A agenda de eventos prevista para a semana, junto com a indecisão dos investidores sobre a covid-19, gera forte volatilidade nos mercados de risco pelo mundo, exceto talvez no mercado americano por conta da performance das ações de bancos e principalmente dos segmentos ligados à tecnologia.

Aqui, com o setor bancário meio que amarrado e o petróleo com forte instabilidade no mercado internacional, o dia foi ainda mais complicado.

O petróleo, por exemplo, começou o dia no campo negativo e se recuperou, depois passou ao positivo para voltar mais forte ao negativo. A reunião da Opep que ocorre na semana pode considerar liberar um pouco mais a oferta de produtos, em função da demanda crescendo com a reabertura das economias. Essa postura meio indefinida no curto prazo atinge também o câmbio e juros, além, é claro, o mercado acionário, esse com o início da temporada de balanços do segundo trimestre que está começando e poderá ter boas mudanças pontuais.

Hoje divulgamos um artigo em nosso blog comentando a semana cheia de eventos que poderão mexer com os mercados. Nesse contexto, nas duas últimas horas, o mercado americano perdeu um pouco de tração e a Bovespa chegou a zerar o ganho do dia. Por aqui, já desde a semana passada, notamos que o fluxo local foi reduzido priorizando a troca de posições e IPOs, sem dinheiro novo. Já os investidores estrangeiros seguem sacando recursos da Bovespa, formando picos de retiradas.

Na China, o primeiro-ministro Li Keqiang falou da recuperação programada da economia, mas, segundo ele, a situação segue crítica interna e externamente. Segundo ele, o país está praticando política fiscal proativa e monetária prudente, apesar de a inflação ter declinada recentemente. Hong Kong é que voltou a fazer restrição de circulação por conta de contágio em alta. Nos EUA, o secretário de Trump, Kudlow, falou em um novo pacote de ajuda para ser anunciado e que os acordos da fase 1 de comércio com a China estão mantidos. A nova decisão da Califórnia, sobre novos fechamentos de locais, também pesou sobre os mercados.

O presidente do FED de Dallas, Kaplan, estima que a taxa de desemprego americana no final de 2021 estará entre 7% e 8%, e já consegue visualizar redução do ritmo da economia pela segunda onda da covid-19. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em NY mostrava queda de 2,24%, com o barril cotado a US$ 39,64. O euro era transacionado em alta para US$ 1,134 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 0,64%. O ouro e a prata com altas na Comex e commodities agrícolas com viés de queda na Bolsa de Chicago.

No segmento doméstico, a pesquisa semanal Focus do Bacen mostrou a inflação oficial em alta para 1,72% (anterior em 1,63%), a taxa Selic estável em 2,25% e PIB melhorando para queda de 6,1%, de anterior em -6,5%. Dólar estabilizado em R% 5,20 e saldo da balança comercial subindo para superávit de US$ 54 bilhões (anterior em US$ 53,45 bilhões. Aliás, o superávit de julho até a segunda semana estava em US$ 2,97 bilhões, com o superávit de 2020 já em US$ 25,3 bilhões.

O ministro Paulo Guedes é que reafirmou que seguirá com as reformas estruturantes e que prioriza avançar na adesão a OCDE. Diz que o país sabe que tem que preservar o meio ambiente (tentando mudar a postura anterior), e que deseja apoio para tal. O vice-presidente Mourão jogou pá de cal nos mercados ao dizer que a volta da CPMF tem que ser discutida, apesar de o presidente ser contra.

No mercado dia de dólar em +1,31% e fechando cotado em R$ 5,39. Na Bovespa, na sessão de 9/7, os investidores estrangeiros voltaram a sacar recursos no montante de R$ 1,1 bilhão, deixando o saldo negativo de julho já em R$ 4,13 bilhões e o ano com recorde de saída de R$ 80,4 bilhões.

No mercado acionário, dia de alta da Bolsa de Londres de 1,33%, Paris com +1,73% e Frankfurt com +1,32%. Madri e Milão com altas de respectivamente 1,45% e 1,19%. No mercado americano, dia de Dow Jones com -0,04% e Nasdaq com -2,13%. Perdeu toda alta durante o dia e ainda nos arrastou. Na Bovespa, mercado em queda de 1,33% e índice em 98.697 pontos. Entre máxima e mínima variou 2.200 pontos.

Na agenda de amanhã teremos o IBC-BR de maio, uma prévia do PIB, a produção industrial da zona do euro e a inflação na Alemanha medida pelo CPI (consumidor). Nos EUA, esse mesmo indicador de inflação e o discurso do presidente do FED de ST. Louis, James Bullard.

Boa noite.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais