Perdemos a conta de quantas vezes o mercado local passou do positivo para negativo ao longo do dia. O mesmo pode ser estendido para a taxa cambial e também para o comportamento dos juros, esse menos por conta da divulgação da inflação oficial de agosto. No exterior, também as incertezas bateram forte com covid-19 e Delta e, notadamente, com o espectro do tapering rondando a retirada de estímulos. Dia difícil, mas nada além do previsto. Em nosso comentário de abertura, dissemos que depois do rompimento do suporte em 115.000 pontos do Ibovespa, a próxima trava estaria em 110.000 pontos. Na mínima do dia, chegamos a 112.400 pontos.

No exterior, o BCE (BC europeu) anunciou o resultado de sua decisão sobre política monetária, mantendo juros estáveis em -0,5%, refinanciamento em zero e compra de títulos de 1,85 trilhão de euros. Mas Christine Lagarde deixou claro que podem reduzir a compra de ativos, calibrando o mercado. Isso não significava deixar a política acomodatícia. Os mercados até reagiram positivamente a isso. Também ampliou a expectativa de inflação para 2,2% (anterior em 1,9%) e PIB crescendo 5% em vez da previsão de 4,6%.

Nos EUA, os pedidos de auxílio desemprego da semana encolheram 35.000 posições, para total de 310.000, e os pedidos continuados (com uma semana de defasagem) reduziram 22.000 posições para 2,78 milhões. O presidente Biden aproveitou para declarar que isso reforça uma recuperação duradoura. Em compensação, dirigentes regionais do FED voltaram a afirmar crença de começar tapering ainda em 2021. Já líderes democratas não descartam a possibilidade de redução do pacote social de US$ 3,5 trilhões, e permanece a novela de elevação da dívida, enquanto o prazo se esvai.

A OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) observou que a taxa de desemprego dos países membros caiu para 6,2% em julho, mas ainda está maior que no período pré-pandemia. Já a China disse que tenciona vender petróleo de suas reservas para equilibrar o preço da commodities e, com isso, derrubou os preços no mercado internacional. Foi só mais uma incerteza para os mercados.

No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava queda de 1,83%, com o barril cotado a US$ 68,03 (esteve mais baixo ainda). O euro era transacionado em alta leve para 1,183, e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,30% em queda. O ouro e a prata com altas pela fraqueza do dólar, e commodities agrícolas com quedas na Bolsa de Chicago. O minério de ferro registrou queda de 1,46%, com a tonelada cotada em US$ 130,26.

Aqui, tivemos uma minirreprise dos estresses. No final da tarde, caminhoneiros ainda mantinha bloqueios brandos em 13 estados, conversaram com Bolsonaro e o ministro Tarcísio, mas querem encontro com Rodrigo Pacheco para pressionar pelo impeachment de Alexandre de Moraes, o que extrapola qualquer pleito para a categoria. De onde vem essa demanda?

Na economia, tivemos a divulgação da inflação oficial pelo IPCA de agosto em desaceleração, mas acima do esperado em 0,87% (Previsão era 0,70%). No ano, a inflação está em 5,67% e, em 12 meses, em 9,78%, beirando os dois dígitos. Mas isso acabou produzindo expectativas maiores para inflação do ano e taxa Selic. A estimativa para o Copom de 22/09 agora caminha para 1,50%. E a inflação já extravasa 8%.

O secretário Bruno Funchal disse que seria bom avançar numa decisão para os precatórios o mais rápido possível, em contraponto ao que disse Arthur Lira (Câmara), de que não há ambiente para uma decisão sobre isso depois das falas de Sete de Setembro. Já Luís Roberto Barroso disse que a falta de compostura de Bolsonaro envergonha o Brasil no exterior.

No mercado, dia de dólar encerrando em queda de 2,06%, com a moeda cotada a R$ 5,22. No segmento Bovespa da B3, na sessão de 06/09, os investidores estrangeiros voltaram a alocar recursos no montante de R$ 791,4 milhões, deixando setembro positivo em R$ 2,25 bilhões e o ano de 2021 com ingressos de R$ 49,3 bilhões.

No mercado acionário, a Bolsa de Londres encerrou com queda de 1,01%, Paris com +0,24% e Frankfurt com +0,08%. Madri com queda de 0,43% e Milão em alta de 0,13%. No mercado americano, o Dow Jones fechou em queda de 0,43% e Nasdaq com -0,25%. Aqui, dia de alta de 1,72% no encerramento e índice em 115.360 pontos, com Petrobras puxando recuperação, com +2,12%.

Boa noite!

Alvaro Bandeira
Economista-chefe do banco digital modalmais