O dia ainda começou meio indeciso nos principais mercados de risco do mundo, mas, aos poucos, foram ganhando forma positiva. Investidores bem preocupados com a contaminação pela covid-19, mas, ao mesmo tempo, fazendo fé nas vacinas que estão em desenvolvimento. A China, por exemplo, anunciou que o Coronavac teria eficácia de 97%, se juntando a Pfizer e a Moderna, e a França quer iniciar vacinação massiva da população já em janeiro.

Aqui, além dessa preocupação de aumento de contágio e hospitais voltando a ter fluxo de internação, os investidores se preocupam com a questão fiscal em deterioração e com a possibilidade de dominância fiscal, que pode complicar a vida do Bacen na política monetária. As questões ambientais também preocuparam, depois das declarações de Jair Bolsonaro na reunião virtual dos BRICS, se contrapondo a postura de Xi Jinping da China.

Mas o noticiário do dia foi melhorando e com ele os mercados. Democratas querendo retomar negociação de pacote fiscal, Nancy Pelosi prometida para mais um mandato na Câmara americana, Japão mantendo compra de fundos em Bolsa e Alemanha pedindo entendimento para aprovação de pacote de 1,8 trilhão de euros.

Nos EUA, a construção de novas residências de outubro expandiu mais que o esperado em 4,9%, quando a projeção era +2,5%. Novas permissões ficaram estáveis no mês. O FMI projeta que o PIB da Alemanha contrairá em 2020 em 5,5%, mas ainda estão em boa posição fiscal. O IIF (Institute of International Finance) divulgou que a dívida global já atingiu US$ 272 trilhões e se seguir nessa trajetória chegará no final do ano em US$ 277 trilhões e em 10 anos, estará em US$ 360 trilhões. Canadá, Japão, EUA e o Reino Unido lideram o aumento da dívida.

Ainda nos EUA, os estoques de petróleo subiram menos que o previsto na semana anterior, em 769 mil barris (previsão era 1,2 milhão) e os juros dos treasuries mais longos (30 anos) subiram forte no leilão de hoje com demanda de 2,27x. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em NY mostrava alta de 0,86%, com o barril cotado a US$ 42,01, muito em função dos estoques menores e possível manutenção dos cortes de produção pela OPEP+. O euro era transacionado em leve alta para US$ 1,186 e notes americanos com taxa de juros para os títulos de 10 anos de 0,88%. O ouro e a prata com quedas na Comex e commodities agrícolas em altas na Bolsa de Chicago. O minério de ferro na China teve mais um dia de alta de 0,72%, com a tonelada fechando em US$ 126,31.

No cenário doméstico, o diretor de política monetária do Bacen, Bruno Serra, disse que pode dar maior liquidez no câmbio caso haja necessidade no final do ano em operações de swap. Já o presidente, Campos Neto, disse que nossa moeda precisa ser mais ágil, rápida e internacional. Já o ex-presidente Ilan Goldfajn, diz não haver espaço para inação e entendem que as reformas são para ontem, no que concordamos integralmente.

O Bacen mostrou o fluxo cambial até 13/11 positivo em US$ 3,3 bilhões, mas no ano mostra saídas de US$ 16,6 bilhões. Pelo canal financeiro houve ingresso de US 6,16 bilhões e, no ano, consta saída líquida de US$ 46,6 bilhões. Já tínhamos previsto que a movimentação da semana seria bem melhor. Os ganhos em operações de swap montam a R$ 17,7 bilhões e a posição cambial líquida estava em US$ 296,3 bilhões.

No mercado, dia de dólar oscilando forte em queda e chegando a R$ 5,27, para encerrar com alta de 0,75% e cotado a R$ 5,37. Na B3, também tínhamos anunciado que o fluxo de 16/11 seria bem positivo e isso aconteceu.

Naquela sessão ingressaram R$ 4,84 bilhões, deixando o saldo de novembro positivo em R$ 22,7 bilhões, no maior ingresso mensal desde 1995, mas com o ano ainda negativo em R$ 62,2 bilhões.

No mercado acionário, a Bolsa de Londres registrou alta de 0,31%, Paris com +0,52% e Frankfurt com igual variação. Madri e Milão com altas de respectivamente 0,59% e 0,88%. No mercado americano, o Dow Jones fechando com -1,16% e Nasdaq com -0,82%. Na Bovespa, dia de pequenas oscilações entre positivo e negativo e fechamento com -1,05% e índice em 106.119 pontos, ampliando perdas no final com a queda do mercado americano.

Na agenda de amanhã a FGV mostrará o monitor do PIB de setembro e o Tesouro faz leilão tradicional de títulos. Nos EUA, os pedidos de auxílio-desemprego da semana anterior, índice de atividade da Filadélfia de novembro, o índice de indicadores antecedentes do Conference Board de outubro e as vendas de imóveis usados.

Boa noite.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais