Hoje, bem cedo, em nosso comentário de abertura, dávamos a tônica do que esperávamos para os mercados na sessão de hoje. O quadro era de indefinição de tendência, o que acabou acontecendo. Mercados no mundo com quedas, altas e aqui mais para positivo, por conta de Vale, siderúrgicas, petróleo e bancos. Mas ainda assim, trilhamos durante pouco tempo o campo negativo.

Nos EUA, vários dirigentes regionais do FED deram declarações, algumas discordantes. Enquanto Mary Daly (São Francisco) dizia não ser hora de discutir redução de compras de bônus, Kaplan do FED de Dallas, voltava a defender a discussão antecipada sobre compras de ativos. Já Charles Evans, de Chicago, declarou que a desaceleração do payroll americano não deve durar mais de um mês e que a alta de salários não vai provocar inflação sustentável. Não sua visão demorará até que haja dados para mudar a política.

Já o presidente Joe Biden, disse que o governo monitora cuidadosamente o incidente criminoso no duto de transporte de combustíveis e mostra que precisam proteger sua infraestrutura. Disse que em poucos meses de governo já criaram mais de 1,5 milhão de empregos. No Reino Unido, o primeiro-ministro, Boris Johnson, confirmou a meta de relaxamento do lockdown a partir da próxima segunda-feira 17/05.

O dia foi de agenda externa pouco expressiva, onde o noticiário focou muito no ambiente interno e também na forte alta observada pelo preço do minério negociado na China. Segundo o noticiário os estoques nos portos da China estão baixos e na Bolsa de Dalian (em Yuan) o minério bateu limite de alta, enquanto em Qingdao houve alta de 8,63% e com a tonelada encerrando em US$ 230,56.

Ainda no mercado internacional, o petróleo oscilou bastante entre positivo em negativo e o WTI, negociado em NY, mostrava alta de 0,15%, com o barril cotado a US$ 65. Investidores oscilando entre demanda mais fraca e recuperação econômica global. O euro era transacionado perto da estabilidade em US$ 1,216e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,591%. O ouro e a prata com altas na Comex e commodities agrícolas com quedas na Bolsa de Chicago.

No cenário doméstico, a nova pesquisa semanal Focus do Bacen mostrou a inflação oficial novamente em alta para 5,06% em 2021 (anterior em 5,04%), Selic estabilizada no final do ano em 5,50% e PIB em expansão para 3,21% (anterior em 3,14%). O dólar em queda para R$ 5,35 e produção industrial em alta para 5,50%, vindo de anterior em 5,03%. A projeção de déficit em conta-corrente caiu para US$ 1,8 bilhão e saldo da balança comercia estabilizado em US$ 64 bulhões.

O ex-presidente do Bacen, Gustavo Loyola, disse que normalização parcial dos juros é temerária diante das incertezas e que o Bacen deveria sinalizar, mas sem correr risco de limitar o passo futuro e ter que voltar atrás (como no guidance). Segundo ele, sem maiores atritos o câmbio pode encerrar o ano na faixa de R$ 5,10/R$ 5,20. Já Damaso, do Bacen, disse que o agronegócio é um dos segmentos mais pujantes e que o mundo está chegando a quase US$ 1 trilhão para ESG.

No plano político, começaram os novos ruídos com relação ao orçamento secreto de Bolsonaro para cooptar parlamentares para sua base de apoio. Mas esse é só mais um evento que complica a vida do país. No entanto, com a volta dos parlamentares a Brasília amanhã, a situação deve encaroçar um pouco mais.

No mercado, dia de dólar oscilando entre alta e baixa, para encerrar em +0,07% e cotado a R$ 5,232. Na Bovespa, na sessão de 06/05, os investidores estrangeiros voltaram a alocar recursos no montante de R$ 244,8 milhões, deixando o saldo de maio positivo em R$ 878,2 milhões e o ano com ingresso líquido de R$ 20,06 bilhões.

No mercado acionário, dia de queda de 0,08% para a bolsa de Londres, Paris com +0,01% e Frankfurt estável. Madri e Milão mostraram altas de respectivamente 0,94% e 0,78%. No mercado americano, novo recorde intraday do Dow Jones fechando com -0,10% e Nasdaq com -2,55%. Na Bovespa, dia de -0,11% e índice em 121.909 pontos.

Na agenda de amanhã vamos começar com a inflação na China pelo CPI (consumidor) e PPI (atacado) em abril e aqui a inflação oficial de abril pelo IPCA (provável 0,29%), o IPC da primeira quadrissemana, o IGP-M da primeira prévia de maio e a ata do Copom da última reunião que elevou juros da Selic para 3,50%. Nos EUA, a confiança do pequeno empresário de abril e vários discursos de dirigentes do FED.

Boa noite!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais