Conforme relatamos nos comentários de abertura, os investidores passaram boa parte do dia esperando pela decisão do FOMC do FED, que saiu às 15 horas e passaram a aguardar a coletiva do presidente Jerome Powell. Aqui mercados também se movimentaram positivamente, mas a decisão do Copom só sairá depois de pregão encerrado.

Como esperado, o FED manteve a política monetária inalterada, o que significa juros entre zero e 0,25%, explicitando que deve permanecer assim até 2023, conforme mostra o gráfico das previsões dos membros. Reforçou que vai aceitar um período de inflação acima da meta de 2,0%. Outro fator positivo foi a mudança de previsão para o PIB que agora passa a ser de queda em 2020 de 3,7%, quando anterior estava em 6,5%. Para 2021, estimou PIB crescendo 4,0%, de anterior em +5,0%. A taxa de desemprego prevista para o final de 2020 é agora de 7,6% (antes era 9,3%), caindo para 5,5%, em 2021. Já sobre inflação estimam PCE (deflator de preços do consumo) subindo em 2020 para 1,2% (antes 0,8%) e só chegando em 2,0% em 2023.

Como dissemos, mercados reagiram com melhora contida ao comunicado, mas como tem acontecido nas últimas reuniões, cederam na coletiva de Jerome Powell. Powell disse que a economia se recupera melhor que o previsto, mas alguns setores vão demorar um pouco mais para voltarem ao nível de antes da pandemia. Segundo ele, agora terão maior flexibilidade para atuar em prol da redução do desemprego.

Ainda nos EUA as vendas no varejo de agosto expandiram 0,6%, mas a previsão era alta de 1,1%. Sem o setor automotivo a expansão foi de 0,7%. Lá a confiança dos construtores subiu em setembro para 83 pontos, quando a previsão era que ficasse em 78 pontos. Os estoques de petróleo em queda na semana anterior em 4,4 milhões de barris, bem mais que o esperado justificou a forte alta do óleo no mercado internacional, além do fato de o furacão Sally ter ganho força próximo da Flórida.

A União Europeia também segue com estímulos com declarações que a recuperação está em fase inicial e não é o momento de cortes nas políticas traçadas. Já o FMI identifica que não haverá estabilidade econômica sem lidar corretamente com as questões climáticas. O Reino Unido em reunião com os EUA reforçou a intenção de um grande acordo comercial.

No Japão, o novo primeiro-ministro Suga prometeu esforços para acabar com a pandemia e retomada da economia, mas não muda muito da postura de Shinzo Abe. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em NY mostrava alta de 4,96%, com o barril cotado a US$ 40,18. O euro era transacionado em leve queda para US$ 1,183 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 0,68%. O ouro em alta e a prata em queda na Comex e commodities agrícolas com comportamento de alta na Bolsa de Chicago. O minério de ferro negociado na China teve dia de queda de 3,36%, com a tonelada em US$ 124,20, e segurando o preço das ações da Vale e siderúrgicas.

No segmento doméstico, foi muito comentada a saída do secretário de economia Waldery, depois de Bolsonaro ter ameaçado cartão vermelho. A FGV divulgou o IPC-S da segunda quadrissemana de setembro com alta para 0,58% e também o IGP-10 de setembro com alta forte de 4,34%, vindo de anterior em 2,53%. Com isso, o IGP-10 acumula alta nos nove meses do ano de 13,98% e em 12 meses com +17,03%.

A Bacen também anunciou o fluxo cambial até 11/09 negativo em US$ 568 milhões, acumulando no ano saídas de US$ 15,78 bilhões e com fluxo financeiro negativo de US$ 48,5 bilhões. Os ganhos com operações de swap em setembro estavam em R$ 6,1 bilhões e a posição cambial líquida era de US$ 299 bilhões.

No mercado, dia de dólar em queda de 0,83% e cotado a R$ 5,239. Na Bovespa, na sessão de 14/09, os investidores estrangeiros voltaram a sacar recursos no montante de R$ 448,5 milhões, deixando o saldo de setembro negativo em R$ 1,67 bilhão e o ano de 2020 com saídas líquidas de R$ 87, 0 bilhões.

No segmento acionário, queda da Bolsa de Londres de 0,44%, Paris em alta de 0,13% e Frankfurt com +0,29%. Madri com valorização de 1,06% e Milão com +0,04%. No mercado americano, dia de alta do Dow Jones de 0,13% e Nasdaq com -1,25%.

Na Bovespa, mercado pressionado pelo ambiente político e estresse de investidores com equipe econômica, tivemos dia de queda de 0,62% e índice em 99.675 pontos.

Na agenda de amanhã, teremos o IPC da Fipe da segunda quadrissemana de setembro, a inflação na zona do euro em agosto e a decisão do BOE (BC inglês) sobre política monetária. Nos EUA, a construção de novas residências em agosto e permissões, o índice de atividade industrial de Filadélfia de setembro e os pedidos de auxílio desemprego da semana anterior.

Boa noite.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais