Os mercados devem seguir navegando em águas revoltas na sessão de hoje, depois de tudo que aconteceu durante o feriado e também ontem. Os mercados domésticos reverberaram as manifestações do 7 de setembro, as primeiras repercussões da postura dura do STF, a suspensão das atividades pelo Senado e a opção do presidente da Câmara de atuar como “bombeiro” na crise entre os poderes, mantendo a agenda.

Resultado do dia, a Bovespa encerrando com queda de 3,78% e índice em 113.412 pontos, dólar com alta de 2,93% e cotado a R$ 5,33 e juros dos DIs nas máximas. Os mercados no exterior também não ajudaram, com Bolsas da Europa em queda e nos EUA também, mas bem mais leve.

Hoje, os mercados da Ásia terminaram o dia majoritariamente com quedas (Xangai com alta de 0,49%), Europa iniciando o dia com novas quedas e aguardando decisão de política monetária do BCE (BC europeu). Mercados futuros americanos mantendo igual tendência. Aqui, já tínhamos anunciado em nossa live de segunda-feira que se perdido o patamar de 115.000 pontos do Ibovespa, o próximo suporte estaria em 110.000. Já passamos pelos 115.000 pontos.

Na China, durante a madrugada foi anunciada a inflação medida pelo PPI (atacado) de agosto em 0,7%, acumulando no ano, alta de 6,2%, e contra agosto de 2020 com alta de 9,5%. Na Alemanha, o superavit da balança comercial de julho foi de 17,9 bilhões de euros, fruto de exportações maiores em 0,5% e importações com queda de 3,8%. No ano, as exportações crescem 12,4% e as importações com +16,6%.

Dirigentes regionais do FED de Dallas e Atlanta reafirmaram postura de retirar estímulos monetários ainda em 2021, ou pelo menos anunciar essa diretriz nas próximas reuniões do ano. O petróleo é que tem dia de leve alta, depois de a API anunciar encolhimento dos estoques na semana anterior e esperando a divulgação hoje dos estoques de óleo e derivados pelo Departamento de Energia americano.

No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava alta de 0,14%, com o barril cotado a US$ 68,40. O euro era transacionado em alta para US$ 1,183 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1.32%. O ouro e a prata mantinham altas na Comex e commodities agrícolas com quedas na Bolsa de Chicago.

Aqui, em reunião do Conselho de ministros, o presidente insistiu na pressão contra o STF (o que não resolve nada) e pediu para que caminhoneiros, que já atuam em 14 estados, interrompam os protestos. Já o Senado, pode devolver a MP enviada pelo governo de restringir a atuação dos gestores de redes sociais. Rodrigo Pacheco, do Senado, criticou o extremismo do governo e pediu maior diálogo. Partidos ainda não se posicionaram e ninguém fala em impeachment do presidente no momento.

Na agenda do dia teremos a divulgação da inflação oficial de agosto pelo IPCA e o levantamento sistemático da produção agrícola de agosto pelo IBGE. No exterior, é aguardada a decisão do BCE sobre política monetária, que pode sinalizar redução de estímulos e nos EUA, teremos os pedidos de auxílio-desemprego da semana e os estoques de petróleo e derivados, além de muitos discursos de dirigentes regionais do FED.

Expectativa para o dia de manter pressão na Bovespa, mas dependendo do noticiário alguns ajustes técnicos de recuperação, dólar seguindo pressionando e juros com viés de alta (dependem de IPCA em desaceleração).

Bom dia e bons negócios!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais
Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado