Mercados seguem com movimentos oscilantes entre a ampliação do apetite ao risco por conta de vacinação maciça, reabertura das economias, momentos de preocupação com a inflação ascendente e juros em alta. Isso, mesmo considerando que nas últimas sessões os treasuries americanos tiveram boas quedas.

Também temos que considerar que dirigentes de bancos centrais têm se esmerado em repetir que a inflação é na maior parte transitória e decorre da própria reabertura da economia e descompasso entre oferta e demanda, já que essa andava algo reprimida. Também dizem que em algum momento no futuro terão que debater sobre a flexibilização monetária, mas até aí nenhuma novidade, e que esse momento ainda não chegou.

Ou seja, o quadro parece bem mais otimista, mas não anda seduzindo muito os investidores, pelo menos ao ponto de formar tendência francamente mais positiva para os mercados de rico. Há grande preocupação com o nível de endividamento de empresas e países espalhados pelo mundo, o que indica que mais para frente teremos problemas de falências e inadimplência. Mas parece haver prazo para melhor adequação, pois, mudanças na Europa e EUA não parecem para curto ou médio prazo. Assim, seguimos dançando um bolero de “dois prá lá e dois prá cá”.

No exterior, a China disse que planeja monitorar preços de commodities e serviços pelos próximos anos, mas o minério de ferro recuperou um pouco das recentes quedas na sessão de hoje. Nos EUA, a confiança do consumidor do Conference Board de maio caiu para 117,2 pontos, de anterior em 117,5 pontos e as vendas de casas novas encolheram 5,95 em abril.

O FMI disse ser possível estabelecer meta de vacinar 40% da população global em 2021, e que a aceleração da vacinação pode garantir aumento do PIB global de US$ 9 trilhões até 2025. Mas teme que os emergentes possam se tornar berçário de variantes e ameaçar recuperação. Já a União Europeia disse estar no caminho de cumprir meta de vacinar 70% da população até julho.

Nos EUA, vários dirigentes do FED voltaram a falar e Charles Evans, do FED de Chicago, disse não ver sinais de inflação para mudar a política monetária. Já o vice-presidente, Clarida, disse que os dados econômicos estão especialmente confusos e que dispõem de ferramentas para domar a inflação, caso seja necessário. Nos EUA, 50% dos adultos já estão completamente vacinados.

No mercado internacional, o petróleo WYTI, negociado em NY, mudou de direção para positivo ao longo do dia e era negociado em leve queda de 0,15% no encerramento, com o barril em US$ 65,95, depois de ter passado boa parte da manhã em queda. O euro era transacionado em alta para US$ 1,225 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros em queda para 1,564. O ouro e a prata com altas na Comex e commodities agrícolas com viés de queda na Bolsa de Chicago. O minério de ferro negociado em Qingdao, na China, interrompeu forte queda recente e encerrou na madrugada com leve alta de 0,23% e a tonelada em US$ 192,87.

No segmento doméstico e no âmbito político os presidentes da Câmara e do Senado falaram em seminário, assim como o presidente do Bacen. Arthur Lira disse que vão mudar o Brasil e que não tem medo de tombo ou de coice. Defende o fatiamento da reforma tributária e que não vão tocar nos direitos adquiridos na reforma administrativa. Já Rodrigo Pacheco (Senado) defende ampla reforma tributária e um erro seria fatal, mas também tem posição semelhante à de Lira sobre direitos dos servidores. Campos Neto se disse feliz com as declarações dos políticos sobre reformas nesse ano de 2021 e anotou a volta da confiança da população. Também vê a inflação como transitória e fechará o ano na meta.

A FGV divulgou que a confiança do consumidor subiu 3,7 pontos para 76,2 pontos e o IBGE divulgou a prévia da inflação oficial pelo IPCA-15. A inflação de maio desacelerou para 0,44% (anterior em 0,66%) acumulando no ano, 3,27% e em 12 meses com 7,27%. A média dos núcleos subiu 0,37% e a difusão expandiu para 67,5%, de anterior em 61,04%. Gastos com saúde e produtos farmacêuticos foram destaques de alta.

No mercado, dia de dólar encerrando em +0,23% e cotado a R$ 5,337. Na B3, na sessão de 21/05, os investidores estrangeiros voltaram a alocar recursos no montante de R$ 795,6 milhões, deixando o saldo positivo de maio em R$ 8,6 bilhões e o ano de 2021 com ingresso líquido de R$ 27,8 bilhões.

No mercado acionário, dia de queda da Bolsa de Londres de 0,31%, Paris com -0,28% e Frankfurt com +0,18%, voltando de feriado. Madri fechou com alta de 0,03% e Milão praticamente estável com +0,01%. No mercado americano, muitas oscilações entre positivo e negativo com o Dow Jones fechando em -0,24% e Nasdaq com -0,03%. Na B3, dia de -0,84% e índice retornando para 122.987 pontos.

Na agenda de amanhã teremos o INCC da construção civil de maio e a confiança do setor. Sai a nota do setor externo de abril e de mercado aberto e o fluxo cambial da semana anterior. Nos EUA o relatório da dívida pública de abril, os estoques de petróleo e derivados da semana anterior pelo departamento de energia e discursos de dirigentes do FED.

Boa noite!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais

Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado