Hoje foi dia dos mercados acionários lutarem para ficar no positivo, diante de uma agenda cheia de eventos capazes de gerar alterações. Logo cedo tivemos a divulgação de resultados de instituições financeiras com bons lucros anunciados, porém, via de regra com receitas menores. Portanto, acabaram não influindo tanto no comportamento dos preços.

O foco, no entanto, estava na exposição do presidente do FED, Jerome Powell, no Congresso americano, hoje e amanhã. Também cedo tivemos acesso ao texto de Powell, novamente com postura suave sobre inflação, desequilíbrios de oferta, demanda e mercado de trabalho. Em sua fala disse que os EUA ainda estão longe do pleno emprego ao redor de 3,5%, que a inflação estava alta, mas que era transitória e retrocederia, e que também poderia usar os instrumentos disponíveis. Reafirmou que irá avisar com antecedência sobre tapering e que as discussões devem prosseguir na próxima reunião.

Tivemos também a divulgação de observações do Livro Bege, mostrando que a economia acelerou moderadamente entre o final de maio e início de junho, os problemas de ofertas de insumos se disseminaram mais, com alta moderada do emprego, salários e custo de construção subindo. Já o presidente Biden tem encontro hoje com governadores e prefeitos para discutir o pacote de infraestrutura, já com aval dos parlamentares do partido democrata.

Nos EUA, tivemos a divulgação da inflação medida pelo PPI (atacado) de junho em alta de 1% e núcleo também em +1%, quando a previsão girava ao redor de 0,5%. Mas os investidores já esperavam por algo assim.  Já o banco central do Canadá anunciou manutenção dos juros básicos em 0,25%, mas vai reduzir a compra de ativos. Na Alemanha, o ministro da Economia diz ver aceleração na recuperação do país e puxando países da zona do euro.

A China disse estar preparando lançamento de mercado de carbono para reduzir emissão. No mercado internacional, o petróleo WTI encerrou com queda de 2,82% (depois de ter mostrado alta), com o barril cotado a US$ 73,13, depois de acordo firmado na OPEP+ de ampliar oferta de óleo em 3,5 milhões de barris/dia. Os estoques de gasolina cresceram na semana anterior nos EUA e ajudaram na queda. O euro era transacionado em alta para US$ 1,183 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,348%. O ouro e a prata com altas na Comex e commodities agrícolas com viés positivo na Bolsa de Chicago. O minério de ferro negociado em Qingdao, na China, com leve alta de 0,08% e com a tonelada em US$ 218,66.

No segmento local foi anunciado o IBC-Br de maio, uma prévia do PIB, com queda de 0,43% e em 2021 mostrando alta de 6,6%. Em 12 meses, alta de 1,07%, ficando abaixo do esperado pelos analistas. No comparativo com o trimestre anterior registrou contração de 0,30%. A equipe econômica mudou a projeção de crescimento do PIB em 2021 de 3,50% para 5,20% e a inflação subindo em 2021 para 5,90%.

O ministro Paulo Guedes deu entrevista falando sobre o ajuste neutro em relação ao capital, que a ideia é não arrecadar mais, que a primeira versão tinha doses erradas, que vai baixar o IRPJ em 10% e tributar dividendos, inclusive para fazer caixa para dispêndios com o novo Bolsa Família, previsto em R$ 50 bilhões em 2022. Espera que as reformas (tributária e administrativa) sejam aprovadas ainda no ano de 2021.

O Bacen também divulgou o fluxo cambial até 09/07 com ingresso de US$ 808 milhões (pelo canal financeiro, saída de US$ 1,74 bilhão), e acumulando ingresso líquido em 2021 de US$ 16,15 bilhões A posição líquida cambial estava em US$ 274,7 bilhões.

No âmbito político, Bolsonaro surpreendeu com internação para exames em Brasília e está sendo transferido para São Paulo, onde pode ser novamente operado, ainda como consequência da facada recebida. Isso dá maior trégua na tensão existente. Já o Congresso, quer acelerar votações ainda antes do recesso de sexta-feira e aparentemente a recepção das mudanças ficou mais fácil de serem absorvidas.

No mercado, dia de dólar em forte queda no mercado local e também no exterior. O dólar encerrou o dia cotado a R$ 5,08, em queda de 1,87%. Na Bovespa, na sessão de 12/07, os investidores estrangeiros ingressaram com R$ 1,01 bilhão, quase zerando a saída do mês (-R$ 200 milhões) e entrada líquida no ano subindo para R$ 47,9 bilhões.

No mercado acionário, dia de queda na Bolsa de Londres, de 0,47%, Paris e Frankfurt estáveis. Madri registrou perda de 0,42% e Milão com alta de 0,15%. No mercado americano, a queda do petróleo influenciando deixou o Dow Jones com +0,13% e Nasdaq com -0,22%. Na Bovespa, dia de muita oscilação e briga para fechar no campo positivo, e no final encerrou com +0,19% e índice em 128.406 pontos, fazendo máxima em 129.619 pontos.

Na agenda de amanhã começamos com a bateria de dados da China do mês de junho. Aqui, agenda vazia e nos EUA, os índices de atividade de NY e de Filadélfia de julho, os pedidos de auxílio-desemprego da semana anterior e discurso de Charles Evans, do FED de Chicago.

Boa noite!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais
Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado