Ainda meio que desequilibrados no curto prazo, os diferentes segmentos do mercado vão se ajustando para a decisão do FED sobre política monetária, e também para o Copom, no caso interno. As decisões foram exatamente as esperadas, mas as previsões de futuro vão mudando, provocando rotações de ativos e grande volatilidade. Basta ver o comportamento de hoje de metais, petróleo, Bolsas e juros.

Pensamos que essa postura ainda pode durar alguns dias, já que previsões estão sendo revistas e setores da atividade têm de serem avaliados a luz das expectativas. Será preciso intuir como e em que prazo os principais bancos centrais vão começar a atuar na retirada de estímulos, quais serão abordados inicialmente e a velocidade de fazer isso. Porém, nada disso parece imediato, mas os agentes já vão preparando novas estratégias.

Segundo o Banco Mundial, os volumes de estímulos fiscais explicam as divergências na recuperação das economias, lenta vacinação é outro fator e o quadro fiscal atrasa a recuperação de emergentes que devem demorar cerca de três anos para recuperar, mesmo em bom cenário. Já o presidente do Bundesbank, Weidmann, defende que as compras emergenciais terminem breve no BCE (BC europeu). Já o BOJ (BC japonês) deve manter os juros estáveis na sua reunião e pode estender os programas de empréstimos.

Na China, o governo intensifica esforços para a autossuficiência em chips, segue apertando o cerco e mudando regras para a comercialização de commodities. Isso ajuda no desequilíbrio do segmento visto hoje e explica as quedas de ações brasileiras de mineração, siderurgia e a Petrobras, também por conta da queda do petróleo no mercado internacional.

Falando em China, o volume de investimentos externos diretos no comparativo entre janeiro e maio de 2021 e 2020 encolheu 5,3%. Nos EUA, os pedidos de auxílio-desemprego na semana anterior cresceram 37 mil posições e atingiram 412 mil, de esperados 360 mil pedidos, mas parece ser episódico. Já o banco central da Turquia manteve a taxa de juros inalterada em 19%, mesmo com a retomada forte da economia por lá. Pelo noticiário internacional, os EUA e o Irã estariam próximos de retomar o acordo nuclear.

No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, tinha perda de 1,54%, com o barril voltando para US$ 71,04. O euro era transacionado em queda para US$ 1,19 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros em queda para 1,523%. O ouro e a prata e que registravam tombos grandes de mais de 4% e 6% respectivamente na Comex e commodities na mesma toada de queda na Bolsa de Chicago. O minério de ferro é que teve alta de 3,15% em Qingdao, na China, com a tonelada cotada em US$ 220,82.

No segmento doméstico, a FGV lembrou que tivemos bastante auxílio-emergencial, mas falta política de reconstrução, já que reformas sozinhas não garantem crescimento. Criticou que o governo Bolsonaro não governa e quando o Executivo não lidera o Legislativo ocupa o espaço e atendem aos grupos de pressão, como está acontecendo com a MP da Eletrobrás. Aliás, ao longo do dia os senadores se articularam para aprovação sem os “jabutis” lá colocados e o governo avaliava que teria 41 votos favoráveis a aprovação.

O Ministério de Minas e Energia vai intensificar campanha de uso racional da energia e não trabalha com a hipótese de racionamento de energia. Enquanto isso as projeções de Selic e inflação vão mudando no mercado e já há quem projete a Selic de final do ano em 7,5%.

No mercado, dia de dólar em queda de 0,74% no encerramento, com a moeda cotada em R$ 5,02. Na B3, na sessão de 15/06, os investidores estrangeiros sacaram recursos no montante de R$ 350,13 milhões, deixando o saldo positivo de junho com R$ 12,69 bilhões e o ano com ingressos líquidos de R$ 44,07 bilhões.

No mercado acionário, dia de queda da Bolsa de Londres de 0,44%, Paris com alta de 0,20% e Frankfurt com +0,11%. Madri e Milão com quedas de respectivamente 0,07% e 0,21%. No mercado americano, dia de Dow Jones com -0,62% e Nasdaq com +0,87%. No segmento Bovespa, da B3, o dia foi de muita volatilidade, com o índice atingindo mínima em 127.576 pontos e máxima esbarrando em 130.000 pontos. No fechamento registrou -0,93% e índice em 128.057 pontos.

A agenda de amanhã está vazia com somente a segunda prévia do IGP-M de junho e o PPI (inflação no atacado) da Alemanha.

Boa noite!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais