O dia parece ser de tentativas de recuperação nos mercados da Europa, futuro do mercado americano e aqui depois de dois pregões negativos. E a quase perda do patamar de 125.000 pontos do Ibovespa. Mas tensões prosseguem.

Ontem o dia foi ruim para os mercados de risco em todo o mundo e aqui não foi diferente, com a Bovespa encerrando com queda de 1,44% e índice em 125.094 pontos. O dólar teve dia de forte pressão por conta do risco político interno e fechou com valorização de 2,39% e a moeda americana retornou ao patamar de R$ 5,21.

Hoje, os mercados da Ásia terminaram o dia majoritariamente com quedas, mas as Bolsas europeias tentam alguma recuperação, mas já um pouco afastadas das máximas registradas. Os índices futuros do mercado americano também operando levemente com altas. Aqui, ameaçamos perder a faixa de 125.000 pontos e a próxima zona de suporte estaria na casa de 122.000 pontos. Mas isso pode não acontecer até por conta do petróleo em alta no exterior ajudando as ações de Petrobras por aqui.

Na Alemanha, a produção industrial de maio encolheu 0,3%, quando o previsto era alta de 0,5%. Já a União Europeia, melhorou suas previsões e agora trabalha com alta do PIB em 2021 de 4,8% (anterior em +4,3%) e 2022 com +4,5% (de 4,4%). A inflação também subiu nas previsões de 2021 para 1,9%, de anterior em +1,7%. Inflação de 2022 estimada em +1,4%.

Na China, as reservas internacionais em junho encolheram para US$ 3,21 trilhões, mas ainda assim maiores que o previsto. Já o FMI, considerou que a vacinação em áreas de maior risco pode salvar cerca de 500 mil vidas e o apoio do G-20 e importante para vacinar 40% do mundo até o final de 2021. Também voltou a afirmar que a alta de juros nos EUA pode significar saída de capitais de países emergentes.

No mercado internacional, dia de alta do petróleo WTI, negociado em NY, de 1,66%, com o barril recuperando perdas de ontem e cotado a US$ 74,59. O euro era transacionado em leve queda para US$ 1,182 e notes americanos de 10 anos mantendo juros em queda para 1,34%. O ouro e a prata com altas na Comex e commodities agrícolas também com altas na Bolsa de Chicago.

Aqui, o ministro Paulo Guedes quer cortar subsídios no montante de R$ 40 bilhões, o que poderia reduzir 10% a cobrança de impostos de empresas. Mas o clima político segue complicado com inúmeras críticas contra os ajustes no imposto de renda. A tributação de dividendos estimula o endividamento das empresas, restringe a mobilidade do capital, tem viés econômico negativo, aumenta a carga fiscal e onera a classe média, sempre a sacrificada. Além disso, pode acelerar a saída de capitais.

A FGV anunciou o IGP-DI de junho com desaceleração para 0,11%, vindo de 3,4%, acumulando inflação no ano de 14,26% e em 12 meses de 34,53%. Matérias-primas brutas caíram 2,40% e o IPA agrícola com -2,10%, enquanto o industrial subiu 0,40%. A Câmara aprovou ontem o PL que permite a quebra de patentes de vacinas e Bolsonaro disse que o vice-presidente bom é aquele que não aparece, numa visão estreita de governo, e indicou André Mendonça para a vaga de Marco Aurélio no STF, que se aposenta neste mês.

Na agenda do dia ainda teremos indicadores com capacidade de mexerem com os mercados e no meio da tarde sairá a ata da última reunião do FOMC do FED que pode trazer luzes sobre o futuro da flexibilização monetária e taxa de juros. Expectativa para o dia de Bovespa podem reagir em alta, dólar podendo realizar (mas segue forte no exterior) e juros em queda.

Bom dia e bons negócios!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais