O clima já começou tenso nos mercados de risco local. Os investidores amanheceram novamente com o quadro fiscal assolando os diferentes segmentos. Bovespa com viés de queda, dólar e juros com tendência de alta.

A situação se tornou mais pesada por volta da hora do almoço, quando o presidente Bolsonaro declarou que a proposta apresentada sobre o programa Renda Brasil pela equipe econômica não seria encaminhada aos parlamentares. A leitura dos investidores foi de confronto com o ministro Paulo Guedes, o “posto Ipiranga”. Com isso os mercados aceleraram tendência de aversão ao risco, com o dólar vazando R$ 5,63 e a Bovespa perdendo o patamar de 100 mil pontos.

Mais tarde, o presidente Bolsonaro deu prazo para que a equipe econômica mude o projeto até a próxima sexta-feira. Bolsonaro aparentemente não ficou satisfeito com as saídas apresentadas de reduzir abatimentos no IR relacionados a Saúde e Educação.

No exterior, o BCE declarou que a política de juros negativos tem sido bem-sucedida e, na Itália, a contaminação pela covid-19 teve a maior expansão desde o mês de maio. Já nos EUA, Esther George, presidente do FED de Kansas e anfitrião da reunião de Jackson Hole dos bancos centrais, disse que a recessão de fevereiro pode voltar se a pandemia se intensificar, mas declarou que o cenário básico segue sendo de recuperação. Já Barkin, do FED de Richmond, disse que o apoio fiscal segue necessário, mas existem dúvidas do ponto de vista dos parlamentares. Em compensação, as encomendas de bens duráveis de julho vieram forte, com alta de 11,2%, de previsão de +5%, indicando retomada em “V” no curto prazo.

Trump voltou a insistir na tese de que a mídia e líderes chineses desejam a vitória de Biden, mas advertiu que os mercados quebrariam. Ainda nos EUA, houve imposição de sanção para 25 empresas chinesas por atuação no Mar do Sul da China. Os estoques de petróleo da semana anterior encolheram mais que o previsto, em 4,7 milhões de barris e o de gasolina em -4,6 milhões.

Também citamos que a tempestade Laura do golfo do México se tornou um furacão nível 4, indo na direção da costa americana e interrompendo a produção de óleo.

No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em NY mostrava leve queda de 0,05%, com o barril cotado a US$ 43,33. Antes estava em alta por boa parte do dia. O euro era transacionado em queda para US$ 1,181 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 0,69%. O ouro e a prata se recuperavam de perdas recentes na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago. O minério de ferro é que observou recuperação durante a madrugada na China, fechando em alta de 0,98% e cotado a US$ 124,20.

No segmento local, já relatamos o estresse causado aos investidores pelo presidente, mas o TCU (Tribunal de Contas da União) acendeu alerta para os gastos com orçamento de guerra fazendo parte da agenda de discussão da reunião de hoje. A PEC do Fundeb foi promulgada hoje pelo Congresso. O Banco Central divulgou o fluxo cambial até 21/8 positivo em US$ 31 milhões, mas o ano está negativo em US$ 15,8 bilhões. Até 21/8, a perda com operações de swap cambial estava em R$ 23,4 bilhões e as reservas cambiais líquidas em US$ 301,9 bilhões.

No mercado local, dólar estressado durante todo o dia fechou cm +1,59% e cotado a R$ 5,615. Os juros também tiveram dia de expansão pela percepção de inflação subindo mais para frente. Na Bovespa, na sessão de 24/8, os investidores estrangeiros voltaram a sacar recursos no montante de R$ 802 milhões, encolhendo os ingressos de agosto para R$ 1,72 bilhão e deixando a saída líquida de recursos no ano em R$ 83,2 bilhões.

No mercado acionário, dia de alta da Bolsa de Londres de 0,14%, Paris com +0,80% e Frankfurt com +0,98%. Madri e Milão com altas de respectivamente 0,21% e 0,54%. No mercado americano, o Dow Jones com +0,30% e Nasdaq com +1,73%, em novo recorde. Na Bovespa, dia de queda de 1,46% e índice em 100.627 pontos. Na mínima chegou a 99.359 pontos.

Na agenda de amanhã teremos o lucro industrial da China em julho e aqui a confiança da indústria de agosto. A parte pesada está nos EUA, com nova leitura do PIB do segundo trimestre, os pedidos de auxílio-desemprego da semana anterior e as vendas pendentes de imóveis e atividade de Kansas. Porém, a maior expectativa reside na fala de Jerome Powell no encontro de Jackson Hole, quando pode anunciar mudanças na política monetária americana.

Boa noite.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais