A semana parece ser crucial para definição de tendência de curto e médio prazo dos mercados risco no mundo e, não por acaso, também por aqui, com agravantes.

A semana embute as decisões do Fed e também do Copom no Brasil sobre política monetária. Aparentemente, em ambos os casos, nenhuma dúvida sobre posturas. O Fed deve manter a política monetária estabilizada, enquanto o Copom deve elevar a taxa Selic em 0,75%. Susto seria se o Copom ampliasse em 1%, mas, neste caso, as chances seriam pequenas, além de não ser atitude de bancos centrais driblarem os mercados e, sim, exatamente o contrário, tentando formar consenso.

Pois bem, então, as expectativas recaem sobre os comunicados de ambos os bancos centrais pós-reunião, e o discurso de Jerome Powell, que será seguido por coletiva de imprensa. Lembramos que, na reunião passada do Fed, já foi expresso que os membros começaram a discutir o “tapering”, qual seja, a redução de estímulos monetários. Certamente, depois dos dados positivos divulgados recentemente sobre a economia americana, as discussões sobre isso vão se acirrar e podem já constar dos “dots” enviados pelos membros previamente.

Porém, o presidente Powell tem dito recorrentemente que os mercados serão avisados com grande antecedência das decisões do órgão, além de ter expressado que a inflação pode passar certo tempo acima da meta estabelecida, por conta de ter ficado alguns anos abaixo disso. Também existe grande preocupação com os quase 10 milhões de desempregados e a busca do pleno emprego, na visão de Janet Yellen podendo ocorrer ainda em 2022, ou só em 2023 na de outros.

De qualquer forma, diante da melhora da economia e previsões para um segundo semestre forte no geral, especificamente na economia americana, o comunicado e o próprio Jerome Powell devem endurecer a postura, o que por si só já seria motivo de estresse dos investidores no mundo e de países endividados. Portanto, comunicado e entrevista coletiva devem ser avaliados com lupas pelo mundo. Possivelmente, poderemos extrair algumas luzes das mudanças de avaliação eventualmente feitas pelo Fed sobre crescimento econômico de 2021 e 2022, expectativa de inflação e taxa de desemprego. Serão bons balizadores para identificar mudanças e apropriá-las no tempo.

Disso, vai redundar o comportamento dos mercados de risco e a volatilidade dos mercados. Mas Powell também pode acrescentar que não vai mexer nas diretrizes de compra de ativos, apesar da enorme liquidez reinante na economia americana, essa uma grande preocupação dos investidores. Além disso, bem mais para frente, não poderão errar na velocidade de retirada de estímulos sob pena de trazer enormes problemas para países emergentes e empresas endividadas, além de algumas quebradeiras.

Falando do Copom, é quase consenso absoluto de elevação da Selic em 16/06, e também vamos ficar por conta do comunicado e leitura da ata na semana seguinte. Importante ver se farão da mesma forma que na reunião passada, quando anunciaram com todas as letras a nova alta da Selic, ou se vão passar em branco sobre isso. Mais ainda como vão lidar com o termo “normalização parcial” dos juros. Esse termo será simplesmente apagado ou teremos alguma indicação em busca da taxa neutra de juros?

Os investidores vão avaliar isso também com lupa, junto a indicações de crescimento, risco hídrico e pressões inflacionárias subjacentes, incertezas de terceira onda e vacinação, além das variantes mais contagiosas da covid-19 que estão surgindo.

Ou seja, semana para ficar de olhos arregalados e mercados sujeitos a alta volatilidade e bruscas mudanças de sinais. Se a isso adicionarmos outros dados que serão anunciados, tais como a bateria de dados de conjuntura da China para maio (produção, vendas no varejo, investimentos em ativos fixos urbanos, preço de residências, etc.), pressões para aprovação de plano de infraestrutura nos EUA e lado político local já em plena campanha de 2022, diríamos que os mercados vão ficar à beira de um ataque de nervos.

Alvaro Bandeira é economista-chefe e sócio do banco modalmais