O dia pode ser caracterizado por forte volatilidade dos ativos aqui e no exterior. Vejamos: o dólar por aqui começou em alta e reverteu tendência na parte da tarde; a Bovespa começou o dia com queda e foi recuperando e passando ao positivo; os juros oscilaram muito aqui e no exterior; por fim, o petróleo em NY começou o dia em alta, reverteu para queda e voltou a operar em alta durante a tarde.

Isso só exemplifica o que temos destacado sobre as incertezas que rondam o mundo, e que agravam quando chegam ao Brasil, diante da tensão no ambiente político. Podemos juntar a isso as expectativas com relação à safra de resultados do segundo trimestre do ano, que está apenas começando e que, consequentemente, mexe pontualmente com empresas e setores da atividade.

Essa incerteza não é prerrogativa dos investidores, mas consequência das incertezas que rondam as economias e bancos centrais.  Hoje, por exemplo, tivemos declarações de dirigentes do FED de St. Louis —James Bullard — e de São Francisco — Mary Daly —, dizendo ser o momento certo para reduzir estímulos monetários e pensar em reduzir compras de bônus. Ontem, o presidente do FED de NY disse que não era hora de retirar estímulos.

Já Christine Lagarde, presidente do BCE, alertou para possíveis divergências entre membros da instituição. Na semana já tínhamos comentado a posição do Bundesbank e seu presidente Weidmann. Já Janet Yellen, secretária do Tesouro americano, alertou sobre a possibilidade de medidas extraordinárias, caso o Congresso americano não aprove medidas, como o pacote de infraestrutura.

A China, por sua vez, pelo primeiro ministro Li Keqiang, disse que não vão exagerar em medidas de estímulo. O Conselho Europeu anunciou que já aprovou 12 planos nacionais para uso de recursos do fundo de recuperação.

Mas a inflação de junho nos EUA assustou um pouco os investidores por sua dimensão. O CPI veio com alta de 0,9%, quando o previsto era 0,5%, enquanto o núcleo subiu o mesmo 0,9%. Com isso, no comparativo anual, a inflação foi para 5,4% e o núcleo para 4,5%. Isso permitiu a leitura de que a fase transitória da inflação pode não ser tão real. Contudo, o quadro piorou mais nos EUA com leilão de títulos novamente com demanda mais baixa que a mediana, e provocou alta dos juros dos treasuries. Já o déficit orçamentário dos primeiros nove meses do ano fiscal encolheu para US$ 2,2 trilhões, fruto de déficit em junho de somente US$ 174 bilhões (cerca de 1/5 de igual período de 2020), com receitas crescendo 87% e despesas caindo 44%.

No mercado internacional, o petróleo WTYI negociado em NY mostrava alta de 1,55%, com o barril cotado a US$ 75,25. O euro era transacionado em queda para US$ 1,177 e notes americanos de 10 anos com juros subindo forte para 1,435%. O ouro terminou o dia com leve alta e a prata em queda na Comex e commodities agrícolas com viés mais para positivo na Bolsa de Chicago.

No cenário local, o relator do ajuste do imposto de renda deu coletiva para explicar mudanças, mantendo a tributação de 20% sobre dividendos (isentando distribuição entre companhias do grupo), acabando com a dedutibilidade do JCP e isentando de tributo os fundos imobiliários. Tiraram “o bode da sala” e o mercado gostou. Mas ainda vamos assistir mudanças.

Arthur Lira, presidente da Câmara, disse que o projeto beneficia o capital produtivo e taxa o especulativo e quem tem renda mais alta (uma visão torta de avaliar o capital). Já Bolsonaro teve mais um dia de tranquilidade depois da conversa com o ministro Fux, mas aproveitou para alfinetar novamente as pesquisas do Datafolha, dizendo que recebem dinheiro para adulterar e prometendo informação bombástica na live sobre o voto impresso e auditável. A ver!

O IBGE anunciou que o volume de serviços prestados expandiu 1,2% em maio, maior que a previsão, e no ano crescendo 7,3%, enquanto em 12 meses mostra queda de 2,2%. A receita bruta nominal cresceu em maio 1,1% e serviços prestados as famílias com expansão de 17,9%, mas ainda 37,7% menor que o pico atingido em outubro de 2013.

No mercado, dia de dólar em alta de 0,13% e cotado a R$ 5,18. Na Bovespa, na sessão de 08/07, os investidores estrangeiros voltaram a sacar recursos de R$ 584 milhões, deixando o saldo negativo de julho em R$ 1,21 bilhão, mas o ano de 2021 com ingresso líquido de R$ 46,8 bilhões.

No mercado acionário europeu, uma curiosidade: as Bolsas de Londres, Paris e Frankfurt fecharam com quedas idênticas, de 0,01%. Madri e Milão com perdas de respectivamente 0,50% e 1,38%. No mercado americano, o Dow Jones encerrou com -0,31% e Nasdaq com -0,38%, não sem antes cravarem novos recordes de pontuação. Na Bovespa, dia de reversão de tendência para fechar em alta de 0,45%, e índice em 128.169 pontos.

Na agenda de amanhã teremos a prévia do PIB de maio pelo IBC-Br e fluxo cambial divulgados pelo Bacen; a inflação pelo PPI (atacado) nos EUA em junho; dados do Livro Bege (síntese da economia) e, durante a noite e mexendo com os mercados já na quinta-feira, a bateria de dados da China em junho envolvendo vendas no varejo, produção industrial, PIB, investimentos em ativos fixos, etc.

Boa noite!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais