Hoje foi dia de buscar alguma recuperação, notadamente no mercado americano e na Bovespa. Aliás, aqui, entre a máxima do dia e a mínima tivemos oscilação de mais de 3.200 pontos.

O dia foi de reverberação de bons balanços de empresas importantes como Bradesco, Vale e Petrobras; mas desde cedo os mercados conspiravam contra. O petróleo chegou a estar em queda de mais de 6%, apagando o bom ajuste da Petrobras e minério em queda na China tolhendo recuperação da Vale. Situação semelhante aconteceu no exterior, e os investidores passaram a aguardar a divulgação de resultados das big techs americanas no final do dia. Afinal, o corcunda sabe bem como se deita e avalia riscos.

Os mercados começaram a melhorar quando o BCE (BC europeu) anunciou manutenção da política monetária estabilizada, mas disse que o comitê quer recalibrar os instrumentos. A presidente Lagarde deu como certo que isso ocorrerá. Não se descarta encolhimento do PIB no quarto trimestre, situação que pode acontecer também com a Alemanha e a França.

O FMI estima que o Reino Unido encolherá 10,4% em 2020 com os efeitos da covid-19 e também do Brexit. Nos EUA, os investidores receberam bem os pedidos de auxílio-desemprego na semana anterior encolhendo em 40 mil posições para 751 mil, menos que o previsto em 778 mil. Mas a primeira leitura do PIB do terceiro trimestre também veio melhor que o estimado, com expansão anualizada de 33,1%, quando o teto das previsões estava em +32%.

Na Alemanha, a inflação de outubro medida pelo CPI no comparativo anual ficou em 0,1%. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em NY se recuperou um pouco da segunda queda forte consecutiva, e pouco antes do encerramento ainda caía 3,05%, com o barril cotado a US$ 36,25. O euro era transacionado em queda para 1,167 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 0,83%. O ouro em queda e a prata em alta na Comex e commodities agrícolas com comportamento de queda na Bolsa de Chicago. O minério de ferro negociado na China terminou o dia com queda de 0,74%, e a tonelada em US$ 116.

No segmento local, o ministro Paulo Guedes disse que não fará irresponsabilidade fiscal, citou que a dívida pública está em 100% (valor estimado) e que darão resposta de ajustes. Falou ainda que não vai aumentar impostos, situação reforçada pelo presidente Bolsonaro. Mas os investidores, apesar de acatarem a decisão do Copom com suavidade, acreditam que o comitê está menosprezando o risco fiscal.

O Tesouro Nacional anunciou que o déficit primário do governo central de setembro foi de R$ 76,15 bilhões, menos que no mês anterior de R$ 96,1 bilhões, com a receita real encolhendo 2% e as despesas crescendo 43,5%, contra igual período de 2019. O déficit em nove meses do ano está em R$ 677,4 bilhões. As despesas sujeitas ao teto de gastos crescem 5,5% até setembro, e o limite é de 6%. Dados do Caged indicaram abertura de vagas de 313,5 mil em setembro, maior do que estava sendo previsto.

No encerramento do dia, o dólar mostrava +0,15% e cotado a R$ 5,771. Na Bovespa, na sessão de 27/10, os investidores estrangeiros voltaram a sacar recursos no montante de R$ 472,2 milhões, deixando o saldo de outubro ainda positivo em R$ 2,6 bilhões e com o ano de 2020 mostrando saídas líquidas de R$ 85,1 bilhões.

No mercado acionário, a Bolsa de Londres encerrou em queda de 0,02%, Paris com -0,03% e Frankfurt com +0,32%. Madri e Milão registraram quedas de respectivamente 0,97% e 0,14%. No mercado americano, recuperação no Dow Jones com +0,53% e Nasdaq com +1,64% Na Bovespa, dia de alta de 1,27% e índice em 96.582 pontos.

Na agenda de amanhã teremos dados da PNAD continua e o IPP (preço do produtor) de setembro. Sai o PIB da Alemanha e zona do euro do terceiro trimestre, e nos EUA, a confiança do consumidor de Michigan e o índice de atividade de Chicago e durante a noite, o PMI na China.

Boa noite.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais