Ontem a Bovespa interrompeu sequência de três pregões seguidos de queda, quando entre máxima e mínima chegou a cair quase 5%. Fechou com alta de 0,81% e índice em 125.401 pontos, enquanto o dólar mais fraco encerrou com perda de 0,37% e cotado a R$ 5,23. Os mercados no exterior também ajudaram em alta, assim como o petróleo.

Hoje, os mercados repetem a abertura positiva de ontem, em novo dia de agenda fraca aqui e no exterior. Bolsas da Ásia terminaram o dia com viés positivo e destaque para Xangai com +0,73%, Europa com altas acima de 1% nesse início de manhã e futuros do mercado americano também com valorizações. Aqui seria bom caminhar na direção dos 127.000 pontos do Ibovespa, quando teríamos maior consistência do movimento de recuperação.

Alguns fatores, no entanto, podem interferir no comportamento. A safra de balanços já anunciada nessa manhã mostra bons resultados e altas das ações no pré-mercado americano. J&J lucro no segundo trimestre US$ 6,3 bilhões, Coca-Cola com US$ 2,6 bilhões e Verizon com lucro de US$ 5,9 bilhões. Os EUA também mostram os estoques de petróleo e derivados na semana anterior, e o petróleo tem formado o comportamento dos mercados, depois da decisão da OPEP de elevar a oferta de óleo. Mas o principal fator segue sendo a contaminação em alta pelo covid-19.

Nos EUA, 80% das novas contaminações foram pela variante delta do covid-19 e em pessoas ainda não vacinadas. Mas o infectologista Fauci diz que vacinas estão se mostrando eficazes, principalmente pela menor internação hospitalar e óbitos. O BOJ (BC japonês) divulgou a ata da última reunião de política monetária e diz que a economia está melhorando, mas há muita incerteza e que pode voltar a realizar ações de flexibilização, na contramão de outros bancos centrais importantes.

Nos EUA, na véspera do prazo dado por Schumer para decisão, os senadores correm para tentar fechar acordo no pacote de infraestrutura de US$ 3,5 trilhões, que Biden fala ser imprescindível para ampliar a competição e reduzir custos. No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava alta de 1,10%, com o barril cotado a US$ 67,94. O euro era transacionado em leve queda para US$ 1,17 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros em alta para 1,26%. O ouro em queda e a prata com alta nas negociações da Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago.

Aqui, Marcelo Ramos, vice-presidente da Câmara, avalia os processos de impeachment contra Bolsonaro e diz que se a Câmara não impuser limites, Bolsonaro pode avançar contra a democracia, num novo round entre ele e o presidente. Já Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, diz que um terceiro impeachment seria negativo para o país, e tenta colocar panos quentes no segmento político em recesso. Os caminhoneiros é que avaliam a possibilidade de iniciarem greve já a partir do próximo domingo, lembrando que eles sempre foram importantes na base de apoio popular de Bolsonaro.

Num dia de agenda vazia onde o Bacen anuncia o fluxo cambial da semana anterior e nos EUA, teremos os estoques de petróleo e derivados na semana anterior, pelo Departamento de Energia, a expectativa é de Bovespa em alta e seguindo o exterior, dólar ainda forte no exterior pode influir aqui e juros com viés de queda.

Bom dia e bons negócios!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais