Ontem, mercados no mundo conseguiram manter boa alta lastreada na expectativa de desenvolvimento de vacinas e medicamentos de combate a covid-19. A Bovespa encerrou com alta de 1,34%, aos 101.790 pontos, depois de ter vazado ao longo do dia o patamar de 102 mil pontos. O Dow Jones teve alta de 0,85% e Nasdaq com +0,59%.

Mas também tivemos renovadas tensões diplomáticas entre os EUA e a China, com muitas pressões americanas sobre países aliados para não adquirirem equipamentos da gigante de tecnologia Huawei, líder em tecnologia 5G e sempre acusada pelos EUA de espionagem. O Reino Unido já cedeu a tais pressões e a China promete retaliar países que sigam esse caminho. O Brasil fica entre a “cruz e a espada”.

Hoje, durante a madrugada a China exibiu dados de conjuntura tendentes a misto. O PIB do segundo trimestre expandiu mais que o previsto em 3,2%, quando o previsto era +2,6%. A produção industrial cresceu em junho anualizada em 4,8% (anterior em +4,4%), e as vendas no varejo também anualizadas em queda de 1,8%, quando o previsto era +0,3%. Os investimentos em ativos fixos contraíram no semestre 3,1%, mas a previsão era de -3,2%. Já os investimentos externos diretos cresceram em junho US$ 16,7 bilhões, com expansão de 3,7% anualizada e as vendas de imóveis com queda no semestre de 2,8%.

A Indonésia reduziu os juros básicos em 0,25% para 4% e a Coreia manteve a taxa em 0,50%. O Reino Unido anunciou que durante a pandemia perdeu 650 mil postos de trabalho e o secretário de Trump, Fauci, mantém o otimismo que teremos vacina contra a covid-19 até o final do ano. Nos EUA, existem suspeitas de que as contas do Twitter de Bill Gates, Jeff Bezos, Musk, Biden e Obama foram hackeadas. Na zona do euro, as exportações de maio cresceram7,9% e importações com +3,2%, resultando em superávit comercial de 8,6 bilhões de euros.

Os resultados que estão saindo nesse início de manhã de BofA, J&J Morgan Stanley estão surpreendendo positivamente e as ações sobem no pré-mercado. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em NY mostrava queda de 1,21%, com o barril cotado a US$ 40,70. O euro era transacionado em leve queda para US$ 1,14 e notes americanos de 10 anos com taxa de juro de 0,62%. O ouro e a prata operavam em quedas na Comex e commodities agrícolas com viés de queda na Bolsa de Chicago.

No segmento local, a área econômica segue estimando contração do PIB de 4,7% em 2020, parecendo fora da realidade. O presidente Bolsonaro parece ter pavimentado nova crise com o Congresso e governadores ao colocar vetos no marco de saneamento sobre renovação de contratos com estatais. As empresas operadoras esperam a derrubada do veto. O IPC-S da segunda quadrissemana de julho mostrou inflação em alta para 0,56%, vindo de 0,50%.

Já o ministro Dias Toffoli, concedeu prisão domiciliar para Geddel, aquele das malas de dinheiro, o que parece absurdo. A área econômica também deve anunciar nos próximos dias, medidas da primeira fase da reforma tributária juntando PIS e Cofins e o senado disse que não irá votar um projeto que venha exclusivamente da Câmara. Aliás, Alcolumbre cancelou a sessão de hoje do Senado.

Na agenda do dia teremos a decisão do BCE (BC europeu) sobre política monetária, seguida de coletiva de Lagarde. Nos EUA, teremos as vendas no varejo de junho, índice de atividade de Filadélfia, pedidos de auxílio-desemprego da semana e discursos dos dirigentes do FED de Chicago e NY.
Expectativa hoje é de Bovespa realizando um pouco (mercados no exterior querendo melhorar), dólar mais forte e juros pressionados.

Bom dia e bons negócios!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais