Hoje, os investidores ficaram esperando a divulgação do payroll americano de junho, com a criação de vagas nos setores público e privado e outros indicadores com capacidade de mexer com os mercados, conforme tínhamos antecipado em nosso comentário de abertura. Divulgados pouco antes das aberturas, influíram nos índices futuros positivamente e mercados mantiveram essa tendência por todo o tempo, exceto as Bolsas europeias, que fecharam com pequenas quedas.

Aqui, mesmo com todas as complicações políticas, mas depois de três sessões seguidas de queda, a Bovespa também mostrou recuperação, mas o dólar e os juros seguiram pressionados como estimado e com forte variação. Ontem, em sua live, Bolsonaro falou que a CPI era uma idiotice, ironizou o superpedido de impeachment e voltou a falar do voto impresso, afirmando que, se não tiver, o país entrará em convulsão.

No exterior, o payroll americano de junho veio melhor que a mediana das previsões, com a criação de 850.000 vagas (previsão era de 800.000), mas com a taxa de desemprego em alta para 5,9%. Segundo relato, há um déficit de emprego de cerca de 6,8 milhões de pessoas. O salário médio por hora trabalhada cresceu 0,33% e, no comparativo anual, ficou com alta de 3,58%.

Ainda por lá, o saldo da balança comercial de maio teve déficit de US$ 71,2 bilhões, crescendo em relação ao mês anterior, mas próximo do esperado. Já as encomendas à indústria expandiram 1,7% em maio, bem dentro do previsto. O presidente Biden, sobre o payroll de junho, disse que o acordo bipartidário é o caminho para o projeto de infraestrutura e para competir com o resto do mundo. Acrescentou não ter grande preocupação com o novo surto de covid-19 pela variante Delta.

Apesar da declaração de Biden, a OMS constatou que a variante Delta já foi detectada em 98 países e exige cautela. Nessa linha, Christine Lagarde, do BCE (BC europeu), disse que a recuperação da zona do euro é ainda frágil, tentando reduzir pressões latentes para mudanças na política monetária, e falando de incertezas com a variante Delta. O mesmo BCE quer ampliar a supervisão sobre bancos que tomam muito risco. Já o acordo anunciado pela OCDE (organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), de alíquota mínima global de imposto corporativo, mostra complicação com a recusa da Irlanda e outros.

No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava queda de 0,09%, com o barril cotado a US$ 75,16, com indefinições na reunião da OPEP, mas com aumento de produção. O euro era transacionado em leve alta para US$ 1,185, e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,433%. O ouro e a prata com altas na Comex, e commodities agrícolas com desempenho misto na Bolsa de Chicago. O minério de ferro negociado em Qingdao, na China, teve madrugada de queda de 0,61%, com a tonelada encerrando em US$ 217,98.

No segmento local, o IBGE anunciou que a produção industrial de maio cresceu 1,4%, contra igual período de 2020. Em 12 meses, a alta ficou em 4,9%. Bens de capital expandiram 1,3% no mês, bens de consumo com +1,5% e intermediário com -0,6%, afetado por desequilíbrio de fornecimento. Alimentos com +2,9%, derivados de petróleo com +3% e indústria extrativa foram os destaques positivos, enquanto máquinas e equipamentos com -1,8% foram os negativos. Houve alta em 15 das 26 atividades consideradas, e ainda estamos 16,7% aquém do recorde de produção atingido em maio de 2011.

De certa forma, a produção industrial decepciona por não ter sequer superado a queda do mês anterior de 1,5%, mas confirma que a recuperação prossegue, principalmente por conta das commodities e produção de baixa tecnologia. Já o Ministério da Infraestrutura fechou o semestre com R$ 18,9 bilhões de investimentos contratados com concessões e quer fechar o ano com R$ 100 bilhões (desde 2019), pois já somam R$ 71,1 bilhões desde lá.

No mercado, dia de dólar novamente em alta (começou o dia em queda) de 0,16%, fechando cotado em R$ 5,05. Na Bovespa, na sessão de 30/06, os investidores estrangeiros alocaram recursos no montante de R$ 465 milhões, encerrando o mês de junho com ingressos líquidos de R$ 16,63 bilhões. No ano, as entradas superam as saídas em R$ 48 bilhões.

No mercado acionário, dia de queda da Bolsa de Londres de 0,03%, Paris com -0,01% e Frankfurt com -0,30%. Madri e Milão registraram quedas de 0,34% e 0,01%, respectivamente. No mercado americano, o Dow Jones com +0,45% e Nasdaq, com novo recorde de pontuação intraday (S&P também), ficou em +0,81%. Na Bovespa, dia de +1,56% e índice voltando ao patamar de 127.000 pontos, fechando em 127.621 pontos.

A próxima semana embute em quase todos os dias indicadores aqui e no exterior com capacidade de mexer com os mercados de risco. Aqui, ainda teremos certamente os ruídos do processo político e da reforma tributária, que aumenta a carga de impostos. Além disso, semana mais curta pelo feriado da Revolução Constitucionalista de 1932 na sexta-feira, com a B3 fechada.

Bom final de semana!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais

Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado