dólar arranhou R$ 5,80, para fechar praticamente estável em R$ 5,66. Isso depois de duas intervenções do Bacen vendendo operação de swap de US$ 2 bilhões.

Hoje mercados no mundo em dia negativo. As Bolsas asiáticas encerraram o dia com fortes quedas, Europa operando no campo negativo e futuros do mercado americano com quedas nesse início de manhã. Aqui, os investidores vão repercutir a votação em primeiro turno da PEC Emergencial, e o adiamento para hoje da votação em segundoturno e avaliação dos destaques. Destaques quase sempre são derrubados. Seria bom não perder o patamar de 107 mil pontos, pois do contrário, apontara para buscar objetivo de queda em 105 mil pontos.

No Reino Unido, tensão comercial com a Irlanda do Norte na zona de fronteira, situação que já estava prevista nas discussões originais do Brexit. Já os EUA abriram um programa de US$ 40 bilhões para iniciativas de produção de energia limpa. Já as negociações comerciais entre a União Europeia e o Mercosul estão lentas, por conta exatamente de assinatura de documento com comprometimento com a área ambiental.

O vice-presidente Mourão tem encontro com embaixadores europeus para discutir a preservação da Amazônia. Hoje também é dia de reunião da OPEP, com os investidores acreditando que o corte de produção possa ser mantido, mas a situação é complicada. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em NY mostrava queda de 0,28% (em recuperação), com o barril cotado a US$ 61,11. O euro era transacionado em queda para US$ 1,203, e os notes de 10 anos dos EUA com taxa de juros de 1,45%, melhorando um pouco e afastando tensões. O ouro e a prata com quedas na Comex e commodities agrícolas com viés de queda.

Aqui, teremos novo dia de tensão com votação da PEC Emergencial e notícias sobre lockdown e política, mas a compra de vacinas da Pfizer e da Janssen podem ser interpretadas como positivas no que tange a imunização de rebanho e recuperação da economia, o que serve para também reduzir o estresse. De qualquer forma, o quadro segue sendo de grande volatilidade.

Na agenda do dia interna, nenhum indicador com capacidade de mexer com o mercado e ficaremos na dependência do noticiário. Nos EUA, teremos as encomendas à indústria de janeiro, os pedidos de auxílio-desemprego da semana anterior e dados da produtividade do trabalho.
Expectativa de Bovespa seguindo o exterior fraco, mas com capacidade de recuperar, dólar podendo realizar e juros com viés de queda.

Bom dia e bons negócios!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais