Hoje foi daqueles dias em que os investidores se basearam naquele ditado que diz “cada cabeça uma sentença”. Os mercados da Ásia tiveram madrugada de boas altas com Hong Kong e Tóquio como destaques. A Europa trabalhou ainda no campo positivo, mas transitando perto da estabilidade e mercado americano com pequenas valorizações. Aqui, o dia foi ruim por conta da divulgação do resultado de Itaú no segundo trimestre, preço do petróleo só firmando alta no final da sessão e as ações da Vale objeto de grande operação de block trade.

No âmbito externo, está difícil os democratas e republicanos chegarem a um acordo sobre novo pacote de estímulos fiscais que deveria ficar ao redor de US$ 1 trilhão. Donald Trump advertiu que poderia agir sozinho, e o secretário Kudlow embarcou nisso sugerindo que o presidente poderia aplicar medidas de estímulo por pelo executivo. O secretário do Tesouro, Mnuchin, é outro que vê democratas e republicanos ainda longe de um acordo.

Nos EUA, as encomendas à indústria de junho vieram bem melhores que o previsto, mostrando expansão de 6,2%, quando o esperado era +4,9%. Ex-transporte, a expansão foi de 4,4%. A Argentina é que conseguiu fechar acordo com credores abrindo espaço para reestruturar sua dívida, e voltar, inclusive, a buscar acordo com o FMI.

No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em NY mostrava alta de 1,61%, com o barril cotado a US$ 41,67, depois de ter começado o dia com queda. A expectativa é de encolhimento dos estoques americanos na semana anterior. O euro era transacionado em leve alta para US$ 1,178 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 0,51%. O ouro e a prata em dia de maior aversão ao risco tiveram boas altas na Comex e a cotação do ouro em rali manteve acima de US$ 2 mil por onça troy. Commodities agrícolas na Bolsa de Chicago com viés de queda. Na China, o minério de ferro teve mais um dia de alta de 1,59%, com tonelada em US$ 117,88.

O minério de ferro em mais um dia de alta não foi suficiente para manter as cotações das ações da Vale em alta, já que a empresa foi objeto de operação de block trade do BNDES de 2,56% do capital, em lote que acabou sendo ampliado, e gerando recursos de R$ 8,1 bilhões. Logo após, a operação as ações da empresa ainda subiam, mas acabou cedendo pela preocupação dos investidores com as discussões sobre reforma tributária, especialmente a reedição possível da CPMF. O CDS Brasil (Credit Default Swap) de cinco antes voltou a subir com o temor fiscal.

O IBGE mostrou a produção industrial do mês de junho melhor que o previsto com expansão de 8,9% e queda contra igual período de 2019 de 9%. No ano, a produção industrial mostra contração de 10,9% e no segundo trimestre queda de 17,5%. Estamos ainda 27,7% abaixo do pico ocorrido em maio de 2011, mas mesmo assim houve avanço em 24 de 26 atividades consideradas.

Assustou também os investidores, a preparação pelo Senado de uma pauta bomba para a próxima semana quando podem discutir e votar a limitação de juros do cheque especial e do rotativo do cartão de crédito. A Câmara também iniciou sessão em que deve votar a MP 946, aquela que amplia saques nas contas do FGTS. A pauta acabou caindo e a MP pode caducar.

O dólar oscilou bastante durante todo o dia chegando perto de R$ 5,38, para terminar o dia em queda de 0,37% e cotado a R$ 5,29. Na Bovespa, na última sessão de julho, os investidores estrangeiros sacaram recursos de R$ 1,84 bilhão (o maior desde 15/05), fechando o mês com saídas líquidas de R$ 8,41 bilhões e o ano com fluxo negativo de R$ 84,91 bilhões.

No mercado acionário, dia de quase estabilidade da Bolsa de Londres (+0,05%), Paris com +0,28% e Frankfurt com -0,36%. Madri e Milão com altas de respectivamente 0,73% e 1,21%. No mercado americano, dia de Dow Jones com +0,62% e Nasdaq com +0,35%. Na Bovespa, queda de 1,57% e índice em 101.215 pontos. Destaque para Vale que ainda conseguiu fechar no campo positivo com +0,73%.

Na agenda de amanhã teremos o IC-Br de julho das commodities e o fluxo cambial da semana anterior. Mas a expectativa recai sobre a decisão do Copom sobre política monetária com quase consenso de queda da Selic para 2%. Nos EUA, a pesquisa ADP sobre criação de vagas no setor privado (antecede o Payroll que sai na sexta-feira e saldo da balança comercial de junho, além de discurso de dirigente do FED de Cleveland.

Boa noite.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais