Ontem, os mercados domésticos tiveram desempenho comparativamente melhor que outros no exterior, mas hoje voltamos à situação normal de pior comportamento, sem fixar tendência mais definitiva. Ontem, nossa interpretação era somente um ajuste técnico, o que parece ter sido confirmado.

Bem verdade que o exterior também não ajudou muito na sessão de hoje, exceto talvez pelo petróleo, que voltou a mostrar alta e estava cotado acima de US$ 68, por conta de queda dos estoques nos EUA na semana passada acima do previsto.

No exterior, o PBOC aumentou a injeção de recursos no sistema financeiro para aliviar preocupação com aperto. A China também reabriu terminal portuário (o segundo mais importante do país), que tinha sido fechado devido à pandemia de covid-19. Falando nisso, a OMS registrou estabilidade dos casos de infecção e óbitos na semana passada, enquanto, no Japão, houve expansão do estado de emergência para mais 8 prefeituras, o que deve continuar pressionando a economia.

Nos EUA, as encomendas de bens duráveis encolheram 0,1% em julho, de previsão de redução de 0,5%. Os estoques de petróleo também caíram 3 milhões de barris, de previsão de -2,4 milhões. Isso mexeu com preços em alta do barril de óleo no mercado internacional. Mas os investidores seguem aguardando a abertura do simpósio de Jackson Hole e a fala de Jerome Powell na sexta-feira para adotar postura mais definitiva em relação ao posicionamento de carteiras.

No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava alta de 0,80%, com o barril cotado a US$ 68,08. O euro era transacionado em leve alta para US$ 1,176, e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,34%, depois de leilão de treasuries de 5 anos. O ouro e a prata operavam com quedas na Comex, e commodities agrícolas com desempenho mais positivo na Bolsa de Chicago. O minério de ferro negociado em Qingdao, na China, em mais um dia de alta (menor) de 1,73%, com a tonelada negociada em US$ 148,66.

No segmento doméstico, um dia de agenda cheia, comemorada pelo ministro Paulo Guedes (em alguns indicadores somente). A prévia da inflação de agosto pelo IPCA-15 registrou alta de 0,89% (anterior em 0,72%), a maior para o mês desde 2002, acumulando 5,81% no ano e, em 12 meses, +9,30%, a maior desde maio de 2016. A difusão também aumentou para 73,3%, de anterior em 62,4%. A energia, com +5%, foi a vilã, causando impacto de 0,23% no índice.

O Bacen divulgou o fluxo cambial até 20/08 em +US$ 4,61 bilhões e pelo canal financeiro +US$ 2,44 bilhões. A posição vendida em dólares dos bancos encolheu para US$ 9,1 bilhões, de anterior em US$ 13,53 bilhões. O IDP (investimento direto no país) em julho foi de US$ 6,1 bilhões e agosto projeta US$ 5,8 bilhões. Os investimentos em ações no país foram negativos em US$ 2,02 bilhões em julho e, até 20/08, tinham ingressado US$ 296 milhões. A dívida pública federal atingiu R$ 5,4 trilhões em julho, com + 1,24%. A participação de estrangeiros declinou para 9,67% e a emissão líquida em 2021 já atinge R$ 180 bilhões.

Já a Receita Federal mostrou arrecadação de R$ 171,3 bilhões em julho, com alta real contra igual período de 35,5% e contra o mês anterior com +23,7%. No ano, a arrecadação acumula R$ 1,05 trilhão, com alta real de 26,1%. Paulo Guedes disse que a arrecadação mostra retomada vigorosa, mas também agrega o viés perigoso de estimular a gastança e paralisar reformas essenciais. Querem entender?

Com a reforma tributária empacada, deputados estão pedindo a extensão da desoneração da folha de pagamentos. Os mercados também aguardam coletiva do MME (Ministério de Minas e Energia) sobre mitigar a crise hídrica, mas o governo, por sua vez, já editou decreto cobrando redução de 10% no consumo de energia pela administração pública federal, começando em setembro e indo até abril, na maior crise hídrica do país em 91 anos.

O ministro Queiroga anunciou a terceira dose da vacina contra covid-19 para maiores de 70 anos já a partir de 15/09, provavelmente, usando a vacina da Janssen. No mercado, dia de dólar oscilando perto da estabilidade, depois de abrir em boa queda e fechando com -0,95% e cotado a R$ 5,21. No segmento Bovespa da B3, na sessão de 23/08, os investidores estrangeiros sacaram R$ 195,6 milhões, deixando o saldo positivo de agosto em R$ 7,35 bilhões e o ano com ingressos líquidos de R$ 47,1 bilhões.

No mercado acionário, dia de alta de 0,34% na Bolsa de Londres, Paris com +0,18% e Frankfurt com queda de 0,28%. Madri e Milão com altas de 0,32% e 0,12%, respectivamente. No mercado americano, o Dow Jones encerrando com +0,11% e Nasdaq com +0,15%. Na Bovespa, dia de alta de 0,50% e índice em 120.817 pontos, com Petrobras ajudando o processo de recuperação.

Na agenda de amanhã, teremos a inflação medida pelo INCC de agosto (construção) e a confiança do setor de construção. Nos EUA, os pedidos de auxílio desemprego da semana anterior, nova leitura do segundo trimestre do PIB americano, índice de atividade industrial de Kansas de agosto e o início da reunião de Jackson Hole, dos bancos centrais. Na China, durante a noite, o lucro das empresas em julho.

Boa noite!

Alvaro Bandeira
Economista-chefe do banco digital modalmais