No segundo pregão consecutivo de alta, os mercados acionários buscaram reparar parte das perdas do início da semana. A grande preocupação foi sempre o comportamento da inflação, e o que isso poderia trazer de consequências sobre o nível dos juros, principalmente nos EUA, depois da divulgação de forte inflação no mês de abril. Aqui, além desse efeito, ainda tivemos a divulgação de resultados do primeiro trimestre, as confusões políticas e quadro fiscal deteriorado.

No cenário externo, consultores econômicos da Casa Branca voltaram a versa sobre inflação temporária e que não requer ação do FED para o momento. Segundo o governo americano, não há fatores estruturais que levem a inflação a ficar fora do controle e que o FED não possa controlar. Isso ajudou a acalmar os investidores, apesar de dados de conjunturas mais fracos.

Nos EUA, foram anunciadas as vendas no varejo de abril, estáveis em relação ao mês anterior (sem veículos -0,8%), quando o previsto era expansão de 0,8%. A produção industrial de abril cresceu 0,7%, de previsão de +0,8%, mas com a referente ao mês de março revisada para +2,4%, de anterior divulgada em +1,4%. A confiança do consumidor de Michigan também encolheu na prévia de maio para 82,8 pontos, vindo de 88,3 pontos, e com previsão de ser 90,1 pontos. A inflação em alta pesou na confiança do consumidor. O Senado americano prepara um pacote de US$ 52 bilhões para produção de chips e pesquisas.

Já o BCE, avalia que a vacinação mais forte em andamento e retirada de restrições sustentam expectativas melhores para o segundo semestre de 2021, e o comitê concorda que as condições financeiras ficaram estáveis desde março. Com isso, os investidores seguiram acreditando que a política monetária não será alterada no médio prazo e as bolsas reagiram em alta. A União Europeia é que enxerga na recuperação econômica pós-covid-19 uma oportunidade para fortalecer a presença do bloco de países.

No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava alta de 2,41%, com o barril cotado a US$ 65,36. O euro era transacionado em alta para US$ 1,215 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,637%. O ouro e a prata em alta na Comex e commodities agrícolas com viés negativo e realizando lucros recentes na Bolsa de Chicago. O minério de ferro negociado em Qingdao, na China, é que tombou 12,1% durante a madrugada, com a tonelada em US$ 208,79, e afetado por boatos de que o governo faria intervenção, depois de seguidas altas.

No cenário doméstico, nenhum indicador importante foi divulgado, ficando os mercados ao sabor do desempenho externo, da safra de resultados do primeiro trimestre causando rotação de posições e encrencas políticas. Petróleo em alta e o resultado da Petrobras garantiram boa performance das ações da empresa, enquanto Vale e empresas siderúrgicas acusaram o golpe da queda do minério na China, inibindo maior recuperação do mercado.

O presidente do Bacen, Campos Neto, falou em encontro, assim como Bruno Serra. Campos Neto disse estarem resolvendo a autonomia do Bacen com o STF, mas que isso gera insegurança momentânea. Reconheceu que o Brasil tem um dos piores casos de dívida bruta pós-pandemia entre os emergentes, e isso, apesar de sabido, assusta por conta da necessidade de ajustes fortes.

De outra feita, a decisão de ontem do STF sobre ICMS modulado, vai bater mais ainda no quadro fiscal, apesar de o cálculo de impacto ser difícil, e pode acelerar a reforma tributária para buscar recursos com alíquotas maiores. Isso gera muita incerteza jurídica. O STF fez hoje maioria para adiar o censo populacional para 2022. Já o governo, ignorou a recomendação da Anvisa de proibir voos da Índia, feita a cerca de 10 dias. A popularidade do governo voltou a cair na pesquisa Modalmais /AP Exata. Avaliam como ruim ou péssima 47,4%, contra 28,1% de ótima ou bom, aferida nas redes sociais e sendo afetada pelo orçamento secreto.

No mercado local, o dólar teve dia de nova queda, no encerramento mostrava -0,80% e cotado a R$ 5,70. Na B3, na sessão de 12/05, os investidores estrangeiros sacaram recursos no montante de R$ 1,2 bilhão, deixando o saldo de maio ainda positivo em R$ 4,28 bilhões e no ano o com ingresso líquido de R$ 23,5 bilhões.

No mercado acionário, dia de alta na Bolsa de Londres de 1,15%, Paris com +1,54% e Frankfurt com +1,43%. Madri e Milão com altas de respectivamente 1,98% e 1,14%. No mercado americano, o Dow Jones com alta de 1,06% e Nasdaq com +2,32%. Na B3, a alta de Petrobras puxando o mercado, Vale e siderúrgicas empurrando para baixo. No final, o Ibovespa registrou alta de 0,97% e índice em 121.875 pontos.

 

RESUMO DA SEMANA

IBOVESPA: ESTÁVEL

DOW JONES: -1,13%

NASDAQ: -2,34%

DÓLAR: +0,78%

PETRÓLEO WTI: +0,71%

Bom final de semana e se cuidem!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais